domingo, 23 de agosto de 2009

Que ele cresça...


No último dia 20 de junho, fui ao aeroporto Santos Dumont no Rio de Janeiro, buscar um pregador jovem de apenas 30 anos, procedente do interior do Estado de São Paulo, que traria mensagens em uma Cruzada Evangelística no sábado e domingo, com total apoio da Associação de Pastores de nossa cidade. Após muita publicidade, criou-se uma enorme expectativa em torno daquele pregador, que estava sendo usado poderosamente no ministério da Palavra na Igreja Evangélica Brasileira, apontado como uma verdadeira revelação. Depois dos cumprimentos de praxe no saguão do aeroporto, seguimos para Armação dos Búzios, onde ele ficaria hospedado em casa de uma irmã bastante hospitaleira. Durante o percurso, o jovem pregador de maneira orgulhosa, falou de sua chamada ministerial e a oposição dos pastores de sua região. Declarou, que para ser ordenado teve que sair do Brasil e receber o apoio da Assembléia de Deus em Boston - EUA e aprender inglês na força da necessidade. Em dado momento da conversa com seus olhos brilhando, ele afirmou categoricamente, que o tempo dos demais pregadores como Gesiel Gomes, Gilvan Rodrigues, Gilmar Santos, Takayama já havia terminado e que Deus o tinha chamado para ser o maior pregador pentecostal do início desse século.
Entusiasmado e em um arroubo da juventude, declarou que em apenas sete anos como pregador itinerante, já havia passado por mais de 20 países e durante o ano de 2002, havia pregado cerca de 320 dias ininterruptos, uma verdadeira façanha digna do apóstolo Paulo.
Atualmente estava buscando patrocínio para colocar um programa de televisão durante trinta minutos em rede nacional aos sábados e assim poder impactar a Nação Brasileira, já que os tele-evangelistas atuais, deixavam muito a desejar.
Quando chegamos ao nosso destino, nos despedimos e segui com minha família para nossa residência a fim de nos preparar para a Cruzada durante a noite. Contudo, as palavras daquele moço começaram a me incomodar, pois ele buscava a glória da Igreja de Cristo, os aplausos fáceis, os elogios enganosos. Ele considerava que os pregadores nacionais, já haviam caído no esquecimento de Deus e seu povo e de que esse era o seu momento. Naquele instante lembrei-me dos heróis esquecidos da fé do tipo Ananias, que segundo a tradição identifica como um dos bispos de Damasco. Não se trata de uma grande figura religiosa. Nenhuma reputação estabelecida o precede nesse momento da História do Cristianismo. Nada. Ele foi tirado do anonimato para colocar as mãos sobre Saulo, o perseguidor dos cristãos. Há um número incontável de Ananias, servindo Cristo nos bastidores da Igreja espalhados pelo mundo. A maioria nunca conheceremos, nunca saberemos seus nomes. Eles das luzes e dos aplausos. Não obstante são heróis – gigantes da fé por causa dos seus atos de obediência a Deus desprendidos e silenciosos.
Prosseguindo fielmente. Administrando do fielmente a Casa de Deus. Pregando sermões sem o brilho da oratória, porém com a unção do Espírito Santo.
Visitando os enfermos e dando esperança aos desanimados. Diferente daquele jovem pregador paulista do bairro de Tatu, poucos na família de Deus gozam de fama e renome, de posição e influência. A maioria, porém, são os Ananias da Igreja de Cristo, portadores de recados, se achar melhor, fazendo exatamente o que lhes pediu e precisamente no lugar em que ele os chamou para estar.
De tempos em tempos, o Senhor da Igreja, levanta profetas para anunciar o seu Reino para a humanidade e a necessidade de arrependimento do homem. Muitos desses profetas são usadas poderosamente no ministério da Palavra e da cura, com sinais e prodígios para a glória do nome de Deus. O Senhor levantou Lutero para reformar sua Igreja corroída pelo pecado e luxo dos clérigos, levantou Wesley para trazer um avivamento sobre a Inglaterra e os EUA. Levantou Daniel Berg e Gunnan Virgren para trazerem o Pentecoste ao Brasil, contudo, quando o homem, começa a invocar à Glória de Deus para si, a sua queda é eminente e o seu ministério curto e passageiro. O apóstolo Paulo, autor da maioria das cartas do Novo Testamento que afirmava ser o menor dos Santos e o maior entre todos os pecadores. Aquele que cinco vezes recebeu nos judeus uma quarentena de açoites, que três vezes recebeu varadas, que foi apedrejado, que sofreu naufrágio, que foi encarcerado por amor à Cristo, que noutro tempo, era blasfemo, perseguidor e insolente. Mais tarde, escreveria uma confissão similar a seu filho na fé, Timóteo: “Sou grato para com aquele que me fortaleceu, Cristo Jesus, nosso Senhor. Que me considerou fiel, designando-me para o ministério.”

Que Deus tenha misericórdia dos pastores orgulhosos, que confiam no seu intelecto, na sua capacidade de oratória, que se acham os únicos escolhidos para avivarem esta nação e pregam contra os outros pastores ordenando-os a fecharem suas Igrejas no domingo, para assistirem sua pregação.
Não importa se milhares de pessoas, estão se convertendo após a sua pregação. Não importa se centenas de pessoas estão sendo curados. Não importa se centenas de milhares estão sendo avivados.
O que importa, é que o nome do Senhor Jesus seja glorificado. O teólogo C.S. Lewis(foto) em seu livro “Mene Cristianity”, declara que O Homem orgulhoso está sempre desprezando as coisas e as pessoas; e como é natural, enquanto estiver olhando para baixo, não poderá ver algo que está acima de você.
Que Deus continue usando de sua graça e misericórdia sobre todos nós, o motivo pelo qual não somos consumidos. Baruch Há Shem!

sábado, 22 de agosto de 2009

Qual o Reino a que você pertence


Conta-se que certa ocasião, um imperador alemão realizou uma visita a um das mais afastadas províncias dos seus domínios.
Passando por uma pequena escola, situada `a beira da estrada por onde passava, em uma zona rural, resolveu interromper a viagem e visitar os alunos. Professores e crianças o receberam com emoção, respeito e acatamento. No meio de tanto entusiasmo, houve quem improviasse um discurso para saudar a ilustre personagem.
O imperador ficou surpreso e feliz com a recepção. Percebendo que a classe era viva, inteligente e desinibida, sentiu-se à vontade entre os alunos.
depois de os ouvir cantar, declamar, discursar, ele resolveu se divertir um pouco com eles.
Pediu a seu secretário que lhe trouxesse uma laranja e, mostrando-a aos meninos e meninas, perguntou:
"Qual de vocês é capaz de me responder e que reino pertence esta fruta que tenho na mão?"
"Ao reino vegetal." - respondeu de imediato uma garota risonha, de olhos brilhantes e muito comunicativa.
"Surpreendente!" - disse o imperador. E continuou.
"Já que você respondeu com tanta precisão, vou lhe fazer duas outras perguntas. Espero que você responda correta e imediatamente. Se me responder sem hesitar, eu lhe dou uma medalha como prêmio. Aceita o desafio?"
"Aceito, sim senhor." - falou prontamente a garota.
Então, colocando a mão no bolso de sua farda, tirou uma moeda e mostrou à menina, indagando:
"E esta moeda - a que reino pertence?"
"Ao reino mineral." - disse ela.
"E eu, a que reino pertenço?" Questionou o imperador.
Houve um rápido momento de silêncio. Os colegas se entreolharam. A garota apagou o sorriso alegre. Ficou séria e constrangida. Ficou preocupada em ofender o imperador, dizendo que ele pertencia ao reino animal.
Mas, afinal, a resposta seria a correta. Contudo, pensava, poderia perder a medalha e até ser repreendida. Então, de repente uma resposta lhe veio à mente. Seus olhos voltaram a brilhar, um sorriso iluminou a sua face e ela respondeu, alto e claro: "o senhor pertence ao reino de Deus!"
A resposta da menina causou admiração entre os colegas, professora e toda a comitiva que acompanhava o imperador.
Foi, no entanto, o próprio imperador que mais se sentiu tocado pela afirmativa da garota.
Com voz embargada, entregou a medalha prometida e, emocionado, falou:
"Espero que eu seja digno desse reino, minha filha!"
Pense nisso!
Todos somos de Deus. Grande e pequenos. Pobres e ricos. Saudáveis e enfermos.
Independente de cor, raça, nacionalidade, todos somos criaturas de Deus.
Todos fomos criados por Ele, mesmo que alguns afirmem não acreditar que Ele exista.
Somos alimentados por seu amor, todos os dias. E todos alcançaremos, embora em momentos diferentes, o seu reino de paz, de justiça e amor.
Isso porque Deus ama a todos de igual maneira e oferece as mesmas chances de progresso e felicidade.
E pacientemente espera que aceitemos a sua oferta.
Todos somos criaturas de Deus. Você, eu, a humanidade inteira!
Não esqueça disso e abra seu sorriso de esperança, renove as suas forças e prossiga no rumo da luz, abraçando o bem. Autor Desconhecido.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Reveillon na Casa de Deus


Desculpe-me os 3 milhões de brasileiros, que foram passar o reveillon na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, enfrentando a falta de segurança urbana e com um saldo negativo de seis baleados. Mas eu e minha família, resolvemos passar o ano na Casa de Deus, em um templo humilde, na serra macaense, no distante Distrito de Glicério.
Lá não corremos riscos nenhum, pois os anjos do Senhor estavam acampados ao nosso redor, e o shequiná do Senhor invadiu sua Casa, nos trazendo Paz no coração.
O culto simples dirigido pelo presbítero Levi Gomes, não foi notícia nos grandes jornais, tão pouco teve a presença de cantores famosos ou artistas globais, mas confesso, que senti o poder de Deus sendo derramado sob a Igreja.
Lá em Glicério, ao invés de pularmos as ondas do mar, como aconteceu em Copacabana e oferecermos flores para deuses que não andam, não falam, não ouvem e tão pouco vêem, dobramos nossos joelhos em agradecimentos à Deus, pelas vitórias alcançadas no decorrer do ano que se findou, como também pelos inúmeros livramentos.
A prefeitura não teve que recolher 264 toneladas de lixo utilizando 2.894 garis para trabalhar na Operação Iemanjá, como aconteceu em Copacabana. Simplesmente, porque o lixo de todos os nossos pecados, já fora recolhidos e limpos na Cruz do Calvário.
Lá em Glicério, nenhuma balsa pegou fogo com os fogos de artifício, causando um verdadeiro incêndio, como aconteceu em Copacabana. Muito pelo contrário, o fogo que caiu na Igreja foi do Espírito Santo, e ninguém saiu ferido, mas todos se alegraram no Senhor. Vai por mim, caso você deseje ser abençoado no próximo reveillon, não precisa enfrentar o trânsito caótico do Rio de Janeiro, não precisa pagar milhares de dólares em uma cobertura na Avenida Atlântica, venha para Glicério, lá você enxerga uma verdadeira constelação, você pode ouvir o barulho das águas do rio, e principalmente sentir fluir das águas do rio da vida que jorram na vida de todo aquele que crê no Senhor Jesus. Lá em Glicério, eu não paguei nada, ao contrário recebi, sem mesmo merecer coisa alguma. Desculpe-me o poeta pernambucano Manoel Bandeira, mas no final de 2009, se Deus permitir, vou embora para Glicério, pois lá eu sou amigo e filho do Rei. Baruch Há Shem !

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Rotulando para ser rotulado


Qual o rótulo que seus irmãos na fé dão a você? Batista, Presbiterianao, Metodista, Assembleiano... Ou será que você é chamado de pentecostal, tradicional, amilenista, pré-milenista ou pós-milenista, fundamentalista ou liberal, ortodoxo ou pós-moderno?
Desde que nascemos recebemos um rótulo. Alguns até duram para sempre, outros se perdem no caminho da vida. Quando pequeno, gostava muito de ler histórias em quadrinhos do Zé Carioca, Tio Patinho, Pato Donald e que após participar da Escola Dominical na Igreja Batista de Belford Roxo, sempre trocava revistas no sebo na Feira Livre de Areia Branca. Antes de chegar à adolescência acumulei cerca de 500 revistas, foi onde alertaram minha mãe, de que eu estava viciado em gibis, o que poderia causar transtornos em minha fé.
Passei então a ler os clássicos da literatura universal para adquirir cultura e de vez em quando folhava a Bíblia em casa, antes de dormir. Novamente fui rotulado, como metido à intelectual dos pobres e pra ajudar ainda mais, eu usava óculos de fundo de garrafa. Já na fase adulta, durante a participação de um culto de adoração com a juventude batista, por orar muito alto e com fervor, fui chamado de pentecostal.
Hoje na maturidade quarentona, percebo o quanto sempre fomos imaturos em rotular e ser rotulado pelas pessoas. Para Deus não importa se você foi batizado por imersão ou aspersão. Se você é crente tradicional ou canela de fogo. Se faz parte da Associação “A” ou do Conselho de Pastores “B”, tudo isso são definições meramente humanas, que a luz da Palavra Sagrada, não possui nenhuma serventia para nossa salvação, pois afinal de contas, o Evangelho verdadeiro e puro, é para o grego, o circuncidado, o incircunciso, o escravo e o livre. Cl 3.11
Durante alguns anos, trabalhei no Instituto Haggai de Treinamento de Líderes Cristãos com o pastor Abraão Soares Silva (foto) em sua sede na rua da Constituição no centro do Rio de Janeiro, e pude aprender com diversos líderes da Igreja Evangélica Brasileira, sua diversidade teológica, sua percepção de Deus, o que muito enriqueceu minha cosmovisão do Reino. No geral concordamos em 95% nos fundamentos básicos no cristianismo bíblico e divergimos em nosso limitado conhecimento do que Deus tem preparado para Sua Igreja com nossas questiúnculas. Enquanto não compreendermos o amor infinito de Deus para conosco e sua graça imensurável, vamos continuar praticando o pecado da rotulação. Entendemos que o único rótulo, que não podemos abrir mão, em nossa trajetória humana sobre a face da terra é o de servos de um Deus justo e fiel, de filhos de um pai amoroso, de herdeiros da salvação e povo da Nova Aliança. Baruch Há Shem!

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Os milagres em Botsuana


TL. Osborn após participar de um Festival de Música, onde chegou a semifinal, sentiu-se tocado pelo Espírito Santo para ser enviado para o continente Africano, onde pretendia atuar como missionário. Ao comunicar sua decisão aos amigos, foi chamado de louco por abandonar o conforto de sua casa e as beneses da cidade grande e pregar o evangelho no interior de Botsuana.
Assim que iniciou seu ministério, o desânimo se abateu sobre sua vida, porque nem um africano se convertia. Então, ele começou a questionar sua chamada missionária e o porque da não conversão dos africanos.
Resolvido a mudar de tática para alcançar êxito, o jovem missionário decidiu pregar no portão de uma escola.
Contudo os alunos daquela escola não davam-lhe nenhuma atenção, até que o diretor da escola parou nas escadas do prédio e ouviu atentamente. A pregação do evangelho, onde o missionário falava que Jesus havia curado os surdos e ressuscitado os mortos. Após ouvir a mensagem o diretor da escola não atendeu o convite do pregador para aceitar a Jesus, preferiu entrar na escola, trazendo tristeza ao missionário.
Ao final da tarde, após o término da pregação o jovem pastor resolveu voltar para a sede de sua missão. Totalmente cabisbaixo.
Nisso, uma mão tocou no seu ombro. Era o diretor com cerca de 25 alunos, pedindo ao pastor para fazer a oração da fé e curar aqueles alunos enfermos.
Pedindo confirmação de sua chamada, o pastor determinou a cura daqueles alunos e para Glória de Deus, os 25 surdos e mudos foram curados e saíram glorificando a Jesus.
Dois havia chamado o missionário para pregar em uma escola de surdos e mudos. Cumprindo-se o que está escrito em Mateus 11:5. “Os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são limpos, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados e aos pobres é anunciado o evangelho. Baruch Há Shem!

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Os Novos Apóstolos


Com o crescimento da Igreja Evangélica Brasileira no século passado atingindo a marca de cerca de 22 milhões, muitas denominações deram título a seus líderes de Presidentes de Conselhos, Convenções, Concílio etc.
Os pastores proeminentes adotaram o título de Bispos, que os diferenciava dos demais pastores. Com o surgimento das Igrejas Neopentecostais no final do século anterior, um novo modismo foi implantado, a criação do título de apóstolos no seio das novas igrejas. O que antes era prerrogativa de apenas 13 homens, sendo os 12 chamados inicialmente pelo próprio Jesus Cristo e depois Paulo, que se tornou o Apóstolo dos Gentios, passou a ser um título eclesiástico comum aos Fundadores das novas Igrejas, tais como Renascer, Cristo Vive etc, como fruto de honra e glória, e toda a sorte de privilégios. Paulo em sua epístola aos Coríntios, relata claramente as aflições passadas pelo apóstolos “Porque a mim me parece que Deus nos pôs a nós, os apóstolos, em último lugar, como se fossemos condenados a morte, porque nos tornamos espetáculo ao mundo, tanto a anjos, como a homens... Até a presente hora sofremos fome, e sede, e nudez, e somos esbofeteadas, e não temos morada certa, e nos afadigamos, trabalhando com nossas próprias mãos. Quando somos injuriadas, bendizemos; quando perseguidos, suportamos; quando caluniados, procuramos conciliação; e até agora temos chegado a ser considerado lixo do mundo, escórias de todos”. I Cor. 4.9,11-13.
Os recentes escândalos envolvendo os “Pretensos Apóstolos” denunciadas pela grande Imprensa, trazendo grande prejuízo a fé de milhões de evangélicos brasileiros, revela que alguns desses “Apóstolos” não sofreram fome, sede, nudez, e tão pouco não possuem morada, ao contrário, possuem mansões em condomínio de luxo nos Estados Unidos, grandes fazendas e várias empresas no nome dos Familiares. As Escrituras revelam que os verdadeiros Apóstolos, foram homens que andaram com Deus e que se constituíram num referencial ímpar de fé para todos nós, ao contrário disso que temos assistido é uma sucessão de escândalos para vergonha do Evangelho.
Pelo visto, vamos Ter que continuar a nos espelhar na vida dos verdadeiros apóstolos da Igreja Primitiva que com zelo, fidelidade e sacrifício, revelaram as marcas do Senhor da Igreja. Baruch Há Shem!

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Levando Deus a sério


O título acima parece ser de um sermão pregado em alguma igreja evangélica no Estado do Rio de Janeiro, por algum evangelista cheio de piedade e compaixão pelas almas perdidas. Parece mas não é. Simplesmente foi o slogan adotado por um candidato à Assembléia Legislativa Fluminense derrotado nas urnas fragorosamente por um por um eleitorado, que ao que se compreende, não levou a sério as suas propostas políticas. Contudo, em meio a uma verdadeira avalanche de candidatos evangélicos, representando diversas denominações de maneira oficial ou candidaturas isoladas, com que clamando no deserto da política, fica a pergunta: “Será que nossos parlamentares evangélicos seja no exercício do mandato ou como candidatos, levaram Deus à sério?
No último pleito de 4 de outubro de 1998, tivemos a participação recorde de 18 pastores, concorrendo a Alerj, com a eleição de apenas 3 deputados-pastores, tendo a totalização de votos de todos os candidatos evangélicos, algo em torno de 493.859, e dos pastores –candidatos a Câmara Federal, 4 foram alçados à posição de congressistas com a totalização de votos de 581.749.
Em minhas andanças pelo estado do Rio, acompanhando jornalisticamente a campanha de alguns candidatos evangélicos, encontramos quatro tipos de candidaturas como bem definiu o Bispo Robinson Cavalcante(foto) da Igreja Anglicana nas eleições de 1986; parece-nos que nada mudou e a história se repete.
Existe o candidato competente que trabalha consciente de que não será eleito, mas que faz presença; esse é minoria. O segundo candidato é o inocente útil, o descartável que será usado apenas para puxar votos para a legenda, convencido de que é o salvador da pátria. O terceiro é formado por uma grande maioria de candidatos copas do mundo, que aparecem nas igrejas de quatro em quatro anos, prometendo tijolos, cimentos, se auto-proclamando amigos do evangelho e com inúmeros parentes evangélicos; fato que as identificam como evangélicos, como se filho, irmão, primo de crente, fosse também crente. O adágio popular aqui não funciona. E o quarto e último grupo representa o candidato, profeta de carteirinha, que se julgam eleitos. As eleições de 1994, existiu um certo candidato que convidada a todos para entrarem em sua arca, que por sua vez naufragou, alegando que Deus havia lhe revelado que sua chamada seria dentro em breve para o Senado Federal. Resultado! esse irmão caiu no ostracismo político com a perda do mandato, sem conseguir retornar com êxito às suas atividades ministeriais. Outro fator que marcou, consideravelmente as eleições deste final de milênio, no meio evangélico, foi as negociações envolvendo políticos e pastores com troca de favores do ripo: 100 votos igual a 1.000 tijolos, quando deveriam ser analisadas as propostas reais e o currículo do candidato, seu compromisso coma justiça social do reino de Deus. Mas uma vez fica a pergunta: até quando esse líderes estarão renegociando o rebanho? Será que eles estão levando Deus á sério.
Parece-me nos que a tendência do eleitorado evangélico em votar em candidatos da direita é uma realidade em vários países. Em Uganda, quando o ditador Idi mim assumiu o governo e mandou eliminar sumariamente 300 mil opositores, a igreja apoiou. Na África do Sul, o governo segrecionista de Pieter Botha também teve apoio de vários segmentos da igreja evangélica com exceção do bispo Dasmond TUTU da Igreja Anglicana. Na Alemanha, quando Hitler assumiu a Chancelaria e proclamou o III Reich coma política de genocídio judeu, a Igreja Evangélica também apoiou, com exceção do pastor batista Dieter Bonhoeffer, que foi fuzilado. Contudo, podemos tirar das últimas eleições um aspecto positivo: os evangélicos estão abandonando o preconceito de que crente não se mete em política e estão perdendo a alienação histórica com exceções de alguns bolsões de resistência em algumas denominações fechadas. Não existe mas espaço para “Anacoretas”. Os evangélicos não podem permanecer em uma militância conformista: “Não vos conformei com este século, mas transformai-vos pela renovação das vossa mente”. Chegou a hora dos evangélicos de serem do alto dos postes no meio do deserto e avançarem, levando Deus a sério.
A votação mínima que alguns candidatos receberam apesar do apadrinhamento, vieram comprovar que não basta ser filho de pastor ou presidente de denominações para merecer a confiança da comunidade. Existe a necessidade de um trabalho contínuo e um engajamento político com propostas sólidas que encontram embasamento popular. Baruch Há Shem.

domingo, 16 de agosto de 2009

Jesus não mudou nada!


O rapaz da roça mudou-se para São Paulo. Mal sabia ler e escrever. Arranjou emprego, fez o supletivo de primeiro e segundo graus. Entrou na universidade. Deu duro. Formou-se em Medicina. Casou-se com uma moça educada e rica. Voltou para ver os pais na roça. Todos perceberam que ele não mudou nada. Era o mesmo homem de sempre. Não deixou de amá-los. Não se envaideceu. Não guardou distância de ninguém. Aleluia!
A mocinha professou a fé em Jesus há dez anos. Formou-se em Economia Doméstica e foi trabalhar em extensão rural. Esteve no interior, em cidades onde não havia igreja evangélica. Depois ganhou uma bolsa e foi para a Europa estudar mais. Lá havia igreja e não poucas. Mas sem jovens: só velhos. Sem vida: só formalismo. Sem exposição bíblica: só erudição e cultura. Com os títulos de mestrado e doutorados na mão, voltou ao Brasil. Voltou para a cidade de origem, para a igreja onde professou a fé, para a Universidade onde se formou e da qual seria agora professora. A igreja inteira matou as saudades e percebeu que ela não mudou nada. Era a mesma ovem de dez anos atrás, no trato, na fé, na conduta. Aleluia, outra vez!
O marido foi convocado para a guerra. Viajou para o Vietnã. Expôs-se ao perigo, à morte, aos horrores da guerra. Sofreu na carne o problema da solidão. Sentiu falta da esposa. Chegou bem perto da droga. Foi assediado pelo pecado.
Depois de dois anos, voltou. A mulher, no Texas, esperava-o medrosa, preocupada, desconfiada. Mas não havia razão alguma, ela logo percebeu. O marido não havia mudado em nada. Ainda a amava. Guardou-se para ela. A filhinha de sete ano abraçou o pai e disse à mãe: “mamãe, papai não mudou nada!” De fato ele era o mesmo de sempre, aleluia, mais uma vez!
Jesus foi assunto aos céus. Desde então está à direita de Deus. vinte séculos nos separam dele. Não o vemos desde a ascensão. Ele ainda não voltou. Nossa geração não o conhece pessoalmente. Temos nos ligado a Jesus a partir das informações das Escrituras e, depois, por meio do relacionamento puramente espiritual que mantemos com ele. A pergunta é grave e pertinente: o Jesus de hoje é o mesmo Jesus dos Evangelhos? Mas a resposta é também exata ontem e hoje é o mesmo, e o será para sempre” (Hb 13.8). Aleluia, pela Quarta vez!
Importa-me alguma coisa Jesus não Ter mudado nada? E claro que sim. Isto me afeta profundamente: me ama, me conforta, me encorajam me dá segurança.
Se Jesus, ontem, conhecia a todos, como os evangelhos mostram sobejamente (Jo 1.47-50, 4.17-18, Lc 39-50, 19.5), hoje ele me conhece também: meu nome, meus problemas, meus pecados e até minhas incógnitas.
Se Jesus, ontem se condoía do sofrimento humano (Mt 9.36, 11.28, 14.14,) hoje, mesmo na glória do Pai, ele é capaz de condoer-se dos ignorantes dos que erram: “Não temos suo sacerdote que não possa compadecer-Se das nossas fraquezas” (Hb 4.15, 5.2).
Se Jesus amava profundamente a ponto de dar a sua vida pelas ovelhas (Jo 10.11, 15.13), hoje ele ainda ama e com a mesma sinceridade.
Se Jesus, ontem, transformava os pescadores de peixe em pescadores de homens, os boanerges em mestres de amor e tolerância, a mulher samaritana e outras mulheres em exemplos de piedade, hoje ele continua transformando todo aquele que aprende com ele e toma o seu jugo (Mt 11.29).
Jesus não mudou nada. Ontem e hoje é o mesmo. E o será para sempre! Quando ele voltar, nós o reconheceremos logo e ficaremos muito à vontade diante dele. Aleluia pelos séculos dos séculos! ( Autor desconhecido)

sábado, 15 de agosto de 2009

Jesus não mudou

Entra ano e sai ano, e a História se repete. Milhares de templos são abertos e outros milhares são fechados. Milhares de pastores são ordenados para servir a Igreja e outros milhares são excluídos, se desviam ou causam escândalos. Muitas igrejas crescem, outras incham e algumas estão acomodadas num estado de letargia. Na virada do ano, tive oportunidade de pregar em uma congregação com 15 Anos de Fundação e apenas 15 crentes batizados, ou seja, 1 crente por ano. E nós pregamos que Jesus é o mesmo ontem, hoje e eternamente. O que está acontecendo com a Igreja de Cristo no Brasil? O que está faltando para um verdadeiro avivamento espiritual?
Não se ouve mais profetas pregando arrependimento de pecados e mudança de vida. O que temos na mídia e nos púlpitos das mega-igrejas é o evangelho da Prosperidade e da auto-ajuda. Mas até quando? Parece que estamos vivendo os dias do profeta chorão na Terra de Benjamim, durante os reinados de Josias e Zedequias, pregando o concerto de Israel: “Emendai os vossos caminhos e as vossas obras, e eu os farei habitar neste lugar. Não vos fieis em palavras falsas, dizendo: Templo do Senhor, templo do Senhor, templo do Senhor é este (Jr 7: 3-4).
Revendo a História do Movimento Pentecostal com seu início na Rua Azuza, onde Jesus usou um pastor cego de um olho, William Seimour, para pregar o avivamento em um púlpito improvisado de caixote de laranjas e o Senhor derramou do seu poder com salvação de vidas, chamando a atenção das autoridades e da imprensa da época. O Evangelho naqueles tempos era pregado de maneira simples por homens simples e Deus operava maravilhas.
No Brasil em Belém do Pará, também não foi diferente com Daniel Berg e Gunnar Vingren, anunciando as Boas Novas para os ribeirinhos e depois alcançando todo o território nacional com a explosão do pentecoste.
Naqueles dias se pregava nos mais longínquos vilarejos a luz da lamparina e com o som de uma acordeon ou pandeiro, por homens sem formação teológica ou musical, porém cheios do Espírito Santo e assim como em Atos dos Apóstolos, todos os dias o Senhor acrescentava a Sua Igreja – At 2:47. De uns tempos para cá, a vocação pastoral tem se transformado em mais uma opção profissional e o Evangelho genuíno foi acrescentado com a visão marqueteira para encher os bancos da “Igreja-Empresa”. A verdadeira visão espiritual, foi trocada pelos “visioneiros profissionais”, que somente enxergam carros importados, chaves de casas de praia e contratos milionários de empregos ganhando em dólares. Na passagem de ano, tomamos conhecimento que uma Igreja sexagenária na Região dos Lagos, fechou as portas durante uma semana e o pastor saiu de férias. Já outra igreja no Rio de Janeiro, os jovens foram pular ondas na praia de Copacabana em meio ao sincretismo religioso. Tudo isso, vem de encontro a profecia de Jeremias: “Os líderes do povo são insensatos e não consultam o Senhor, por isso não prosperam e todo seu rebanho está disperso”. (Jr 10:21). Graças a Deus, ainda existem os remanescentes, aqueles que buscam a verdade, o perfeito e simples Evangelho da graça de Cristo, sempre tendo a esperança maior no Senhor da Igreja, e sempre repetindo a palavra do profeta Habacuque: “Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide. Ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento, ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas e nos currais não haja gado, todavia eu me alegrarei no Senhor; exultarei no Deus da minha salvação”.
Necessitamos voltar com urgência aos primórdios da Igreja, onde o povo junto com os sacerdotes oravam e jejuavam buscando a grande manifestação do poder de Deus. A Igreja não necessita de data show, telões, grupos de coreografia, pregador de aluguel, profetas que invocam anjos, música gospel para buscar um avivamento verdadeiro.
Jesus, não mudou e jamais mudará. Portanto, sua noiva também não pode mudar. Não pode abrir mão da pregação bíblica, da oração sincera e do jejum mortificador da carne, pois somente assim, “o fogo arderá continuamente sobre o altar e não se apagará”. Lv 6:13. Baruch Há Shem!

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Igrejas Denorex


Durante muito tempo foi exibido na televisão brasileira em vários canais, um comercial de um produto contra seborréia, no qual se dizia: “Denorex, parece remédio, mas não é remédio!”
Nos dias em que estamos vivendo, com o surgimento de milhares de templos evangélicos pelo Brasil e com uma propaganda acentuada na mídia, causando verdadeira confusão na mente dos neófitos da fé, fica a pergunta: Qual a Igreja Evangélica verdadeira e qual é a Igreja Denorex?
Existem hoje no país mais de 400 denominações ditas evangélicas. Todas as semanas são abertas inúmeros templos para abrigar os milhares de neoconversos e sedentos da Palavra. Porém da mesma maneira que cresce o trigo, também cresce o joio. Os estudiosos da História da Igreja, afirmam que o Evangelho está perdendo a qualidade em detrimento da quantidade. Isso se confirma com a verdadeira explosão de auto-consagrações ao Ministério da Palavra, onde pseudo-pastores na busca do vil metal, estão transformando o templo de Deus em covil de salteadores.
O profeta Jeremias com seu sermão, revela que a Igreja nunca está em perigo tão grande como quando é popular e milhões de pessoas dizem: “Eu nasci de novo, eu me converti, eu aceitei a Cristo”?
Jeremias preocupou-se como ninguém com a adequação do local de culto à Deus. Porém o local e as palavras ministradas, podem servir apenas de fachada respeitável para um eu interior corrupto.
O covil de salteadores é o lugar que os bandidos usam para se esconder entre um ataque e outro contra incautos e desprotegidos. Essa foi a acusação de Jeremias: o templo se tornou um lugar seguro e acima de qualquer suspeita para atos pecaminosos contra Deus.
Jesus, 650 anos depois de Jeremias, falou da “purificação do templo”, quando expulsou os vendedores e cambistas (Mc 11:15-19).
De igual modo, Paulo advertiu o jovem pastor Timóteo acerca das pessoas que “tendo forma de piedade, negavam-lhe, entretanto, o poder”. (2 Tm 3:5).
Já o profeta chorão foi bem claro em sua acusação naqueles dias, o qual podemos aplicar na Igreja contemporânea: “Furtareis vos; e matareis e cometereis adultério e jurareis falsamente, e queimareis incenso a Baal e andareis após outros deuses que não conhecestes, e então vireis, e vos poreis diante de mim nesta casa, que se chama pelo meu nome, e direis: Somos livres, podemos fazer todas estas abominações” (Jr 7:9-10).
Nos dias do profeta, a prática religiosa era ascendente, porém o comportamento na vida diária do povo e dos sacerdotes era corrompido. O fato de em uma Igreja ser feita a leitura da Bíblia, não a transforma em uma Igreja Evangélica Cristocêntrica. Nas sessões espíritas de mesa, também abre-se a Bíblia. O fato de na Igreja, existir louvores populares com mensagens românticas, trazendo euforia e emocionalismo, não significa que Deus esteja sendo adorado. A realidade da Igreja atual, não é diferente do templo de Jerusalém, nos dias de Jeremias: “Não confieis em palavras falsas, dizendo: templo do Senhor, templo do Senhor, templo do Senhor é este” (Jr 7:4).
Naquela época, assim como nos dias de hoje, as pessoas permaneciam naquele lugar santo recitando os chavões religiosos, pensando que tudo estava bem. Elas estavam no lugar certo, falavam palavras certas, mas elas e os próprios sacerdotes, não estavam certas.
Que Deus em sua infinita graça e misericórdia, possa nos conceder o discernimento do Espírito Santo para a luz da Palavra, podermos adorá-lo em uma verdadeira Casa de Oração.Baruch Há Shem!

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Homens com firmeza na palavra


A pouco tempo atrás, fui convidado a participar de uma reunião de Pastores e Evangelistas para decidir algumas soluções para problemas de ordem moral que afetava uma igreja sexagenária.
Durante sete anos, o antigo pastor havia liderado a Igreja com mão de ferro, tomando decisões sozinho sem consultar a ninguém, nem mesmo ao Senhor da Igreja: Jesus. O resultado não poderia, ter sido pior, o pecado de alguns membros daquela comunidade, retirou a autoridade moral e bíblica, do corpo de Cristo naquele bairro, pois havia sido feita inúmeras concessões com ordenações espúrias e anti-bíblicas. Quando os obreiros, foram questionados pela omissão praticada, eles alegaram que preferiram ficar ao lado do pastor e não contestar sua autoridade sacerdotal.
Ao ser perguntado, de que lado eu ficaria? Respondi, prontamente: do lado da Bíblia. Isso me fez lembrar do Rei Uzias, quando se envaideceu e entrou no templo para queimar incenso no Altar do Senhor, o que não lhe competia fazer. Então o sacerdote Azarias entrou depois dele, com oitenta outros sacerdotes, “homens da maior firmeza”, e resistiram ao Rei (2Cr 26.16-18).
A expressão “homens da maior firmeza” é muito significativa. Não eram homens comuns, sem certezas, sem coragem, sem lastro. Eram homens especiais, dispostos a enfrentar autoridade do Estado.
Sem firmeza, ninguém suporta a provocação, a provação e a tentação. Sem firmeza, ninguém suporta certos lugares, certos acontecimentos, certas circunstâncias. Sem firmeza ninguém suporta o vazio, a solidão e a saudade. Sem firmeza, ninguém suporta o imprevisto, o revés e a ruína. Sem firmeza, ninguém suporta a tristeza, o estresse e a depressão. Sem firmeza, ninguém suporta a dor, a doença e a morte. Sem firmeza, ninguém suporta a pressão da carne, o curso deste mundo e a opressão das potestades do ar. Sem firmeza, ninguém suporta a indiferença alheia, o desamor e o ódio. Sem firmeza, ninguém suporta a crise da adolescência, a crise da meia-idade e a crise da terceira idade. Sem firmeza, ninguém suporta o que é difícil, o que é complexo o que é arriscado. Sem firmeza, ninguém suporta a distância a demora e a incomunicabilidade.
A falta de firmeza, explica o abandono da fé, do entusiasmo, da esperança, do compromisso cristão. A falta de firmeza explica o desânimo, o medo, a indecisão, a precipitação. A falta de firmeza, explica a decepção, o fracasso, a fuga, o escândalo.
Homens da maior firmeza são aqueles que fecham a boca de leões, que extinguem a violência do fogo, que da fraqueza tiram força, que põem em fuga exércitos de estrangeiros. Homens da maior firmeza são aqueles que saem de sua terra e de sua parentela para uma terra desconhecida em obediência ao Senhor. Homens da maior firmeza são aqueles que dizem não à mulher de Potifar. Homens da maior firmeza são aqueles que preferem ser maltratados junto com o povo de Deus a usufruir prazeres transitórios do pecado, pois contemplam o galardão (Hb 11). Daí a exortação: “Sede firmes , inabaláveis e sempre abundantes não obra do Senhor” (1 Co 15.58).
Alguns irmãos daquela igreja estavam desanimados pois a um bom tempo, não havia conversões, segundo eles, devido dos escândalos.
O Pr. Ricardo Gondim (foto) da Assembléia Betesda de São Paulo, certa vez, escreveu que: as igrejas devem concentrar esforços em gerar homens e mulheres com o testemunho de vida contagiante e quanto mais humano e com integridade espiritual for o pastor, maior será a credibilidade da igreja por ele pastoreada.
As pessoas buscam líderes espirituais e não ditadores eclesiásticos. O apóstolo Pedro deixou um conselho permanente: “pastoreai o rebanho de Deus que há entre nós, não por constrangimento, mas espontaneamente como Deus quer, nem por sórdida ganância, mas de boa vontade, nem como dominadores dos que foram confiados, antes tornando-se modelos do rebanho” (1Pe 5.2-3).
Precisamos ter no ministério da Palavra, homens da firmeza de Martin Luther King, Lutero, Profetas Natã e Jeremias, Desmond Tutu, Dietrick Bonhoeffer Martin Niemoller, Karl Barth, Girolamo Savonarola, para a igreja não compactuar com os pecados do mundo, mesmo que isto venha custar nossa própria vida. Baruch Há Shem.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Histórias verdadeiras de mães que oram


Durante o Culto da Vitória realizado na Assembléia de Deus em Unamar – Cabo Frio – Ministério de Madureira no último dia 27 de maio de 2008, o pastor José Carlos Gomes, testemunhou sobre o poder da oração das mães pelos filhos.
Contava-nos ele, que sua mãe que mora em São Francisco de Itabapoana, região noroeste fluminense, estava em sua residência com seus afazeres domésticos, quando sentiu um aperto no coração e um forte desejo de orar pelos seus filhos, pedindo a proteção de Deus para suas vidas. Imediatamente, aquela mulher de oração, dobrou seus joelhos e começou a clamar a Deus com intensidade e lágrimas nos olhos, sem nem mesmo saber o por que.
Naquele exato momento, seu filho mais novo, morador do Rio de Janeiro, que após sair do trabalho em uma favela de Bonsucesso, entrou em um açougue para comprar a carne para o jantar, no momento em que acontecia um assalto, onde o bandido fortemente armado, passou por ele e já chegou atirando a queima roupa no açougueiro, seguido de morte.
O irmão do pastor José Carlos, saiu do açougue tremendo e pálido como cera, descrevendo aquela cena violenta, alegando que o criminoso não tinha lhe enxergado. Ao relatar o fato ocorrido para sua mãe, foi que descobriu o motivo do livramento, alguém muito importante estava orando por ele.
“E tudo o que pedirdes na oração, crendo a recebereis”. Mt 21:22.
Conta-se que Aurélio Augustinos nascido no Norte da África no ano 354 d.C na cidade de Tagaste, tinha uma mãe com oração muito fervorosa. Agostinho, como era conhecido, era filho de um casamento religiosamente misto. Seu pai era adepto de uma religião pagã romana, com seus deuses pagãos e templos que induziam as paixões carnais regadas à sexo livre. Por ser membro do parlamento da cidade, seu pai era muito importante na comunidade, que propiciou ao seu filho uma especialização na filosofia Greco romana, o que, naquela época era considerado o único caminho para a verdade, a felicidade e o sucesso.
O jovem Agostinho, profundamente influenciado pelo seu pai e sua herança, tornou-se um grande filósofo, orado e professor. Também se tornou sexualmente promíscuo, buscando constantemente o prazer carnal. Era o que poderíamos chamar hoje de um playboy rico e educado.
Já a sua mãe era o oposto de seu pai. Mônica era uma cristã atuante e dedicada. Sua paz e determinação atraiam seu filho, mas isso não era o suficiente para fazê-lo seguir a sua fé. As crenças e o comportamento de Agostinho a entristeciam. Ela orava muito pela salvação de seu filho, até o dia que Agostinho decidiu deixar a África do Norte com destino à Roma, capital do Império, buscando melhores oportunidades para a sua vida. Em Roma, havia os melhores filósofos e os melhores templos da luxúria. Lá, Agostinho poderia desenvolver seus pensamentos, exercitar seus dons e aproveitar os prazeres mundanos, o que, entristecia profundamente o coração de sua mãe Mônica, contudo, ela não deixava de orar pela conversão do seu filho amado.
Os sonhos de Agostinho e os pesadelos de Mônica tornaram-se realidade, ele passou a seguir uma corrente de pensamento não cristã e de filosofias antigas. Em decorrência disso, entregou-se ao pecado, engravidando uma mulher com quem vivia maritalmente sem se casar. Tornou-se um profissional de muito sucesso, mudando-se para Milão e ensinando filosofia e retórica à filhos de ricos e poderosos.
Agostinho revoltou-se contra Deus, mas o Todo-Poderoso não se revoltou contra Ele. Enquanto lecionava, chegou a conclusão de que as filosofias que ensinavam eram falsas. Estava preso a um estilo de vida imoral, embora desejasse encontrar liberdade e moralidade.
Numa tarde quente de Agosto no ano de 386 d.C, Deus mudou para sempre a vida do professor de 33 anos, onde ele descreve essa mudança em sua mudança autobiográfica “confissões”. O Senhor ouviu os pedidos de Mônica e viu suas lágrimas. Deus havia preparado homens e mulheres na Itália que seriam espelhos para que Agostinho mirasse seu rosto e reconhecesse seu pecado.
O resto da história é fascinante. No ano 387 d.C, Agostinho foi batizado por Ambrósio, o pastor de Milão que teve grande influência na fé e nos pensamentos de Agostinho. O professor de Tagaste, não só se tornou um cristão, mas também um grande professor e um pastor da Igreja e um dos mais influentes teólogos cristãos. Seus escritos influenciaram poderosamente teólogos tais como: Calvino e Martim Lutero. Seus pensamentos influenciaram as filosofias de Emanuel Kant e Blaise Pascal.
Tudo isto aconteceu, porque Deus resolveu atender as orações de uma mãe que estava sempre de joelhos na sua presença. Baruch Há Shem!

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Perderam a Visão

A 98 anos – em1911 portando-nascia em Belém do Pará, norte do Brasil, uma semente do Movimento Pentecostal e de permanência continua do Espírito Santo em uma denominação evangélica com dimensões continentais através do exercício da fé de homens e mulheres simples, porem com profundo e imenso amor pelas almas perdidas da nação brasileira. A historia pátria da fé pentecostal pode ser acompanhado mediante estudos das informações publicadas no jornal Boa Semente e Mensageiro da Paz, como veículos oficiais da crescente igreja dos chamados humildes. Tomem-se os livros biográficos dos lideres forjados debaixo de perseguições e com derramar de muitas lagrimas estarão presente quase todos acontecimento dessa igreja que alcançou multidões com a pregação de um evangelho Bíblico e simples , sem uma linguagem rebuscada e acadêmica. Momentos de grande significado espiritual, quando pastores e missionários alem de crentes professos arriscaram suas vidas na defesa do evangelho e na recém igreja fundada na direção do Espírito Santo, cumprindo a grande comissão do Senhor Jesus. Instantes em que a brasilidade da fé pentecostal se sobrepôs aos interesses econômicos e políticos romanistas. O ministério pastoral dessa novel igreja, que esta prestes a se completar seu 1° centenário, sempre foi composto por homens de fé, com personalidade e temperamentos diferenciados que se tornarem referencia para cidadania cristã. Verdadeiros exemplos de compostura, caráter, integridade e elevado trato com os assuntos eclesiásticos. Neste quase 100 anos, aconteceram exceções. Normais, entre pessoas chamadas e escolhidas para o serviço do Mestre. Afinal Pedro, negou Jesus, Tomé duvidou e Judas o traiu, mesmo assim Jesus nunca deixou de amá-los. Mas a submissão ao chamamento de Cristo para a maioria dos discípulos e a importância do ministério apostólico perante a historia da humanidade, sempre estiveram presentes. A Igreja, o Movimento Pentecostal como mover de Deus nas nações, mostrou continuamente consciente de sua importância para trazer um avivamento em terras brasileiras. O estilo de vida e pregação dos seus pastores, como pioneiros da fé pentecostal, era sóbrio e composto de humildade e dependência exclusiva do Sumo Pastor da Igreja, de acordo com a relevância do cargo ocupado na hierarquia eclesiástica. Tudo, no inicio da igreja fundada pelos suecos Daniel Berg e Gunnar Vingren, respiravam o bom ar da ética cristã. Havia erros, certamente demo geral, contudo de Norte a Sul do Brasil, os valores Bíblicos se preservavam e faziam alcançar todas as camadas da sociedade. Pertencer a esta igreja, qualificava a pessoa, como um cristão que buscava a santidade. Tornava-a diferenciada. A Igreja Assembléia de Deus era referencia no evangelismo e na busca do poder do Espírito Santo. Os comportamentos de alguns seguimentos da igreja evangélica brasileira na busca do Batismo com Espírito Santo levaram a surgimento de novas denominações, se pautando no exemplo assembleiano. Bons tempos aqueles. Porem, hoje, em alguns púlpitos, quase tudo mudou. As pregações outrora Bíblicas, se assemelham a debates políticos e o contar de anedotas populares, que em nada edificam o corpo de Cristo, e tão pouco convence o homem de seus pecados. Em alguns templos da denominação, acusações que ferem a moralidade eclesiástica são proferidas e levadas aos tribunais de justiça, como se a igreja fosse uma organização comercial. Tudo isto poderia passar, eventualmente despercebido em outros tempos, pelo grande rebanho que segundo dados denominacionais passam de 8 milhões.Mas os tempos são outros e com apenas um clicar na internet, a má informação torna-se instantânea, não havendo tempo para se alterar a verdade dos escândalos. Cada membro dessa gigantesca igreja – em todos os pontos do território nacional – recolhe os fatos e realiza sua própria analise. Já foi dito que a igreja precisa de reforma. Porem, também outro contesto, já foi dito que a igreja precisa é de Santos de Deus. Os jovens ministros, futuros lideres da igreja, que mau exemplo recebem nestas disputas eleitorais eclesiásticas, pensaram que a vida ministerial não contem nenhum substrato Bíblico. Tornando-se mero espaço para conquista do poder religioso. Alguns seguimentos da igreja, precisam recuperar sua visão e dignidade. Alguns lideres religiosos, precisam se conscientizar que são observados por Deus e pelo seu povo. Demonstrações de esperteza e arrogância não merecem respeito. O que merece respeito é a historia de vida, de homens como : Berg, Vingren, Canuto Lima, Pereira Vasconcelos entre outros, que ajudaram a plantar a semente do evangelho de Cristo no coração de milhares de brasileiros, transformando as Assembléias de Deus no maio movimento pentecostal do mundo, porem, tudo isso para a Gloria de Cristo. Isso sim, merece respeito. Baruch Há Shem !

domingo, 9 de agosto de 2009

O Céu mais interessante

Quando da passagem do pastor presbiteriano, Caio Fabio de Araujo, pai do não menos conhecido Caio Fabio, o pastor batista Manfred Grellert, ex diretor da Visão Mundial no Brasil, declarou que “O céu esta se tornando cada vez mais interessante”. Ao tomar conhecimento do passamento do pastor Divino Gonçalves dos Santos (foto), 88 anos, presidente da Assembléia de Deus em Taguatinga – DF, com suas 15 congregações no ultimo dia 16 de junho, concordei com o pastor Manfred, pois realmente, mais do que nunca o Céu esta se tornando cada vez mais interessante. Isso me fez retornar no tempo, quando congregava em Armação dos Búzios, servindo como pastor Auxiliar e responsável por missões na igreja da Rua das Pedras, onde o saudoso pastor Gentil Medeiros, me enviou para representar a igreja na Convenção Nacional durante os dias 06 a 13 de abril de 1997 em Taguatinga e fomos recebidos carinhosamente pelo herói da fé do Distrito Federal, tratamento este dispensado às centenas de pastores que participaram daquela Assembléia Geral Ordinária, que contou na época com a presença do então governador de Brasília, Cristovam Buarque e do ministro Iris Rezende. Lamentei não ter podido estar presente no funeral dele, na despedida de um homem, que representava a historia viva do Ministério de Madureira no estado de Goiás, como um verdadeiro desbravador do Planalto Central. Lembro-me que após 20 horas de viagem em uma van alugada pelo pastor João Chaves, presidente na época da Igreja em Cabo Frio, chegamos exaustos em Taguatinga as 6 horas da manhã, indo direto para o refeitório tomar um legitimo café pentecostal goiano. Enquanto colocávamos nossas bagagens no porão da catedral, o pastor divino estava buscando a Deus em oração, em uma prova incontestável de que o homem de Deus, caminha rumo a sua vitoria de joelhos. Os pastores mais jovens, tais como eu, não conseguiam entender, como aquele homem franzino de idade avançada,conseguia tamanha força e vitalidade para presidir aquela igreja gigantesca e a Convenção do Ministério de Madureira no Distrito Federal. Ao questioná-lo se estava casado, ele respondia que a força para continuar trabalhando, vinha do Senhor da Igreja, o Sumo Pastor Jesus. Se estivesse ainda conosco, certamente no próximo dia 15 de novembro, quando o ministério de Madureira vai completar 80 anos de fundação pelo Pr. Paulo Leivas Macalão, os milhares de pastores que vão glorificar a Deus na Catedral de Madureira, estariam de pé reverenciando aquele que foi o grande semeador das boas novas em Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Tocantins e finalmente em Brasília, porem tudo para a Gloria do nome de Jesus.
Baruch Há Shem !

sábado, 8 de agosto de 2009

O Tempo dos Leigos


Houve um tempo no Brasil, quando aqui chegava os missionários suecos, Daniel Berg e Gunnar Vingren a bordo do navio Inglês Clemente em 19 de novembro de 1910, para atender o desafio de Deus, trazendo o fogo pentecostal, que estava incendiando a Europa e os Estados Unidos para Belém do Pará, que a novel igreja a ser fundada em casa de Henrique de Albuquerque no Bairro Cidade Velha, contava apenas com um punhadinho de 19 crentes leigos, porem cheios do Espírito Santo, que haveriam de lançar a semente do maior Movimento Pentecostal do mundo, a Assembléia de Deus do Brasil. Naquela época, de fundação da Missão da Fé Apostólica, onde apenas Gunnar Vingren era pastor ordenado com formação teológica, o “leigo” era o nome genérico de quem não esta entendendo. Na sua origem, leigo era sinônimo de “laico”, o contrario de “clérigo”, um cristão que não pertencia a hierarquia da igreja. Com tempo a palavra passo a identificar quem está por fora de qualquer assunto, e não apenas os eclesiásticos. O leigo significava mal informado, ingênuo e simplista. A Bíblia precisava ser explicada com muita clareza ao leigo, e mesmo assim ele custava a compreendê-la, principalmente o Apocalipse. Naqueles tempos, eles próprios costumavam invocar sua condição e dizerem: “somos leigos na Bíblia”. Mas diante do milagre da cura de câncer de Celina de Albuquerque e do batismo com o Espírito Santo, o trabalho pentecostal em Belém do Pará, começou logo a tomar grande impulso, onde cada crente era um evangelista leigo e não pensava outra coisa senão ganhar almas para Cristo. Foi dessa maneira, em meio a perseguição movida pelo baixo clero romano e lideranças de igreja evangélicas tradicionais, que a novel igreja, se tornou uma explosão espiritual, a partir do evangelismo de casa em casa debaixo de chuvas torrenciais, a pé pelas ruas distantes sempre cantando e louvando, testemunhando que Jesus Salva, Cura, Batiza com Espírito Santo, e leva para o céu o pecador arrependido. O evangelho pregado pelos leigos na língua do povo simples, alcançava os corações sedentos da Palavra, convencendo-os da necessidade de arrependimento, ao contrario dos sermões intelectualizados com linguagem rebuscada . A liderança leiga que semeou o evangelho e o fogo pentecostal, desde Belém de Pará alcançando todo o continente brasileiro, prestou um grande serviço ao reino de Deus, e certamente receberão seus galardões, naquele grande dia. Como seu raciocínio é simples e de coração aberto recebe a mensagem de poder e libertação, o leigo muitas vezes faz as perguntas óbvias que nos, os clérigos os teólogos não fazemos para não parecermos simples. Há anos, por exemplo, não entra na cabeça do leigo pentecostal, porque o continuo crescimento de pastores profissionais, que fazem do púlpito meio de vida para se enriquecerem. Os leigos que construíram a grandeza desse movimento de massas, nunca entenderam o porquê dos pastores profissionais trocarem o púlpito sagrado pelo palanque político. Agora o leigo - na sua ingenuidade - não esta entendendo o porquê dos rachas e brigas entre lideranças denominacionais pelo poder eclesiástico, já que muitos dos príncipes da igreja, se dizem “servos” da igreja. O leigo que busca a Deus, que faz a obra de um evangelista, que dizima e contribui para missões , que ora pelos enfermos, visita os encarcerados e testemunha do amor de Cristo pelas almas perdidas, não conseguem entender, o porquê de algumas organizações se tornarem fabricas de pastores, que pastoreiam a si mesmo, onde todo o seu esforço é direcionado aos interesses pessoais. Onde não se dedica mais ao propósito principal no qual fora chamado. Onde não mais se importa com a simplicidade do ministério e sente a necessidade de se perceber confortável e seguro de si mesmo e por si mesmo, não importando prejuízos que isso possa causar a igreja. Onde a visão que possui passa a ser regida pelo humanismo da auto-ajuda e a pregação da teologia econômica da prosperidade em detrimento do arrependimento de pecados para a salvação de Vidas. Quando da fundação da Assembléia de Deus em 1911, onde os pioneiros da Fé pentecostal eram expulsos dos templos por pregarem com desprendimento e heroísmo, o batismo com o Espírito Santo, crendo no revestimento do poder de Deus para anunciar as Boas Novas, a liderança da igreja emergente, formada basicamente de leigos, eram chamados de neófitos da teologia reformada calvinista. Porem, a igreja avançava despovoando o inferno, tendo evangelistas leigos, como vasos de ouro nas mãos de Deus. A Igreja para voltar a crescer movida pela ação do Espírito Santo, precisa do levantar de milhares de evangelistas leigos ao contrario da ordenação de pastores profissionais, mesmo porque, esse ultimo tipo de sacerdote fabricado em algumas denominações neo e ultra pentecostais como executivos eclesiásticos que são facilmente percebidas, como explica o site: liderança.org:
• O pastor profissional é raso no ensino bíblico.
Este é um ponto extremamente nocivo à igreja com conseqüências desastrosas. O pastor profissional não possui a menor preocupação em se debruçar sobre livros, comentários ou literatura que possam auxiliar no preparo dos sermões. Não há estudo sério da Palavra, não há compromisso com a Verdade. Tais indivíduos acreditam que podem ir ao púlpito toda a semana e falar o que lhe vem na mente naquele momento, sem se preocuparem com o fortalecimento do rebanho contra o pecado. A tônica é sempre humanista e tolerante sem que haja a denúncia contra o erro ou contra o mundanismo. Isso porque o pastor profissional teme ser confrontado e por essa razão sempre quer estar de bem com todos, principalmente com os crentes influentes do meio.
• O pastor profissional não se envolve pessoalmente com as ovelhas.
Todos sabem que o pastoreio não se restringe aos principais cultos de domingo. Nenhum ministro de Deus se furta do envolvimento pessoal com o povo por meio do discipulado ou do aconselhamento. O pastor profissional não leva em conta este importante cuidado individual.
Não cultiva o hábito do pastoreio direto, do acompanhamento pessoal por intermédio das visitas em casa ou no trabalho em horário de folga, dos aconselhamentos, dos contatos por carta ou pela Internet (embora o relacionamento presencial seja insubstituível). Para ele tudo isso é perda de tempo. Por vezes a ovelha está necessitando de uma palavra orientadora, mas só consegue ser ouvido quando procura o psicanalista ou o líder de outra denominação mais próxima de si cuja teologia é, muitas vezes, questionável.
São casais que vivem sob forte crise, relacionamentos desgastados entre filhos e pais, desempregos que desesperam o coração, enfermidades que atemorizam. São pessoas que gritam em silêncio sem, contudo, obter eco do seu clamor. O pastor que possuem só pode vê-las aos domingos na porta da igreja ao final do culto e que se limita em dizer a mesma frase por anos a fio: “como vai? Que tenhas uma semana abençoada”. Nada mais que isso. Essas pobres ovelhas nunca serão encorajadas a seguir em frente, nunca serão visitadas, nunca serão aconselhadas, nunca receberão uma mão amiga e confiável. Ou seja, nunca experimentarão o que é ser pastoreada, pois não possuem líderes amigos. Esses tais são apenas meros profissionais.

• O pastor profissional só se preocupa consigo mesmo.
Personalismo parece ser a palavra de ordem em alguns centros evangélicos. São pessoas que passam a vida lutando por um espaço na mídia. O resultado é o desperdício de milhões de reais utilizados para pagar campanhas inócuas ou programas televisivos vazios que nada dizem além de discursos de auto-ajuda. Mas esse desejo não se restringe aos grandes eventos ou aos grandes espaços continentais. Há também aqueles que desejam fama em seu pequeno universo. Pode ser um Presbitério, uma pequena região ou até mesmo uma igreja local. O alvo é a bajulação que surge de uma pretensa espiritualidade ou de uma suposta inteligência respaldada por títulos e certificados alcançados.
Não importa a causa, o importante é o estrelismo. É por isso que muitos pastores profissionais se preocupam com o crescimento numérico de seu rebanho em detrimento da qualidade, embora haja também os que se conformaram com o número reduzido do rebanho. Nesses casos, geralmente, a fama e o prestígio possuem outra fonte que não é a igreja local. Outra preocupação desses pastores é a sua renda mensal, o seu ganho financeiro. Sempre defenderão cinicamente seus bolsos sem, portanto, merecerem o que pleiteiam ganhar. Buscam apenas os seus direitos em detrimento dos legítimos direitos das ovelhas extorquidas. A meta é ter um emprego-igreja bem remunerado que lhe conceda estabilidade financeira.
• O pastor profissional não é um homem de Deus.
Isso significa a ausência de uma dependência total do Senhor na vida por meio do temor, da Palavra e da oração. São pessoas que confiam em si mesmas e não se importam em buscar de Deus a direção certa. Não sentem falta nenhuma de expressar a submissão ao Espírito que o próprio Jesus demonstrou quando esteve aqui nessa terra. Não são homens de oração, não são homens da Palavra, não são homens piedosos. Nunca possuem uma vida devocional particular, nunca gemem por causa do pecado, nunca se importam com a vontade de Deus. Sempre agem friamente e com extrema impassibilidade diante de tudo que promove uma vida espiritual compromissada. Na maioria das vezes são irônicos ou cínicos no que dizem ou falam com respeito à piedade. Não obstante a capa de aparente mansidão, sempre agem despoticamente para que prevaleça a sua vontade. São vazios do poder de Deus, são como penhas que não podem alimentar ou fortalecer as ovelhas.
Quero encerrar dizendo que, para mim, ser pastor profissional nada tem a ver com tempo integral ou parcial no ministério. O ministro pode retirar o seu sustento de um trabalho que não esteja ligado à sua igreja. Todavia, tal trabalho não pode comprometer o tempo de qualidade pertencente ao rebanho quanto ao preparo do sermão e quanto ao envolvimento pessoal. Entre um e outro, o pastorado é prioridade. Se um dos dois deve ser descartado ou penalizado, que seja o trabalho secular.
Muitas igrejas padecem miséria espiritual porque estão debaixo de um pastor profissional que há muito deixou de ser um ministro de Deus. Vale ressaltar que essa mutação pecaminosa não acontece da noite para o dia, ela ocorre ao decorrer dos anos quando aquilo que causava espanto, preocupação ou interesse transforma-se em total irrelevância. O que era importante passa a ser desprezado totalmente.
Que Deus nos livre dos pastores profissionais que sufocam as igrejas até o seu extermínio. Que haja entre nós ministros sinceros e cônscios de que escolheram um excelente, sublime e perene trabalho conforme nos diz o Apóstolo Paulo.
Baruch Há Shem.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Após 40 anos – o sonho não morreu


No último dia 4 de abril em várias partes do mundo livre foi realizado um minuto de silêncio em memória na vida daquele que deu sua própria vida em favor da liberdade. Pastores se calaram nos púlpitos.
Políticos silenciaram-se nas tribunas das casas de leis, jornalistas escreveram sobre seu legado cristão para a Humanidade. Nesta data histórica, que se tornou feriado nacional na América do Norte em 1968, foi assassinado o pastor evangélico negro, Dr. Martim Luther King Jr. Prêmio Nobel da Paz, discípulo de Jesus, líder anti-segregacionista norte-americano, apóstolo da não-violência que deixou como exemplo para a humanidade a fé na compreensão e harmonia entre os homens de todas as raças, de todas as religiões e de todas as culturas.
Martim Luther King provou que vale a pena ter um sonho e trabalhou para torná-lo realidade. Quando criticado como extremista até mesmos pelos seus amigos pastores batistas, aos poucos ele encontrava satisfação neste rótulo e respondia com alegria: Não foi Jesus um extremista quanto ao amor? “Amai os vossos inimigos, abençoai aqueles que vos maldizem, fazei o bem aqueles que vos odeiam e orai pelos que acintosamente nos hostilizam e nos perseguem.” Não foi Amós um extremista da justiça? Deixai a justiça jorrar como a água e a retidão como um rio, fluindo constantemente. “Não foi Paulo um extremista do Evangelho de Cristo?” Trago em meu corpo as marcas de nosso Senhor Jesus Cristo. Não foi Martinho Lutero um extremista? “Aqui estou eu não posso fazer de outra maneira, por isso, Deus me ajude”. E John Bunyan? “Prefiro permanecer na prisão até o fim nos meus dias o garrotear minha consciência”. E Abraão Lincoln? Esta Nação não pode sobreviver meio escrava e meio livre. E Thomas Jefferson? Defendemos estas verdades que dispensam explicação: A de que todos os homens são iguais... “Portanto, não importa o fato de sermos extremistas, mas o tipo de extremista. Seremos extremistas do ódio ou do amor? Verdadeiramente, o pastor Martin Luther King foi um extremista da não-violência no amor de Jesus e seu sacrifício não foi em vão, porquanto mesmo depois de 40 anos, milhares de homens e milhares continuam tendo um sonho. Baruch Há Shem!

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Deus e o dinheiro


Na semana seguinte à Páscoa, recebi em minha residência um jovem obreiro que acabara de assumir uma congregação, enfrentando grandes dificuldades para levantar a auto-estima do povo e realizar um trabalho de evangelização visando trazer as pessoas para o Reino de Deus. A pequena Casa de Oração, tinha 16 anos de fundação e possuía arrolado como membros, apenas 15 ovelhas, ou seja, o trabalho não crescia. Era um crente por ano. Contudo, o novo obreiro que havia substituído o antigo pastor devido a problemas de saúde, estava decidido a fazer daquela congregação, uma igreja frutífera e dinâmica. Porém, havia um impedimento, com a falta de recursos financeiros, o novel pastor começou a realizar campanhas, o que trouxe um reforço de caixa e atraiu a atenção do seu pastor regional, que passou a exigir dele metade da receita arrecadada, sem porém prestar contas a membrezia de maneira transparente. O pastor regional, declarara em bom tom: “O povo não precisa saber quanto entra e quanto sai”. Você me deve fidelidade!
Aquela situação vivida por aquele obreiro, se repetia na vida de centenas de outros, que há muito suspeitava: Nem todos os que dizem “Senhor, Senhor” são dignos de confiança quanto a aquisição honesta do dinheiro trazido à Casa de Deus e a maneira sábia de empregá-lo no pagamento de despesas. O jovem pastor sabia que a reação imediata, seria a redução dramática das contribuições, gerando uma crise de integridade. Durante o meu seminário teológico, aprendi com o pastor Nemuel Kessler, que as armas principais que o inimigo da Igreja usa para destruir o ministério pastoral são: orgulho, dinheiro e sexo.
Tempos atrás, um pastor já idoso, recebeu um convite para assumir uma grande Igreja que estava em crise, com a condição de não receber nenhuma prebenda durante alguns anos, até a situação se regularizar. Entendendo ser um chamado de Deus, aquele ancião aceitou. Porém com o retorno do povo que havia abandonado a Igreja e por conseqüência o aumento dos dízimos e ofertas, o líder religioso adquirido fama, tornando-se orgulhoso e passando a ser a lei para si próprio e fazendo o que bem entendia. Afinal de contas, os bem-sucedidos servos de Deus, na posição de pastores regionais não têm o direito de viver acima da lei divina?
Esse filme já conhecemos. O ministério requer dinheiro, mas precisamos tomar cuidado para que o dinheiro não comece a requerer o ministério. Jesus nos alertou sobre as “riquezas da injustiça” (Lc 16:9) e “Sedução em riquezas” (Mt 13:22). Ele está nos dizendo que a riqueza é corruptora.
Não podemos servir à Deus e a Mamon (Lc 16:13).
O fato de um pastor presidir uma Igreja, não lhe dá o direito de faltar com a transparência no livro caixa. A Bíblia revela que os verdadeiros líderes espirituais do povo de Israel tiveram em cuidado em manter as mãos limpas em relação ao dinheiro, e não usaram sua posição ou autoridade para explorar o povo.
Abraão recusou os despojos de Sodoma: “Levantei a minha mão ao Senhor, o Deus Altíssimo, o criador dos Céus e da Terra, jurando que não tomarei coisa alguma de tudo o que é teu, nem um fio, nem uma correia de sapato, para que não digas: Eu enriqueci a Abrão” (Gn 14:22-23).
Já o profeta Samuel declarou: “Eis-me-aqui, testificai contra mim perante o Senhor, e perante o seu ungido: De quem tomei o boi? De quem tomei o jumento? Aquém defraudei? A quem oprimi? E das mãos de quem recebi suborno para encobrir com ele os meus olhos?” (I Sm 12:3).
O apóstolo dos gentios ao falar aos pastores de Éfeso declara: “De ninguém cobicei prata, nem ouro, nem vestes. Nós mesmos sabeis que estas mãos proveram o que me era necessário a mim, e aos que estão comigo. Tenho vos mostrado em tudo que, trabalhando assim, e necessário socorrer os enfermos, recordando as palavras do próprio Senhor Jesus, mais bem-aventurado coisa é dar do que receber”. (At 20:33-35).
Uma das maiores provas de honestidade e transparência do apóstolo Paulo, está na criação de uma comissão escolhida pelas igrejas gentias para com Tito; receber a oferta de amor e levá-la aos crentes judeus pobres da Judéia. Porque o próprio Paulo não levou a oferta sozinho? Porque envolver todos aqueles homens? A resposta está em 2Co 8:21: “Pois, zelamos o que é honesto, não só diante do Senhor, mas também diante dos homens”. Paulo na condição de apóstolo, poderia simplesmente dizer: “Deus sabe o que estou fazendo com o dinheiro e não preciso dar satisfação a mais ninguém”.
Uma das qualificações para o ministério pastoral é “não ser cobiçoso de torpe ganância” (Tt 1.7), caso contrário, o ministro se tornará um mercenário da fé. Que Deus nos livre dos pastores que servem a Mamon. Baruch Há Shem !

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Que tipo de pastores precisamos?


Estávamos participando de mais uma reunião do Conselho de Pastores de Rio das Ostras, quando o pastor da Igreja anfitriã, trouxe uma palavra sobre a falta de unidade no Corpo da Igreja de Cristo, a falta de comunhão entre os sacerdotes, o ciúme e a fogueira de vaidades que prevalece no meio evangélico. Aquele pastor não falou nenhuma mentira a respeito da caminhada e crescimento da Igreja evangélica brasileira, através de uma avaliação da realidade da igreja evangélica riostrense. Contudo, com o peito estufado e o nariz arrebitado traçou sua trajetória de vida ministerial vitoriosa com a construção de uma catedral e inúmeras congregações, como também sua falta de tempo para participar da comunhão com os outros pastores da cidade e pediu licença para se retirar para outro compromisso urgente, porém ao término da reunião, retornou ao templo para ciceronear os demais obreiros e apresentar-lhe sua imponente catedral.
Os pastores de pequenos rebanho, que mantinham seus cultos regulares em salões alugados, saíram daquele templo arrasados e desencorajados, e porque não dizer humilhados diante da soberba e orgulho pastoral externado por aquele “líder”.
No retorno para minha residência, lembrei-me da luta de João Wesley contra a frieza e zombaria dos pastores anglicanos, a começar do arcebispo de Cantuária na Inglaterra, que o proibiu de pregar na Diocese. Lembrei-me das palavras ditas ao sapateiro William Carey, querendo impedi-lo de fazer missões na Índia. Segundo o Pr.Warren W.Wiersbe no seu livro a Crise de Integridade, na Igreja existem basicamente três tipos diferentes de pastores. Geralmente, o primeiro tipo de pastor a aparecer é o otimista e conivente, que trata da situação de modo suave e superficial. Ocupa-se apenas das falhas aparentes e logo convence o rebanho de que o pecado não é tão grave assim, que a disciplina aplicada em um mês, vai restaurar a congregação. O profeta Jeremias, denunciou este tipo de pastor. “curam superficialmente a ferida do meu povo, dizendo: Paz, paz, quando não há paz”(Jr. 8.11). Grande parte do povo, admira esse tipo de pastor, pois ele está sempre com um sorriso nos labios, passando a mão na cabeça dos outros e escondendo o pecado do povo.
O segundo tipo de pastor é mais realista – admite haver problemas sérios e promete tomar providências para resolver a situação. Se lhe derem cobertura financeira ele vai contratar cantores famosos, pregadores avivalistas e iniciar campanhas de “libertação para encher o templo, além de mensagens de vitória com um evangelho triunfalista. O perigo é que os passageiros e a tripulação podem acreditar que o Titanic não poderá afundar.
O terceiro tipo de pastor é o de que realmente precisamos. Aquele que descarta o tratamento cosmético e superficial. Aquele que não teme perder amigos e nem fazer inimigos. Aquele que não se deixa intimidar pelo pecado e suas ameaças e nem, é comprado por subornos. Não negocia seu rebanho com políticos em troca de carro, emprego fantasma, tijolos, cimento, pois tem convicção de sua chamada ministerial, verdadeiramente é um homem de Deus e não está a venda. Não é hipócrita ao ponto de bater nos políticos no púlpito da Igreja e na calada da noite, visitar os gabinetes nos palácios para pedir benefícios pessoais.
A Igreja de hoje, necessita de pastores do tipo de Neemias. Ele foi um líder desse tipo, um homem que nos mostra como reconstruir em época de opróbrio.
Neemias foi uma pessoa deslocada, um judeu que vai no palácio de Artaxerxes I, rei da Pérsia. Como copeiro do rei, usufruía prestígio e abundância, autoridade e conforto. Não havia motivo para ele se preocupar com os seus compatriotas em Jerusalém, mas se preocupou. Tão preocupado ficou que procurou saber o que acontecia na Cidade Santa. Essa atitude me parece importante: ele queria enfrentar os fatos honestamente; não tinha medo da verdade.
Um dos problemas atuais é que muitos cristãos na realidade não querem enfrentar os fatos. Vivem num mundo devocional de sonhos, cegos para a verdade e com os ouvidos abertos somente para mensagens que lhes assegurem que tudo vai bem.
Nem tudo vai bem na igreja, não obstante nossas palestras e estatísticas. Precisamos de mais pessoas como Neemias, que se interessem o bastante para indagar, mesmo sabendo que as notícias não serão alvissareiras: “Os restantes, que não foram levados para o exílio e se acham lá na província, estão em grande miséria e desprezo, os muros de Jerusalém estão derribados, e as suas portas queimadas a fogo” (Nm 1:3).
Por que deveria Neemias, o braço-direito do rei, preocupar-se com a situação angustiosa de cinquenta mil judeus que viviam a uma distancia de mais de mil e seiscentos quilômetros? E se eles estivessem em angústia e opróbrio? Havia inúmeras razões ou desculpas para que Neemias não se envolvesse.
Para começar, o que podia um único homem, fazer numa situação difícil dessas? Além do mais, era sua a culpa de a cidade ter sido destruída um século e meio atrás? Não. Seus antepassados é que tinham pecado e provocado o julgamento de Deus sobre Jerusalém. Foram eles que rejeitaram as mensagens de Jeremias e outros profetas e persistiram na idolatria. Foram eles que pecaram, e não Neemias e sua geração. Como teria sido fácil Neemias escapar.
Vimos essa atitude “escapista” expressa por inúmeros cristãos quando da eclosão do escândalo da Igreja Renascer. Eles e deles eram as palavras mais usadas na ocasião, apesar de Jesus ter nos ensinado que devemos usar nós e nosso. Ao digo que todos nós deveríamos ser responsabilizados pelo que aconteceu; mas afirmo que não podemos negar a nossa unidade no corpo de Cristo e nossas responsabilidades mútuas. Não importa qual culpados outros possam ter sido, parece insensibilidade manter nos à parte e apontar o dedo.
Neemias preocupou-se o suficiente para indagar e também para se identificar com o seu povo. Assentou-se e chorou!
Will Rogers era conhecido por seu riso, mas também sabia chorar. Certa vez, deu um espetáculo num hospital especializado na reabilitação de vítimas da poliomielite, problemas de coluna e outras sérias deficiências físicas. Todos davam gostosas gargalhadas, até mesmo pacientes em péssima condição de saúde. Repentinamente, porém, Rogers deixou o palco e se dirigiu ao banheiro. Alguém o seguiu para lhe dar uma toalha e, ao abrir a porta, deparou com Will Rogers encostado na parede, soluçando como uma criança. Dentro de poucos minutos, porém, Rogers voltou ao palco, tão jovial quanto antes?
Para saber como alguém realmente é, basta fazer três perguntas: O que o faz rir? O que o torna zangado? O que o faz chorar? Esse teste de caráter é bastante apropriado para os líderes cristãos. Ouço dizer: “Precisamos de líderes irados!” ou “É hora do cristianismo militante!” Talvez, mas “a ira do homem não produz a justiça de Deus” (Tg 1:20).
O de que precisamos atualmente não é de ira mas de angústia, o tipo de angústia que Moisés sentiu quando quebrou as tábuas da lei e depois subiu ao monte para interceder pelo seu povo, ou a que Jesus sentiu quando purificou o templo e quando chorou pela cidade. A diferença entre ira e angústia é um coração partido. É fácil ficar irado considerar o pecado, inclusive o nosso, e chorar por ele.
Por que Neemias chorou? Não porque a cidade dos seus pais estava em ruínas, mas porque o Deus dos seus pais servia de opróbrio perante o inimigo. A preocupação de Neemias era pela glória do Senhor, não apenas pelo bem-estar do povo. Lamentou-se e chorou; jejuou e orou. A sua identificação com o estado trágico de Jerusalém foi tão intensa que a tristeza estampou-se em seu rosto, e o rei a percebeu.
Imagino quantos de nós nos assentamos e choramos quando sabemos que um líder cristãos pecou ou um ministério fracassou? Imagino quantos de nós nos lamentamos quando vemos a mídia exultar às custas da igreja? Quando alguém fracassa, muitos de nós em posição de liderança apressamo-nos a proteger nosso nome ministério e nos esquecemos de que é o nome de Deus que tem de ser glorificado. Em vez de nos identificarmos com a situação aflitiva, na maioria das vezes afastamo-nos dela.
Neemias identificou-se não somente com a vergonha e com o sofrimento, mas também como pecado dos seus antecessores. “Faço confissão pelos pecados... que temos cometido contra ti”, disse ao Senhor. “Temos procedido de todo corruptamente contra ti” (Nm 1.6-7). Note o pronome: nós e não eles. Embora certamente não aprovemos o que alguns líderes do PTL têm sido acusados de praticar, tampouco endossamos a atitude farisaica de muitos crentes, ao ouvirem as más notícias. Existe alguma igreja ou ministério paraeclesiástico sem mancha? Mesmo que os nossos ministérios sejam perfeitos para a glória de Deus, devemos nós endurecer o coração de tal modo que não possamos assentar-nos e chorar com os que choram?
Neemias preocupou-se a ponto de indagar, identificar-se e interceder. Depois de assentar-se e chorar, ajoelhou-se e orou. Geralmente pensamos em Neemias como um executivo exemplar, um homem de ação; mas ele era também um homem de oração. Seu livro traz pelo menos onze incidentes de orações. O líder que sabe orar conhecerá a vontade de Deus a seu respeito.
Neemias 1:5-11 é o registro de uma oração realmente importante, o tipo da oração de que podemos apropriar-se pois atinge as nossas necessidades básicas. Ela contém a intercessão com base no caráter de Deus (“Ah! Senhor, Deus dos céus, Deus grande temível!”) e na sua aliança de Deus, Neemias confessou os seus pecados e os do povo e clamou pelo perdão de Deus.
Se houver um escândalo evangélico novamente, imagino o que aconteceria se nós, os líderes da evangelização eletrônica, nos ajoelhássemos juntos em oração, não apenas pelo nosso ministério ameaçado, mas por todo o povo de Deus? Será que poderíamos convocar uma grande reunião de oração e convidar outros ministérios, pastores e igrejas a que se unissem conosco na confissão de pecados e na procura da face de Deus? É certo que muitos de nós temos orado em particular e ainda estamos orando; mas talvez o impacto tivesse sido maior se, em conjunto, tivéssemos orado e confessado os nossos pecados.
A oração de Neemias foi mais do que confissão. Foi também uma oração de consagração, pois ele se pôs à disposição do Senhor para o que fosse necessário. Nós realmente não estamos orando pela fé, a menos que estejamos dispostos a ser parte da resposta. “Ora, áquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos, ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós. Não era o caso de: “Eis-me-aqui – envia o meu irmão!” Era: “Eis-me-aqui, Senhor, envia-me a mim!”
Essa atitude de consagração leva-nos à etapa final da experiência de Neemias: ele preocupou-se a ponto de participar. Indagou e inquiriu, assentou-se e chorou, ajoelhou-se e orou, depois levantou-se e trabalhou. Era um homem de coração partido, um homem de oração de fé, um homem de mãos ocupadas; justamente o que é preciso para reconstruir num dia de opróbrio.
Esquecemo-nos ás vezes de que Neemias pagou um altíssimo preço pela sua participação. Trocou o luxo e a segurança do palácio pelas ruínas e perigos de Jerusalém. Sacrificou a honra e a tranqüilidade pelo ridículo e labor. Em cinqüenta e dois dias, removeu os escombros, reconstruiu os muros e restaurou as porta de Jerusalém, tarefas que o inimigo julgara impossíveis. Baruch Há Shem!

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Posições invertidas


Durante cerca de dois anos, estive vivendo no deserto denominacional, ocasião em que tive a oportunidade de exercer o ministério de pregador itinerante, porém, a Igreja de Atos somente cresceu porque sofreu perseguição. Da mesma forma alguns crentes somente conseguem crescer espiritualmente, quando estão no deserto.
Como tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus, esta situação serviu para conhecermos melhor a realidade da Igreja atual de púlpito em púlpito pelo Brasil afora, aonde chegamos a seguinte conclusão: estamos muito distantes tanto do protestantismo quanto do pentecostalismo verdadeiro, com graves desvios éticos, onde algumas igrejas se tornaram balcões de serviços religiosos, fast food da fé. A palavra arrependimento não faz mais parte do vocabulário de muitos pregadores.
A mensagem que ele cresça e eu diminuía, está sendo pregada ao contrário. As posições se inverteram, não existe mais o Senhor e o servo. O Evangelho não está sendo mais pregado em tábuas de carne, e sim com grandes letreiros em néon, com direito ao surgimento de “pseudos-apóstolos”. Os anjos do Senhor não estão mais acampados ao redor dos ungidos de Deus, agora são verdadeiros armários vestidos de preto armados até os dentes. Com isso, antes as pessoas podiam tocar nas vestes de Jesus, hoje, não conseguem nem mesmo chegar perto dos pastores pop star. Antes ovelhas geravam ovelhas, pastores geraram pastores. Hoje são produzidos autômatos sem direito á reflexão bíblica ou executivos religiosos. Quem não se enquadrar na Igreja do Sistema, está fora da competição eclesiástica. Antes se buscava a Graça de Deus, o favor imerecido. Hoje tem que se cair na graça dos homens para fazer parte do ministério abençoado. Quanto mais eu leio a Bíblia, mais me convenço o quão miserável pecador que sou e me pergunto: O que devo fazer para melhorar? O que deve mudar em mim como Igreja verdadeira de Cristo? Baruch Há Shem!

domingo, 2 de agosto de 2009

Falta de Ética: um problema permanente!


No início do ano, um pastor de nossa cidade, procurou o Conselho para buscar um professor de ética pastoral, visando preencher uma vaga no curso de formação de obreiros a ser implementado em sua Igreja. Após bater na porta de vários ministros de diversas denominações, ele resolveu pedir ajuda ao presidente da Comissão de Ética do Conselho de Pastores, por considerar a importância dessa disciplina na vida do obreiro na Casa de Deus, como também no dia-a-dia do cidadão comum.
Nas últimas décadas, os evangélicos brasileiros a despeito do crescimento da Igreja em solo pátrio, tem ficado estarrecidos com uma sucessão interminável de escândalos praticados pelos líderes que não possuem nenhuma ética, como também perderam o temor de Deus. Os casos de corrupção, principalmente evolvendo pastores-deputados sejam no Congresso Nacional ou Assembléias Legislativas tem recebido grande cobertura da mídia e causado forte impacto na opinião pública. Alguns políticos evangélicos têm dado prova de que são indivíduos destituídos de um caráter integro e valores morais sólidos. Em contra partida, alguns segmentos da Igreja Evangélica Brasileira, tem ficado para trás, com a falta de transparência no uso e a aplicação dos recursos trazidos para a obra de Deus, no nepotismo religioso com a consagração de obreiros sem nenhuma chamada pastoral, que possuem o único intuito de lesar a Igreja.
Muito se tem falado nos bastidores do clero evangélico sobre os escândalos, mas poucos têm indagado sobre as causas mais profundas desses problemas. Alguns dizem que a Igreja necessita de uma nova reforma do tipo preconizada por Lutero. Outros são os que asseguram a necessidade da implantação de uma ética calvinista de maneira bastante ortodoxa. Ou será esse um problema comum a todas as igrejas espalhadas pelo mundo afora? Quem estudar a História da Igreja percebe que o problema não é novo.
A situação vigente no Brasil lembra algumas afirmações dos profetas bíblicos ao descreveram as realidades do seu tempo. Isaías denunciou Jerusalém, dizendo: “Os teus príncipes são rebeldes e companheiros de ladrões; cada um deles ama o suborno e corre atrás de recompensas. Não defendem o direito do órfão e não chega perante eles a causa das viúvas” (Is 1.23). Oséias foi taxativo ao afirmar: “O que só prevalece é perjurar, mentir, matar, furtar e adulterar, e há arrombamentos e homicídios sobre homicídios” (Os 4.2). na qualidade porta-voz de Deus. Amós sentenciou: “Porque sei serem muitas vossas transgressões e graves os vossos pecados; afligis o justo, tomais suborno e rejeitais os necessitados na porta” (Am 5.12). Miquéias também foi implacável ao avaliar os seus contemporâneos: “Ai daqueles que no seu leito imaginam a iniqüidade e maquinam o mal! Á luz da alva o praticam, porque o poder está em suas mãos” (Mq 2.1); “As suas mãos estai sobre o mal e o fazem diligentemente; o príncipe exige condenação, o juiz aceita suborno, o grande fala dos maus desejos de sua alma, e assim todos eles juntamente urdem a trama” (Mq 7.3).
As palavras dos profetas mostram que a maldade, a desonestidade e a corrupção são problemas humanos, em todos os tempos, lugares e culturas. Quando se busca entender a origem dos comportamentos anti-sociais, surgem as mais diversas teorias. Os evolucionistas alegam que essas atitudes resultam das experiências do homem primitivo, que vivia num contexto de intensa competitividade. Somente os mais aptos, ou seja, os mais espertos, astutos e manipuladores tinham condições de sobreviver, e esse traço psicológico teria se perpetuado na espécie. Os humanistas insistem que o ser humano é fundamentalmente bom e que os comportamentos anti-éticos são circunstanciais, resultantes da ignorância e do despreparo, e não de alguma distorção essencial da natureza humana. Numa época em que falar em pecado é tabu, torna-se mais difícil considerar uma outra possibilidade: o diagnóstico bíblico sobre a condição humana. Jesus Cristo colocou o problema em termos claros e diretos ao firmar que as condutas violadoras da integridade própria e alheia procedem em última análise da maldade inata do coração humano (Mt 15.19). Baruch Há Shem!

sábado, 1 de agosto de 2009

Até quando Senhor?


O ano de 2009 já começou a se aproximar do fim e no entanto, estamos vivendo os velhos problemas dos anos anteriores: enchentes com chuvas de verão, tiroteios com balas perdidas tirando a vida de inocentes, acidentes de carros após as férias, o carnaval trazendo milhares de gravidez indesejáveis, o aumento da Aids nos adolescentes, imoralidades sexuais e milhares de mortes no vigor da juventude.
Mas não existe nada de novo no Reino deste mundo, é filho se levantando contra pai, guerras entre as nações, corrupção nos governos, desde o Brasil colonial até os cartões corporativos de Brasília e fica a pergunta milenar: Até quando Senhor?
Na minha infância cheia de sonhos e ignorância do pecado no mundo, eu achava que isso somente acontecia fora da Igreja. Que decepção e tristeza, quando vejo os tempos de confusão e de escândalos sexuais praticados pelos sacerdotes, a corrupção deslavada a falta de transparência no uso do tesouro da Casa do Senhor por pastores mercenários, o encobertamento de pecados das ovelhas gordas e ricas que se sentem donas da Igreja. Até quando pastores ditadores e despotas vão impedir de Jesus entrar em sua própria Igreja? Até quando pastores cheios de ódio e rancor vão perseguir ovelhas fracas expulsando-as do aprisco em direção aos lobos famintos? Até quando pastores vão tentar impedir o Espírito Santo de falar e edificar a Igreja do Cordeiro mandando os profetas calarem suas vozes? Até quando pastores vão negociar os votos do rebanho em troca de carros, tijolos, cimento, lajes, bancos acolchoados, emprego fantasma etc. sujando as vestes da noiva com a corrupção do mundo?
“Muitas vezes você já se perguntou, você já perguntou aos outros, você já perguntou a Deus: ‘Até quando?’ Você não está sozinho. Todos fazem a mesma pergunta. Principalmente em tempos de confusão mental, de mudanças, de escândalos, de corrupção desmedida, de guerras, de sofrimento, de angústia e de doença e morte. Ainda que tênue, essa é uma forma de desabafo. Essa pergunta nervosa aparece com freqüência na boca do salmista, na boca dos profetas, na boca dos mártires, até mesmo na boca de Jesus e também em sua boca. Na boca do salmista: ‘Javé, até quando me esquecerás? Para sempre? Até quando esconderás de mim a tua face? Até quando terei sofrimento dentro de mim e tristeza no coração, dia e noite? Até quando meu inimigo vai triunfar?’ (Sl 13.1-2, EP). Na boca de Jeremias: ‘Até quando o país ficará de luto, e estará seco tudo o que era verde nos campos?’ (Jr 12.4, EP). Na boca de Habacuque: ‘Ó Senhor Deus, até quando clamarei pedindo ajuda, e tu não me atenderás?’ (Hc 1.2, NTLH). Na boca dos mártires, aqueles que são torturados e imolados por causa da Palavra de Deus e por causa do testemunho que dela têm dado: ‘Senhor santo e verdadeiro, até quando tardarás em fazer justiça, vingando o nosso sangue contra os habitantes da terra?’ (Ap 6.10, CNBB). Na boca do próprio Jesus, por causa das pessoas interesseiras, hipócritas, incrédulas e instáveis que o rodeavam: ‘Ó geração incrédula, até quando estarei com vocês? Até quando terei que suportá-los?’ (Mc 9.19, NVI). Em sua boca: Até quando vou continuar desempregado? Até quando permanecerei solteira? Até quando vamos viver em atrito, eu e minha mulher? Até quando meu marido vai me trair? Até quando minha mulher fará cenas de ciúme em público? Até quando serei um alcoólatra? Até quando meu filho será um dependente de droga? Até quando vou morar neste barraco? Até quando vou continuar endividado? Até quando haverá injustiça, opressão, fome e guerra? Até quando meu marido estará em coma? Na ânsia de buscar uma resposta para sua dor, você chega a mencionar algum período de tempo, do menor aos maiores. Até quando? Só durante esta noite? Por alguns dias? Por alguns meses? Por alguns anos? Por muito tempo? Para sempre? Em quase todos os casos, não há resposta à pergunta. Você só a faz porque não sabe quanto tempo o problema durará. Em alguns casos, demora muito. Em outros, ‘o choro pode persistir uma noite, mas de manhã irrompe a alegria’ (Sl 30.5). Só Deus tem a resposta exata. Mas Ele não tem o hábito de responder a essa oração do modo como a fazemos. Ele nos deixa ‘em suspense’ quanto ao tempo, mas tenta convencer-nos de que as rédeas de tudo o que acontece continuam em suas mãos. Num ato de fé e de confiança na sabedoria, na soberania e no amor de Deus, isso deveria bastar para você. Certamente, por trás da freqüente pergunta ‘até quando?’, há uma queixa, às vezes contra a situação, outras, contra o próprio Deus. Dentro de certos limites, isso não constitui pecado, principalmente por causa da misericórdia divina.” Tenha Deus misericórdia de nós! Baruch Há Shem!