domingo, 18 de novembro de 2012

QUANDO SOMOS CHAMADOS PARA A OBRA DE DEUS (MARCOS 1:16-20)



V. 16 Andando junto ao mar da Galiléia, viu Simão e André, seu irmão. Eles estavam lançando as redes ao mar, pois eram pescadores. 

Toda salvação é antecedida pelo preconhecimento e predeterminação de Deus. Cristo vê Simão e André e os chama. "Deus não está a procura do objeto do seu amor. Ele o cria", como alguém já disse. Primeiro somos vistos. Vistos na nossa aflição, miséria, abandono, culpa. Esse é o olhar da misericórdia. Deus olha e se compadece. Sabe que sem a sua graça o homem jamais inclinará sem coração para o seu Criador. É um olhar eletivo. Como o da águia no seu vôo fixando os olhos na presa. Só que, aqui, é a fixação do olhar no objeto da sua compaixão e graça. Jesus olha para Simão e André para salvá-los. Assim aconteceu contigo e comigo. Nós o amamos porque Ele nos amou primeiro. Só vemos por termos sido vistos.

V. 17 Disse-lhes Jesus: Vinde a mim, e eu vos tornarei pescadores de homens.

Quando um homem é objeto do olhar eletivo de Deus, ouve o chamado irresistível do que ama. Cristo os chamava para a salvação e a missão. Deus chama o homem para amá-lo e servi-lo. Primeiro eles deveriam andar literalmente com Cristo. Esse "vinde a mim" significava andar com Cristo pelo solo da Palestina. Estar com Ele. Ouvir seus ensinamentos. Aprender a ver a vida com os olhos de Deus e a amar. Entrar na aventura de seguir um obstinado. Seguir a Cristo é ir após alguém fascinado por cumprir a vontade do Pai. Isso tem sérias implicações para a vida de todo discípulo. Envolve sofrimento, perseguição e morte.

Na presença de Cristo eles seriam tornados em algo. Passariam por profunda mudança. Desenvolveriam capacidades nunca antes imaginadas e exploradas. Tornar-se-iam aptos a resgatar vidas humanas da sua condição de escravidão ao pecado, ao medo e à morte. Pescadores de homens. Através de suas vidas homens seriam fisgados ao serem atraídos pelo evangelho da graça infinita.

V. 18 Então, imediatamente, eles largaram as redes e o seguiam.

 A mensagem chegou aos seus corações com senso de urgência. Não houve procrastinação. Entenderam que encontravam-se diante de um incalculável privilégio. Ser chamado pelo Filho de Deus para o cumprimento de missão gloriosa. Quantos erram nessas horas, decidindo não decidir, desperdiçando o melhor da vida, que poderia ser consagrado para Deus e sua obra.

Eles não sabiam plenamente o que estavam fazendo. Quantas lutas os aguardariam. Mas, quanta glória. Não podiam imaginar o que seus olhos veriam e a marca que deixariam na vida. Através do cumprimento do seu chamado, edificariam o reino de Cristo e mudariam o curso da história da humanidade, espalhando o evangelho, organizando igrejas, por cuja influência dos seus membros os valores da fé cristã forjariam culturas inteiras e delineariam a vida em sociedade.

Eles não largaram um ofício profano para se dedicarem a um trabalho santo. Era possível pescar para a glória de Deus. Podemos supor que muitos pescadores foram alcançados pelo mesmo evangelho, mas em vez de receberem o chamado para o ministério de tempo integral, receberam a vocação de pescarem para a glória de Deus. Glorificamos a Deus não quando nos tornamos missionários de tempo integral, mas quando somos fiéis à nossa vocação.

A metáfora é perfeita. Evangelizar é pescar. Requer paciência, habilidade, conhecimento das marés culturais, entre tantas outras virtudes mais. Lembro-me do reverendo Antonio Elias falar sobre pregadores que pregam de modo que poucas pessoas podem acompanhar seu raciocínio. Ele dizia: "Eles colocam muito chumbo no anzol, e a ísca vai para o fundo. Mas, há peixes que vivem na superfície d'água. Estes só serão fisgados por anzol quase boiando, com pouco chumbo".

Vs, 19-20 Passando um pouco mais adiante, Jesus viu os irmãos Tiago e João, filhos de Zebedeu, que estavam no barco consertando as redes, e logo os chamou. E eles passaram a segui-lo, deixando seu pai Zebedeu com os empregados no barco". 

Mais dois irmãos são objetos do mesmo amor. Era Cristo montando sua equipe. Homens que alterariam o curso da história. Finalmente, a partir dessa gente simples, nações do mundo inteiro teriam a oportunidade de conhecer um Deus diferente, doce, amoroso, perdoador. Cristo não vai para Atenas ou Roma. Tudo começa no obscuro mar da Galiléia. Esse tem sido o método de Deus.

Simão e André foram chamados enquanto lançavam as redes. Tiago e João, enquanto consertavam. Em não poucas ocasiões a igreja se vê na necessidade de fazer ambas as coisas. Anunciar o evangelho para os de fora, anunciar o evangelho para os de dentro. Evangelizar e reformar. Sem reformar, os peixes passam pelos buracos da rede para nunca mais voltar. Que desgraça uma geração inteira se perder por causa dos furos deixados pela igreja.

Mais uma vez percebemos o mesmo senso de urgência. Aceitam o chamado imediatamente. A vida passa rapidamente, e nós voamos, foi o que disse Moisés no salmo 90. O tempo é bem precioso, escasso e incerto. Ninguém sabe o quanto ainda tem disponível. Essa vida que passa tão rápido, não é um ensaio. O tempo que gastamos ensaiando para entrar na vida real é a vida real. Não podemos desperdiçar tamanho privilégio: ser chamado para servir ao Criador. Nunca mais a humanidade terá a oportunidade de servir a Deus nas condições atuais de vida. Glorificá-lo nas circunstâncias infernais deste mundo caído.

Mais uma advertência precisa ser feita. Da mesma forma que o evangelho não mesnopreza nenhuma atividade profissional legítima, não banaliza as relações familiares. Não há vestígio nas Escrituras de estímulo à negligência do cuidado de pai e mãe. Eles tinham que partir, mas não deixar de amar. Ao mesmo tempo, contudo, não podemos permitir que o nosso amor por aqueles que nos são tão caros, nos impeça de servir a Cristo. Se esse tiver que ser o seu caso, saiba que Deus cuidará de tudo o que lhe diz respeito enquanto você cuida de tudo o que diz respeito a Deus.

O que estamos esperando? Deixemos para trás tudo, servindo com alegria ao reino de Cristo, aceitando o convite para entrar nesta gloriosa aventura.


Antônio Carlos Costa é pastor da Igreja Presbiteriana da Barra e presidente do Rio de Paz.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Relevância, Pertinência e Coerência

A relevância de uma pessoa ou instituição é o resultado da validade ou pertinência dos seus valores em sua aplicação numa existência pontuada na coerência com que os pratica. Em outras palavras, visto da perspectiva do contraditório, se aquilo que alguém apregoa em termos de valores acaba sendo desmentido por seu modo de vida, então sua mensagem se torna impertinente, e sua vida, irrelevante.
E por que isso é importante? Porque vivemos numa época em que todas as instituições são questionadas e desvalorizadas. Isso não é um fenômeno novo, vem do Iluminismo, quando as instituições — principalmente a igreja e sua liderança — tiveram de deixar o pedestal de “intocáveis” e passaram a ser alvo de duras críticas. Nesse ponto, só uma coisa sempre importou para uma instituição manter-se viva e atuante: demonstrar sua coerência, pertinência e relevância históricas.
Falemos da igreja. Ora, a relevância da igreja ocorre quando ela se sobressai, se ressalta, quando é proeminente e de grande valor; quando o que vive e a mensagem que prega são convenientes aos interesses da própria vida como Deus a instituiu; quando importa à sociedade e se torna indispensável àqueles a quem serve.
A igreja é pertinente quando a mensagem que prega é importante e válida, não somente aos de fora, mas também aos seus membros, principalmente os líderes. Mas ela só tem coerência quando procede de modo próprio e suas ações são consequentes, ou seja, quando sua vida demonstra a coesão e a reciprocidade dos valores que apregoa.
É esse conjunto de valores que permite à igreja se habilitar como serva da sociedade, mesmo estando espiritualmente acima desta. Ao mesmo tempo, isso permite à sociedade funcionar como “juíza” e “cobradora” de coerência entre aquilo que é pregado e vivido pela igreja.
A igreja é o corpo místico de Cristo, mas é composta de gente de carne e osso, que ri e chora, que sua e geme. Desse modo, ela é identificada nas atitudes e ações de todos os que afirmam seguir a Jesus. Se o testemunho de um crente — principalmente do pastor — corresponde ao que Jesus ensinou, mesmo que nada seja dito ou louvado, ainda assim haverá ali um “luzeiro no firmamento” a indicar o caminho da excelente verdade divina.
Em contrapartida, se o testemunho desdiz a palavra pregada, não é sem razão que o julgamento da sociedade resulte em descrédito. É perfeitamente compreensível, portanto, que a sociedade exija do pastor o que não exige de nenhum outro profissional. Qualquer outro profissional pode obter sucesso público sem que se leve em conta a sua vida privada ou seu caráter. Mas com o pastor é completamente diferente.
Um ponto de suma importância é que o pastor tem de tratar da questão do pecado. Isso incomoda, pois mexe com interesses que subjazem na existência privada de muitos. O cristianismo é único nesse ponto. Não fora isso, a sociedade já estaria irremediavelmente arrasada e sem seguras referências morais e espirituais.
Outras religiões passam ao largo dessa delicada questão. Mas, ao dar “nomes aos bois”, chamando de pecado o que, mesmo socialmente aceitável, é condenado pela Bíblia, e depois disciplinando e buscando curar essas feridas morais e espirituais, o pastor acaba ficando exposto às mesmas cobranças que apregoa. Pois ele também é gente, mortal e falível, comete erros e peca. E quando isso ocorre, perde a graça e se torna proscrito. São essas mesmas razões que desafiam o ministério pastoral a buscar resgatar sua credibilidade.
        Causa-me pesar o fato de o ministério pastoral estar sofrendo, hoje, de tão grande descrédito na sociedade. Dói-me saber que alguns “pastores” — que na verdade não o são, por causa de suas práticas alheias ao verdadeiro evangelho, pelo seu comportamento mundanizado e por pregarem “um outro evangelho” — estão trazendo afrontas ao bom nome de Cristo. Isso, contudo, não inviabilizará o santo ministério.
Creio que Deus vai nos dar as ferramentas necessárias para reformar o que se deformou, para escoimar o que criou crostas, para polir e aperfeiçoar o que se tornou cheio de defeitos, de modo que possamos novamente demonstrar a mesma e necessária essência que resulte numa diferença visível entre os que vivem “de modo digno do evangelho de Cristo” e os que são meros aproveitadores (Fp 1.27).
        O cerne do evangelho não é o discurso, mas o exemplo, o que é vivido. Alguém disse que pior inimigo do cristianismo não é o Diabo, são os próprios cristãos “profissionais”, cujo testemunho não exala o bom cheiro de Cristo, só o odor azedo de um “outro evangelho”.
        Desse modo, é importante que a igreja e os pastores, assim como todos os crentes, mostrem coerência entre o que pregam e o que vivem, pois só assim a sua mensagem terá os frutos de ser pertinente aos anseios da sociedade e totalmente relevante para abençoá-la. Samuel Camara

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Deus não está mais aqui...


Do jeito que vão as coisas, em breve veremos placas honestas nas portas das igrejas: “Deus partiu sem previsão para voltar”. E começo a pensar em Nietsche, quando escreveu “Zaratustra”. O cenário da igreja é lúgubre, ambiente de corvos em árvores secas e vermes emergindo da terra, seguindo o costume da Europa Nórdica de construir cemitérios junto às igrejas. Como se estas tivessem as respostas finais sobre angústia da vida e da morte. As roupas litúrgicas negras vestem ministros seguidores da reta doutrina enquanto enterram fieis com orações solenes, liturgias e réquiens infindáveis para poderosos aristocratas. Crítica ácida do filósofo aos representantes das igrejas cristãs, e à religião dominante.
 
Nietsche pronuncia: “Deus (na igreja) está morto!”, (Gott ist tot). Deus permanece morto. E quem o matou fomos nós! Como haveremos de nos consolar, nós, os algozes dos algozes? O que o mundo possuiu de mais sagrado e poderoso até agora sucumbiu exangue aos golpes das nossas lâminas. Quem nos limpará desse sangue? Qual a água que nos lavará? Que solenidades de desagravo, que jogos sagrados haveremos de inventar? Refiro-me ao enterro de Deus nos cemitérios das igrejas cristãs que perderam a força transformadora do mundo e se acomodaram em suas doutrinas petrificadas. Nem Lutero escapou de sua crítica. 

O protestantismo histórico vem aceitando passivamente a insignificância do papel estatístico e funcional que lhe cabe para mostrar o que se compreende como “Igreja de Deus”. Os valores que circulam sobre o Deus ético da fé bíblica são fluidos e dispersivos. 
 
A tradição mais antiga da igreja cristã remonta a Abraão. A assembleia do povo ainda nômade já buscava o lugar de Deus no mundo (ba-makon). O acesso a Deus começa com um reconhecimento, por mais assombroso e incompreensível que pareça, de que Deus não está nem no passado, nem no presente e nem no futuro. A tenda do encontro, no entanto, é o mundo (Ex 33,21): “Eis que há um lugar em mim” (hine makon iti). Isto é, a tenda é o lugar genérico. “Deus está no mundo, embora não seja do mundo” (Nilton Bonder). Voltemos ao Gênesis (28,10). Jacó foge de seu irmão. Deslocando-se de Bersheba para Haran, cansado, no fim da tarde, ao por do sol, deita-se para repousar e é capturado pela importância do lugar (va-ifga ba-makon). Esse é o lugar (ba makon há-há). 
 
Pois bem, o sonho da igreja de Deus começa aqui. Jacó sonha e vê uma escada onde sobem e descem anjos. Ele acorda empolgado: “Certamente há Deus neste lugar e eu não o penetrava” (André Chouraqui, diz que o uso do verbo yaddah também tem o sentido de “saber”, além do comum “penetrar”). Um ambiente extraordinário, sabores e sensações fantásticas, memórias da natureza que não podem ser sentidas pela percepção bruta, emocional ou carismática. 
 
Quando se percebe que para produzir algo relevante para a coletividade precisamos obter autorização de quem não produz nada, que o dinheiro da igreja deve fluir em diaconias e isso não acontece, que atos de compaixão e misericórdia nos tornam apóstatas de uma fé abstrata ou extremamente materialista, que muitos ficam ricos pelo suborno e influência das consciências de fieis, que se abandona a evangelização e discipulado bíblico em favor de espetáculos divertidos para o povo hipnotizado pela ganância, que as leis do país protegem igrejas materialistas já protegidas pelo corporativismo religioso (quando é que teremos uma CPI para evangélicos corruptos?), que o roubo no altar é aprovado e recompensado com o voto político e que a honestidade se converte em sacrifício da ética, então podemos afirmar, sem temor de errar, que esta igreja está condenada a ser abandonada permanente por Deus. Sem data para voltar.
 
Pensando como G. Brakemaier, “quando os interesses eclesiásticos começam a misturar-se com a mesquinhez e o egoísmo narcisista da coletividade, para legitimar privilégios religiosos a um determinado grupo, quando se transmuda a igreja em curral midiático, temos, de novo, o reino das trevas impondo-se ao Reino de Deus”. Exatamente como Lutero e os reformadores protestantes denunciaram.  Isso implica no que falta às comunidades cristãs, que é o aprendizado da fé no evangelho pregado por Jesus. Amor, tradução de compaixão, de ternura para com o sofredor; de misericórdia, na identificação e vivência com o oprimido e suas lutas, de solidariedade na busca e exigência de justiça para todos. E Jesus diz para essa igreja autêntica: “Estou convosco!”.
 

Ultimamente, a igreja gananciosa, soft, divertida, carismática, pretende ocupar o lugar da igreja que se retirou de onde deveria estar (cf. o sonho de Jacó, acima). É símbolo da desordem na linguagem e também do desinteresse quanto à Bíblia e seus conteúdos (Comunhão: Preferências evangélicas, set.2012), símbolo do desespero da própria igreja dos nossos dias, que quer visibilidade imagética enquanto se entrega a projetos egoístas e individualistas, símbolo de privilegiados que desejam subir sozinhos a “escada de Jacó” deixando para trás o povo que procura Deus para curar suas feridas. Enquanto se afastam da vida vivida, se veem enredados em escândalos infindáveis de corrupção e não enxergam nada de trágico em tudo que expressa a igreja dos nossos dias. Mas o pior ainda está por vir... Derval Dasilio

POLÍTICA É ARMA DE SATANÁS


Editora diz que política é estratégia para dividir a Igreja
     Após o final da campanha eleitoral, Jennifer LeClaire, editora de notícias da Charisma, maior revista evangélica pentecostal dos EUA, levantou a questão de como a política dividiu a igreja. Enquanto uma parcela dos evangélicos fez campanha e votou em Obama, alegando que ele era cristão e seu opositor era mórmon; outra parte das igrejas apoiou Romney, que de fato é mórmon, e acusava Obama de ser muçulmano.
     Alguns dos fatores mais polêmicos da campanha americana também geraram debates acalorados aqui no Brasil e em outros países que tiveram eleições recentemente: aborto e casamento gay.
     LeClaire usa um argumento facilmente compreensível: “até que ponto as questões políticas são uma estratégia de Satanás para dividir a igreja?”. Ela lembra que membros se indispõem com pastores quando estes pregam contra ‘seus’ candidatos. Outros cobram os pastores por se omitirem e não falar sobre questões polícias, pois sabem o quando essas decisões podem afetar a história de uma nação.
     Para muitos líderes, e LeClaire ressalta isso, “dividir a igreja é claramente um dos objetivos do inimigo”. Embora muitos possam argumentar que a igreja já está dividida, vide o crescente número de denominações e ministérios que são iniciados a cada ano, trata-se de algo mais profundo.
     O que acaba sendo colocado em cheque é a capacidade de o corpo de Cristo ouvir a voz do Senhor. E mais, a linha entre o “certo” e o “errado” se afina e confunde os cristãos.
     Quando um pastor ou líder afirma que votar nesse ou naquele candidato é vontade Deus e, ao mesmo tempo, outro pastor ou líder diz que Deus deseja que outro candidato vença, tem-se um grande dilema ético. Ou o Senhor tem duas palavras ou um dos líderes está usando o nome de Deus em vão. Há quem diga que os dois estão e que Deus não apóia ninguém na política, nem no futebol, que fique claro!
     Após a derrota a amargura toma conta de alguns e as críticas são ainda mais incisivas, associando ao que apoiaram o vencedor com servos de Satanás e inimigos de Deus.
     O fato é que existe uma lista de versículos bíblicos que poderiam ser citados, começando por
     Marcos 3:24: 25 “Se um reino estiver dividido contra si mesmo, tal reino não pode subsistir; se uma casa estiver dividida contra si mesma, tal casa não poderá subsistir”. O alerta feito por Jesus continua válido. Tudo aquilo que traz divisão para os irmãos que vivem na mesma casa, deveria ser evitado.
     A editora da Charisma desabafa: “Foi durante as campanhas eleitorais que vi os cristãos ofenderem uns aos outros usando os piores adjetivos possíveis… Eu estou tão triste. Este não é o espírito de Cristo. O inimigo encontrou uma porta aberta na igreja e, com sucesso, plantou sementes da discórdia que estão gerando uma grande safra de ódio. Ele enviou mísseis de calúnias que alguns não conseguirão perdoar ou esquecer tão cedo. Eu diria que é fogo amigo, mas não é algo amigável… cristãos não devem brigar com outros cristãos sobre diferenças políticas nem qualquer outra coisa assim”.
     Ela também exorta as igrejas para que se esforcem para manter a unidade do Espírito, no vínculo da paz (Ef 4:3) e que não deveria haver divisões no povo de Deus, pois todos deveriam ter a mesma disposição mental e o mesmo parecer (1 Co 1:10).
     Agora que o período eleitoral acabou, nos EUA e no Brasil, talvez seja um bom momento para que as igrejas façam uma avaliação. O argumento de LeClarie surge em meio a muitas acusações pós-campanha. Alguns pastores renomados e com ministérios influentes apoiaram candidatos que não venceram e isso lhes gerou muitas críticas e, claro, tentativas de desabonar seus ministérios por causa disso. Dois bons exemplos disso seriam Silas Malafaia e Billy Graham. Embora eles tenham embasado suas decisões em convicções pessoais, só o tempo dirá se e como as urnas os afetarão.
     Por fim, é bom lembrar de duas passagens bíblicas que mostram que Deus não deixa de ter o controle, mas muitas vezes apenas respeita as escolhas do povo e deixa que eles arquem com as conseqüências. A primeira é Romanos 13:1 “não há autoridade que não venha de Deus; as autoridades que existem foram por ele estabelecidas”. A outra é 1 Samuel 8:18 “Naquele dia, vocês [re]clamarão por causa do rei que vocês mesmos escolheram, e o Senhor não os ouvirá”.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Precisamos de um milagre

Não culparia o sistema político pela divisão da igreja, ou melhor, das denominações evangélicas brasileiras. 
Se formos sinceros, a culpa é daqueles que se dizem líderes, "pastores" de SEUS PRÓPRIOS REBANHOS, os quais vivem sob acirrada disputa pelas almas.

Ouço frequentemente uma conclamação feita nos mais variados recônditos do universo evangélico: Vamos ganhar o Brasil para Cristo!!! Bem, lamento informar, mas nós nunca vamos ganhar o Brasil para Cristo. E antes que você, espantadíssimo com minha falta de fé, me acuse de derrotismo ou mesmo de estar a serviço do mal, deixe-me explicar.

Como não acredito na doutrina da confissão positiva (o hábito antibíblico de “decretar a vitória”, “profetizar a bênção” e “tomar posse pela fé” que, se você não sabe, foi incorporado ao cristianismo a partir de práticas de religiões pagãs da Nova Era – mas essa é outra conversa) nao vejo dolo em fazer essa afirmação, que é fruto de uma observação bíblica, histórica e contextual. E justifico minha posição, apresentando aqui as razões pelas quais não creio que o Brasil será ganho para Cristo:

1. Aspectos biblicos:
A Bíblia nunca promete que nações inteiras se converteriam ao Senhor em nossos dias. Ela fala: “E este evangelho do Reino será pregado em todo o mundo como testemunho a todas as nações, e então virá o fim” (Mt 24.14) mas em momento algum promete que isso resultaria em conversões em nível nacional. Anunciar o Evangelho é uma coisa. Ele resultar em conversões é algo bem diferente. Pelo contrário, a Palavra de Deus é clara ao afirmar que a minoria herdaria o Reino dos Céus:
“Entrem pela porta estreita, pois larga é a porta e amplo o caminho que leva à perdição, e são muitos os que entram por ela. Como é estreita a porta, e apertado o caminho que leva à vida! São poucos os que a encontram” (Mt 7.13,14). 

“Alguém lhe perguntou: ‘Senhor, serão poucos os salvos?’. Ele lhes disse: ‘Esforcem-se para entrar pela porta estreita, porque eu lhes digo que muitos tentarão entrar e não conseguirão. Quando o dono da casa se levantar e fechar a porta, vocês ficarão do lado de fora, batendo e pedindo: ‘Senhor, abre-nos a porta’. ‘Ele, porém, responderá: ‘Não os conheço, nem sei de onde são vocês’. “Então vocês dirão: ‘Comemos e bebemos contigo, e ensinaste em nossas ruas’. “Mas ele responderá: ‘Não os conheço, nem sei de onde são vocês. Afastem-se de mim, todos vocês, que praticam o mal!’.”. (Lucas 13.23-27).

“Não tenham medo, pequeno rebanho, pois foi do agrado do Pai dar-lhes o Reino” (Lucas 12.32).
“Pois muitos são chamados, mas poucos são escolhidos” (Mt 22.14).
Ou seja: não há na Bíblia nenhuma promessa ou sugestão de que haverá multidões de salvos entrando em nível nacional pelos portões do Céu. Não: a salvação é para poucos. Repare que na parábola do semeador (Mt 13) a maioria das sementes não frutifica, apenas uma pequena parte delas germina e dá frutos.
Gostaria eu que fosse diferente. E temos sempre que fazer de tudo e empreender todos os nossos esforços para que o máximo de pessoas receba a mensagem da Salvação. Temos que pregar o Evangelho a toda criatura. Mas no que tange à Biblia não posso afirmar o que ela não afirma só porque me faria sentir melhor. A verdade é o que é.

2. Aspectos históricos.
Fala-se muito de avivamento, de pátrias que foram sacudidas pelo poder do Espírito e que se transformaram em nações cristãs de fato, com milhares de conversões e manifestações inefáveis do poder de Deus. Isso é verdade. Moveres sobrenaturais de Deus levaram alguns países, em períodos determinados da História, a buscar coletivamente uma aproximação maior de Cristo e uma vida de santidade. Foi assim no Primeiro e no Segundo Grande Despertamentos dos séculos 18 e 19, por exemplo. Mas minha pergunta é: como estão essas nações hoje?

A verdade nua e crua? Espiritualmente falidas.

Os Estados Unidos, avivados pela pregação de bastiões como Jonathan Edwards e George Whitefield, são hoje um país cristão não-praticante, pérfido, devasso e sem nenhum tônus espiritual, que fez o que fez no Oriente Médio sob a direção de um presidente supostamente evangélico. Um país onde a Igreja tem aceito a ordenação de bispos cuja orientação sexual em outras épocas jamais seria aceita e que inventou a Teologia da Prosperidade. Um país espiritualmente e moralmente em bancarrota, que exporta para o mundo filmes, programas de TV e músicas abomináveis pela moral bíblica.

Já a Inglaterra, país que na época de John Wesley se viu renovado espiritualmente, hoje mal se lembra que há um Cristo. No restante da Europa, encontramos países como Espanha e Portugal, com menos de 1% de cristãos reformados. Nos berços da Reforma Protestante, Alemanha e Suíça, a Igreja evangélica tornou-se uma entidade fantasma, com igrejas vazias e nenhuma influência sobre a vida da sociedade.

E isso falando de nações que estão debaixo de nossos olhos. Se voltarmos alguns séculos no passado encontraremos os países do Oriente Médio com quase toda a população cristã. Você talvez não saiba disso, mas até o século VI d.C. regiões que hoje compõem países como Turquia, Irã, Iraque, Marrocos e Arábia Saudita, atualmente considerados não-alcançados pelo Evangelho, tinham suas populações quase que totalmente cristãs. Até que veio o islamismo e tomou esses países, transformando-os em nações muçulmanas.

O resumo da ópera é que para se “ganhar uma nação para Cristo” é preciso um milagre. Não só um milagre de conquista, mas um milagre de preservação. Ou seja: reconquista diária. E milagres são a exceção, não a regra.

3. Aspectos contextuais (atuais)
Este é o ponto principal desta reflexão. Para que se pregue o Evangelho a uma pessoa pecadora, mais do que proclamar a Verdade é preciso viver a Verdade. Se eu sou um homem notoriamente devasso, mentiroso, pérfido e sem caráter, de nada adiantará eu chegar para alguém e pregar o Evangelho. Pois ele dirá “ser cristão é isso aí? Tou fora, fala sério!”. E essa mesma realidade se aplica a uma nação. Para que a Igreja de Jesus evangelize uma nação e a “ganhe para Cristo”, ela tem que dar o exemplo. Isso é imperativo. Mais do que pregar a Verdade, tem que viver a Verdade. E é com muita dor no coração que constato que nós não temos feito isso. Não temos sido exemplo. Compartilho alguns sintomas que me mostram que a Igreja brasileira não está capacitada para ganhar a nação para Cristo:

● A maior parte da Igreja visível no Brasil de hoje é espiritualmemte flácida e complacente com o pecado: o comportamento visível dos cristãos diante da sociedade não tem sido muito diferente do comportamento dos não-cristãos. Em geral, somos agressivos, arrogantes, vingativos, mentirosos e egocêntricos. Fraudamos impostos, passamos cheques sem fundos, não honramos nossa palavra. Nossos seminaristas colam nas provas. Não cedemos lugar no ônibus para o idoso, fingimos que não vemos o mendigo, jamais emprestamos o ombro a um órfão sequer e muito menos a uma viúva. Articulamos dentro das igrejas para conseguir ocupar cargos de destaque. Usamos a sexualidade de modo tão mundano como qualquer personagem da novela das oito. Nossas conversas são torpes, falamos mal dos outros pelas costas, jogamos irmãos contra irmãos, contamos anedotas pesadas e fazemos piada com a manifestação dos dons do Espírito Santo. E por aí vai. Uma Igreja assim não tem a menor moral de pregar o arrependimento de pecados para o mundo: primeiro ela própria tem de se arrepender.

● O modelo de igreja predominante no Brasil não forma cristãos sólidos. Como afirmou este ano em uma de suas palestras na Conferência da Sepal o Bispo Primaz da Igreja Cristã Nova Vida, Walter McAlister, o modelo de igreja-show não forma discípulos de Cristo. Enquanto formos aos cultos apenas para assistir a algo que se passa num palco e não para participar; enquanto não nos submetermos a um discipulado radical; enquanto não resgatarmos o papel de família de fé das nossas igrejas, nunca conseguiremos formar cristãos minimamente capazes de viver e compartilhar com eficiência sua fé com uma pessoa, que dirá com uma nação.

● O evangélico brasileiro não gosta de ler. Lidos sob o poder e a iluminação de Deus, livros são o alicerce da transformação. Mas nossos jovens preferem videogames, televisão, internet e no máximo inutilidades como a série “Crepúsculo” do que livros essenciais para a formação de um caráter cristão. E sem uma mente bem formada nos tornamos incapazes de pensar uma nação. Quanto mais transformá-la. O poder de Deus age, mas age por intermédio de seres humanos – que precisam ter bagagem intelectual para explicar e transmitir. E ainda lemos muito menos do que deveríamos. E a qualidade do que lemos, em geral, deixa muito a desejar.

● Somos analfabetos bíblicos. Uma pesquisa recente feita entre os líderes de jovens de certa denominação mostrou que menos de 30% deles tinham lido a Bíblia toda. Repare: estamos falando de líderes! Aqueles que deveriam ensinar os outros! Se não lemos, não conhecemos, e se não conhecemos… o que vamos pregar? Nossa teologia é formada a partir daquilo que ouvimos em corinhos, assistimos em péssimos programas evangélicos de TV, lemos em frasezinhas soltas no twitter e em adesivos de automóveis. Mas são poucos os que realmente se dedicam ao estudo sistemático e aprofundado das Escrituras. Então vamos ganhar o Brasil pra Cristo, mas… que Cristo? Se não conhecemos o Cristo segundo as Escrituras o apresentam, que Cristo é esse que estamos pregando? Se não entendemos a Palavra por não conhecê-la, que Palavra é essa que estamos pregando? Sem conhecer a Bíblia não temos absolutamente nada a oferecer em termos espirituais à nação.

● Grande parte da Igreja evangélica brasileira é egocêntrica. Ora por si e pelos seus. Pede bens materiais, emprego, carro e casa própria em suas orações. Quer a cura de suas enfermidades. Mas não se dedica muito a interceder pelo próximo, orar pelo arrependimento dos pecados e buscar sanar os males da sociedade. Não ora pelos pobres. Não estende a mão ao faminto. Não olha para o próximo. Não se devota. Não considera o outro superior a si em honra. E ganhar uma nação para Cristo exige olhar, antes de tudo e antes de si mesmo… para a nação.

● A Igreja está hedonista. Quer prazer. Quer alegria. Quer ser feliz da vida. Quer emoção. Que louvores vazios mas emocionantes. Quer cantores carismáticos, mesmo que pouco espirituais. Quer shows e não momentos de intimidade com Deus. Quer se sentir bem. Quer cultos que atendam às suas necessidades. Quer pregações que a faça sorrir. Quer enriquecer e ter uma vida abastada. Só que antes de ganhar uma nação para Cristo temos que chorar muito, nos humilhar, esquecer o que nos faz bem e buscar o que faz bem à nação. E orar. Orar! A Igreja hoje celebra muito, canta muito… mas ora de forma mirrada, esquelética. Só que pouca oração e muita celebração não farão nação alguma se converter. Se ganharmos o país para esse modelo de cristianismo o que faremos é transformar o Brasil numa grande rave gospel, com festa atrás de festa, celebração após celebração e pouca ou quase nenhuma vida íntima com Cristo.

● Grande parte da Igreja tem pregado um evangelho mentiroso. O que se tem divulgado é um Jesus fictício, complacente, eternamente alegre e exultante, que nos garante “plenitude de alegria, todo dia”. Mas o Cristo de verdade quer que tomemos nossa cruz para segui-lo. Que morramos para nós mesmos. Que deixemos pai e mãe para ir após Ele. Mas a nação não quer fazer nada disso. E para ganhar a nação para Cristo ela tem que saber que terá de abrir mão de muita coisa, de esvaziar-se de suas vontades e desejos e seguir um caminho de renúncia e muitas vezes de sofrimento. Ganhar a nação para Cristo significa propor a ela: tome sua Cruz e siga-me. Arrependa-se de seus pecados, abra mão de seu eu e mude de vida. Honestamente: é isso que temos pregado?

● A Igreja está dividida. A Palavra nos diz que “Se um reino estiver dividido contra si mesmo, não poderá subsistir” (Mc 3.24). Mas deixamos nossas paixões denominacionais suplantarem a unidade. Nós, pentecostais, fazemos piada com os tradicionais. Os tradicionais ridicularizam os pentecostais. Todos menosprezamos os neopentecostais. Nos tornamos “anti” qualquer coisa que não sejamos nós mesmos. Nas tentativas de unir a Igreja perde-se tempo com discussões inócuas e vaidosas. Esquartejamos o Corpo de Cristo. E ainda assim queremos acrescentar uma nação inteira a esse Corpo? Como? Se não depusermos as hostilidades e buscarmos a unidade – verdadeira e sincera – uma nação ganha para Cristo sob esses moldes de igreja desunida seria um grande frankenstein.

● Nossas motivações são equivocadas. Queremos ganhar o Brasil pra Cristo não por amor às almas perdidas, mas sim para garantir nosso galardão no céu ou para finalmente fazermos parte do clube que representa a maioria e não a minoria. Queremos é estar por cima. Falta-nos, mais do que amor pelo Brasil, amor por cada brasileiro.

● Estamos tentando avançar na sociedade utilizando cargos políticos e legislações. Queremos ganhar o Brasil não para Cristo, mas para projetos de poder mascarados de cristianismo. E isso elegendo políticos supostamente comprometido com o Evangelho, fazendo marchas e protestos, usando de politicagens e chantagens políticas e organizando lobby no Planalto. E nada disso são armas espirituais. Nada disso nunca vai, de modo algum, glorificar o Senhor. Apenas cumprirá uma agenda política e nada mais.

Haveria muitos outros problemas que poderíamos desenvolver aqui, mas não quero me alongar mais. Não quero parecer um profeta do apocalipse, pintando um cenário pessimista. Minha intenção não é essa. Mas me atreveria a perguntar: será que os problemas que apontei acima são fruto da minha imaginação ou você consegue enxergá-los ao seu redor? Alguns poderiam dizer que o que escrevi não é nada edificante, mas… Há algo mais edificante que reconhecer nossos pecados para que possamos refletir sobre eles, arrepender-nos e consertar os erros? Não é isso que significa edificar? Construir? E, se preciso for, reconstruir? Parar de varrer a sujeira para baixo do tapete e acertar as coisas?

Há focos de resistência. Pequenos grupos que buscam viver uma espiritualidade real, profunda, desinteressada. Mas são grupos desconhecidos, pequenas igrejas escondidas, pastores que pregam para poucos e que proclamam o Evangelho como ele é, sem o desejo de agradar mais ao homem que a Deus. Cristãos que se abraçam e se amam de modo entregue e que se devotam à causa de Cristo e ao próximo. Esses são o remanescente fiel. São o último alento. Mas estão longe das câmeras de TV, das grandes gravadoras, dos eventos faraônicos, reunidos em silêncio, buscando a face de Deus sem fazer balbúrdia, sob as sombras do bem-aventurado anonimato. Eles são a semente da minha esperança.

Acredite: eu gostaria de que o Brasil fosse ganho para Cristo. Gostaria imensamente. Gostaria de viver numa pátria onde o Evangelho ditasse o procedimento das pessoas. Gostaria de poder afirmar: “Feliz é a minha nação, pois seu Deus é o Senhor”. Mas o que vejo ao meu redor não me permite fingir que está tudo bem. Não está. A Igreja de Cristo precisa se repensar e se acertar antes de empreender projetos de conquista. E isso urgentemente. Um exército desorganizado, desunido e despreparado não conquistaria nem um vilarejo, quanto mais uma nação.

Precisamos de um milagre. É caso de vida ou morte. E morte eterna. Precisamos nos arrepender dos caminhos pop e egoístas que estamos trilhando. Precisamos voltar a orar com um coração generoso. Precisamos nos humilhar. Precisamos clamar por misericórdia. Precisamos parar de tentar vencer o mundo no peito e na raça e tentar vencer, antes de qualquer outra coisa, nossas próprias concupiscências com o rosto no pó e os joelhos calejados. Essa luta não se vence com gritos, protestos, marchas, lobbies políticos e partidarismos, mas com lágrimas. Até caírem as escamas de nossos olhos e enxergarmos a dimensão espiritual que existe por trás da cortina da matéria continuaremos agindo como o servo de Eliseu, que não via o exército celestial do lado de fora de sua casa e desejava agir segundo os métodos do mundo e não os do Espírito.

Até lá, antes de pensarmos em ganhar o Brasil para Cristo, deveríamos nos preocupar em ganhar a nós mesmos para Ele. E isso diariamente. Pois é mediante a transformação pessoal, de um a um, alma a alma, no campo do micro, que alcançaremos o macro. Caráter. Espiritualidade. Intimidade com Deus. Estudo aprofundado das Escrituras. Leitura de autores sérios. Menos exultações e mais contrição. Amor ao próximo de fato, comprovado em atos. Sem atitudes como essas, ganhar a nação para Cristo é um sonho distante. E, honestamente, impossível.

Paz a todos vocês que estão em Cristo. 
Natanael Camurça.

O Dinheiro que grita no púlpito


Certa vez ouvi um pastor midiático, daqueles que não possuem  cheiro de ovelha e tão pouco amor pelas almas perdidas, que não investem um centavo na obra missionária e cujo o deus chama-se Mamon , perguntar ao povo em seu grande templo, quem gostaria de ganhar muito dinheiro, ter carro importado, cobertura na beira da praia e uma vida nababesca? Obviamente, a maioria levantou as mãos de maneira positiva. A  formula mágica, explicou o profeta da prosperidade, bastaria apenas semear nos céus com ofertas generosas.  Tempos depois, aquele pastor esteve envolvido em um grande escândalo destruindo sua falsa imagem de homem de Deus.  Alguns pastores desejam ter dinheiro e não há nada de errado nisso, desde que seja conquistado de modo honesto, fruto do seu trabalho, sem roubar de ninguém – tão pouco através da política partidária no município, no estado e na nação. Dinheiro limpo da prebenda é bem vindo: proporciona conforto pra família viagens, alimentação saudável e a tranquilidade de não ter dividas. Pois um sacerdote sem dividas, dorme melhor, pensa melhor e apascenta o rebanho de Deus melhor. Quase todo pastor necessita de dinheiro. Até mesmo Jesus tinha amigos que o ajudavam a pagar as contas. ( Lucas 08.3), e o apostolo Paulo aceitou o apoio tanto de igrejas ( Fillipenses 4.15-16) como de pessoas, ( II Timóteo 15.1-18). O Ministério pastoral requer dinheiro, mais precisamos tomar cuidado para que o dinheiro não destrua o ministério. Quando isso acontece, o ministério pastoral Pará e a igreja que pastoreamos se transforma em agencia bancaria desfarçada com um marketing de negocio  religioso. Além de limpo e honesto, dinheiro bom, segundo um amigo mineiro com origem israelita é o dinheiro silencioso. Existem no Brasil, segundo dados divulgados pelo IBGE, mais de 200 mil pastores declarados, na sua maioria vivendo de salários pagos pelas suas congregações. Poucos são os pastores – empresários que se exibem se pavoneia, e aponta para si próprio dizendo com arrogância. Não preciso do dizimo e das ofertas recolhidas na igreja. O Pastor que ama mais o dinheiro do que as pessoas humildes desagrada a Deus.  Pois Jesus disse: “ Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar a um e amar o outro, ou se devotara a um e desprezara a outro. Não podeis servir a Deus e as riquezas”. ( Mateus 6.24). O Pastor rico que dirige a igreja de forma empresarial, que esnoba pessoas humildes, que entra no templo e não fala com ninguém, certamente tem um dinheiro que grita no púlpito. Pastores mercenários que andam em carros que valem uma cobertura, que passam as férias na Europa, que prometem apoio político em troca de generosas ofertas para seus reinos, certamente tem um dinheiro que grita.  Já o pastor rico da Graça de Deus, derrama lagrimas quando um pecador se arrepende quando visita uma ovelha no leito do hospital, quando celebra uma cerimônia fúnebre. Ao contrario do pastor com visão empresarial que perdeu o prazer de apreciar as coisas gratuitas da vida e sente satisfação em pisar nas formigas no seu caminho, esquecendo-se que um dia, as formigas também comerão sua carne putrefada.  O pastor que dificulta o acesso a si mesmo através de um sem números de assessores, guarda costas, secretários e demais bloqueadores humanos tem o dinheiro que grita, pois não suporta o cheiro de ovelhas.  Vivemos dias em que o mundo religioso atual mede o sucesso pastoral pelo dinheiro e pelas posses do sacerdote, e torna-se fácil para os cristãos defenderem esses padrões falsos se não forem cautelosos. Jesus disse : “cautelai-vos e guardai-vos da avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundancia do bem que ele possui”. ( Lucas 12.15). Um pastor pode ser prospero, porem não pode ser mundano. Tanto a bíblia como a historia do cristianismo falam sobre pessoas ricas que andaram com Deus e que através de suas riquezas foram bênçãos para outras. Porem observam que os lideres nas Escrituras Sagradas tiveram cuidado em manter as mãos limpas em relação ao dinheiro, e não usaram sua posição ou autoridade para explorar a ninguém. Baruch Há Shem! Pr.Sergio Cunha.

O Retorno a Cava Roxa


O Retorno a casa paterna é sempre uma longa caminhada. Em outubro de 2012, depois de 36 anos fizemos o caminho de volta para Jerônimo Monteiro, pequena cidade no Sul do Estado do Espirito Santo, logo depois da famosa Cachoeiro de Itapemerim , terra do Roberto Carlos. Durante a viajem acompanhado da Esposa Ruth e os filhos Junior e João Victor, além do filho legitimo da Cava Rocha, João Benevides Cunha, que migrou  para o Rio de Janeiro aos 16 anos e agora retornava para rever os parentes e amigos do menino João Galego. Ao chegar a pequenina cidade fundada por um português no inicio do Século 19, paramos na praça principal onde na infância de João Galego acontecia as touradas nas tardes de sábado, porém as praças estavam vazias. Não havia ninguém para nos receber.  João Ratão e João Beiçola já haviam partido para a eternidade, sem mesmo se despedir do amigo galego.  Nesses vinte anos ele não teve noticias de sua família.  Foram duas décadas sem saber de nada, daqueles que amavam... Durante a viajem, João galego ao lado dos netos, deve ter parado para avaliar suas relações familiares com o velho Alceu Cunha que abandonou sua mãe com cinco filhos para se estabelecer em Agostinho Porto no Rio de Janeiro. No caminho de volta, ele provavelmente deve ter pensado num abalo sofrido por seu pai ao perder o sitio com gado e grande plantação de café aos pés da montanha imponente da Cava Rocha, perto de Alegre.  Durante os 02 dias em que percorremos as poucas ruas de Jerônimo Monteiro e visitamos a primeira igreja Batista fundada em 1921 pelo saudoso pastor Carlos Leiman, e colhermos um saco grande no laranjal do velho Dequinha e Tia Elisa e conhecermos a casa antiga onde nasceu a Família de Rita Benevides, a Matriarca da Família Cunha, que me criou em Belford Roxo na baixada Fluminense, e me ensinou a amar a Deus acima de todas as coisas. Naquele momento aprendi que não podemos escolher a família em que nascemos, mais podemos escolher o tipo de família que queremos ter. Aprendi também a conhecer o menino João Galego, guardado no coração de João Benevides no auto dos seus 73 anos, Aprendi também olhando para a imutável Cava Roxa, que as vezes precisamos reunir a família num encontro marcado pelo Senhor Deus para Ele agir em nós na confiança de que Aquele que começou a boa obra em nós, irá completada. Baruch Há Shem!

Pastores Cheios do Caráter de Cristo


Com a explosão midiática da pregação do  Evangelho no Brasil, alguns pastores foram alçados a condição de celebridades por conta de seus carismas. Alguns se tornaram fundadores de megas ministérios com alcance global e um verdadeiro exercito de seguidores havidos por um evangelho de prosperidade e poder secular. Alguns desses lideres religiosos da Qualidade abordo de seus jatinhos ou atrás de seus púlpitos eletrônicos são mais conhecidos que os velhos profetas do antigo testamento. Algumas denominações estão investindo em pastores cheios de  carisma, que possam atrair multidões em busca de milagres e riquezas, porem, estamos nos esquecendo de que mais importante do que o carisma está o caráter de Cristo na vida do pastor. A imprensa tem denunciado que muitos homens repleto de carisma estão envolvidos com escândalos que revelam sua falta de caráter. Devemos buscar os exemplos dos lideres nas Escrituras Sagradas, que tiveram o cuidado de manterem suas mãos limpas em relação ao dinheiro, e não usaram sua posição ou autoridade para explorar a ninguém. Ou somos o que disse Abraão, que recusou os despojos de Sodoma: “ Levantei a minha mão ao Senhor, o Deus altíssimo, o criador dos Céus e da Terra, jurando que não tomarei coisa alguma de tudo o que é teu, nem um fio, nem uma correia de sapato, para que não digas: Eu, enriqueci a Abraão “( Gêneses 14.22-23). Não podemos nos esquecer também do exemplo do profeta Samuel : “ Eis-me aqui, testificai contra mim perante o Senhor, e perante o seu ungido: de quem tomei o boi ?  de quem tomei o jumento? A quem defraudei?  A quem oprimi?  E das mãos de quem recebi suborno ?  para encobrir com eles os meus olhos ? “ ( I Samuel 12.3). O Apóstolos dos gentios, Paulo, também não pode ficar de fora quando se dirigia aos pastores de Eféso, de ninguém cobicei prata nem ouro, nem vestes, vos mesmos sabeis que estas mãos proveram o que me era necessário a mim e aos que estão comigo.  Tenho-vos mostrado em tudo que, trabalhando assim, é necessário socorrer os enfermos, recordando as palavras com certa tristeza do próprio Senhor Jesus: Mais bem aventurada coisa é dar do que receber. ( Atos 20.33-35). Durante o período político eleitoral em nossa região, muitos pastores que se envolveram diretamente na política partidária abrindo mão do púlpito pelo palanque, acabaram sendo motivo de denuncia de corrupção com péssimo exemplo para suas igrejas, ao contrario do exemplo que o profeta Daniel nos deu, seus inimigos mais amargos não conseguiram encontrar nada contra ele. Eles somente conseguiram atestar sua integridade e amor a Deus. Caráter vale mais do que dinheiro ou qualquer outra coisa de valor deste mundo. “ Então estes homens disseram Nunca acharemos ocasião alguma contra este Daniel, senão a procuramos contra ele na lei do seu Deus”. (Daniel 6.5). A Igreja de Cristo necessita urgentemente de pastores com mais caráter, e menos carisma para que o mundo possa ver em nossas vidas o brilho verdadeiro do Espírito Santo. Durante um fim de semana encontrei um empresário cristão do setor hoteleiro que havia saído de sua igreja local, e ao perguntar-lhe o porquê, respondeu com certa tristeza: “ Meu pastor é muito ganancioso, seu deus é mamon”.  Paulo, advertiu ao jovem pastor Timóteo: Porque o amor ao dinheiro, é a raiz de todos os mares” ( I Timóteo 6.10). O líder do colégio apostólico, Pedro, ensinou aos lideres eclesiástico em particular que precisavam evitar o amor ao dinheiro: “ Apascentai o rebanho de Deus que está entre vos, tendo cuidado dele, não por força, mais voluntariamente, nem por torpe ganância, mais de boa vontade” ( I Pedro 5.2). Baruch Há Shem! Pr.Sergio Cunha.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Conselho também é Igreja?



No ultimo dia 30 de outubro, completamos 02 anos de fundação do Conselho de Pastores e Lideres Evangélicos de Tamoios, no Segundo Distrito de Cabo Frio, na famosa Região dos Lagos Fluminense. O Conselho teve sua origem após algumas reuniões no templo da Segunda Igreja Batista de Aquarius, visando a unidade e o fortalecimento  do corpo de Cristo a Região, sendo escolhido por maioria absoluta de votos para lidera-lo , o Pr.Sergio Cunha, devido a sua experiência na fundação de outros conselhos pastorais nas cidades de Armação dos Búzios e Rio das Ostras. Para um mandato de 4 anos. A Igreja Evangélica Tamoiense está distribuída em cerca de 244 casas de arações com mais de 20 mil membros, tendo na sua maioria o movimento pentecostal como base de sua cultura denominacional . O Conselho ainda se encontra engatinhando no firme propósito de reunir as múltiplas lideranças evangélicas focadas no Reino de Deus com uma mensagem cristocentrica. Mais existe ainda, uma certa relutância por parte de alguns obreiros enraizados no Segundo Distrito a décadas que descordam do conceito teológico de que Conselho também é Igreja, a exemplo do que acontece com algumas lideranças denominacionais que não acreditam que convenção também é igreja. Dias desse ao convidarmos um pastor de um grande templo de linha pentecostal  que vive isolaado na região para participar do Café da comunhão que promovemos mensalmente em sistema de rodízio nas igrejas, sem distinção de placa denominacional, tive que ouvi-lo dizer que Conselho de Pastores não é igreja, onde para o referido pastor: “ Conselho não passa de uma mera entidade paraeclesiastica”.  É obvio que existe uma grande diferença teológica entre igreja e conselho, contudo, a igreja faz-se presente todas as vezes que dois ou três congregam-se em nome de Jesus Cristo. Em minha caminhada de Fé e no exercício de três mandatos em três Conselhos de pastores em três municípios diferentes, tenho visto em 15 anos que nos conselhos pastorais, não se reúne apenas dois ou três, mais centenas de obreiros com visão de unidade da igreja, logo, como não é igreja, se tantos pastores, evangelistas, presbíteros e diáconos encontram congraçados em o nome do filho de Deus ? em Atos dos apóstolos, registra o Dr.Lucas a ocorrência de três concílios. Para substituição de Judas Escariotes, socorrer as viúvas e abstenção das coisas sacrificadas a ídolos, bem como do sangue da Carne de animais sufocados e das relações sexuais ilícitas.
“ Afinal, Conselho é Igreja, ou não?”
Para se formar uma sinagoga são necessários pelo menos dez varões judeus. Mais para se convocar a igreja de Cristo, basta duas ou três pessoas predisporem-se a se reunir em seu nome. Mateus 18.20. Não importa se ai estão um pastor, um evangelista e um diácono, o que importa é que são servos, que tem por habito invocar constantemente o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Infelizmente aqueles que não reconhecem o trabalho desenvolvido pelos conselhos pastorais em busca da unidade do corpo, são aqueles que segregam partidariamente em torno de outros nomes. Este é de Paulo. Aquele, de Apolo, e aquele outro de Cefas , e ha também  aqueles que declaram pertencer apenas a Cristo. Estes são os piores. Sim, assim como as convenções denominacionais, os conselhos pastorais também são a igreja, desde que estajamos congregando em um nome de Jesus. Baruch Há Shem!  Pr.Sergio Cunha.

CAFÉ PASTORAL DE TAMOIOS NO MINISTÉRIO DA FAMILIA


9° CAFÉ PASTORAL DO CONPLET - TAMOIOS

O CONPLET - Conselho de Pastores e Lideres Evangélicos de Tamoios, realizou no ultimo dia 10 de novembro o seu momento de comunhão chamado Café Pastoral, o Café foi realizado na Assembleia de Deus Ministério de Madureira. O Pr.Sergio Cunha presidente do Conselho, com aprovação da diretoria, marcou para o dia 12 de Janeiro de 2013 um grande Encontro de Juventude pelo Conselho, e o próximo Café pastoral ficou marcado para o dia 08 de Dezembro na Assembleia de Deus Ministério da Família  situada na Rua dos Tatus, em Unamar, dirigida pelo Pr.Sandro Evangelista. O Preletor da Manhã de sábado  foi o Pr.Marco Aurelio Gomes ( Ministério Sai da Tenda no Samburá), e o louvor trazido pelo Pb.Adriano Souza. A palavra devocional foi trazida pelo Pr.Elbio Melo ( Segunda Igreja Batista de Aquarius), além de orações intercessorias realizadas pelo Pr.José Carlos Boquepanni ( AD Aquarius - Rua Monte Santo) , Pra.Arlete Paulo ( Ig. Fonte de Águas Vivas ) e Pr.Cezár Ribeiro ( Ministério Aquarius). Confira as Fotos : 






terça-feira, 6 de novembro de 2012

Verdades sobre a Reforma que ainda precisamos resgatar


Estamos na Semana da Reforma. 31 de outubro de 1517, Wittenberg,  Alemanha. Um novo tempo começava, das ânsias guardadas no cerne de  corações inflamados, surge uma nova forma, Reforma. Como um abençoado  eco de Wycliffe (1328-1384), cujos ossos foram queimados trinta anos  depois de sua morte, e de John Huss (1373-1415), o “ganso” que  profetizou sobre o “cisne”, um tempo de redescobertas começava.


Na  porta da igreja do castelo de Wittenberg, 95 teses começavam a  desmontar uma história de opressão teológica.  A vida de Lutero era  marcada por um demolidor peso de culpa e senso absurdo do pecado, até o  dia em que ele se depara com Rm.1.17, onde sua mente é aberta para a  verdade transformadora da justificação por graça e fé. No século XIX, a  frase mais conhecida da Reforma seria popularizada: “Ecclesia reformata  et semper reformanda est” (“A igreja reformada está sempre se  reformando”).

Quais são as principais verdades sobre a Reforma que ainda precisamos resgatar?

I – O resgate da justificação do pecador por graça e fé

Questão central do Evangelho: Como podemos, míseros pecadores, ser  alvos da graça de Deus? John Stott dizia que “ninguém entende o  cristianismo, se não entende a palavra ‘justificado’".  A justificação  por graça e fé começa onde há libertação dos esquemas de merecimento:  indulgências, peregrinações, penitências, ativismo eclesiástico.

Reafirmar  esse princípio nos leva a desmascarar teologias que priorizam o ter em  detrimento do ser. É o efeito Lutero destruindo a tirania do  merecimento.

II – O resgate da autoridade normativa das Escrituras

A  redescoberta do evangelho tem passagem obrigatória pela oração e estudo  da Palavra. Na época de Lutero, a hermenêutica estava presa aos  esquemas próprios e tendenciosos de interpretação da igreja.  A reforma  afirma que as Escrituras têm autoridade suprema sobre qualquer ponto de  vista humano. Não somos chamados a pregar uma teologia, mas o evangelho!

Lutero  dizia que “no momento em que lemos a Bíblia é quando o Diabo mais se  apresenta, pois tenta nosso coração a interpretar as verdades lidas  segundo nossa própria vontade, e não segundo a vontade soberana de  Deus”.

É preciso redescobrir a centralidade da Palavra.  Reafirmar esse princípio nos leva hoje a questionar nossa hermenêutica, a  assumir uma atitude bereana (At. 17. 10, 11), uma atitude de quem  pensa.


III – O resgate da igreja como comunhão dos santos

Lutero amava a igreja, não queria dividi-la, mas oferecer-lhe um  caminho de cura. A igreja era governada pelo Papa, e não por Cristo.  Somente o clero possuía a Bíblia, isso sem falar no acúmulo de riquezas e  poder da igreja enquanto o povo sofria na miséria (isso lembra alguma  coisa?). Para Lutero, a igreja é o “autêntico povo de Deus”, os líderes  servem à igreja, e não podem se servir dela. Por isso Lutero reafirmou o  sacerdócio geral de todos os crentes – todo cristão tem a  responsabilidade de anunciar o evangelho.

Reafirmar esse  princípio hoje, numa sociedade do egoísmo, do individualismo e da  indiferença, é assumir um chamado ao arrependimento. Esse arrependimento  abrange todos os “caciques denominacionais” que ainda exploravam o  povo, até às mentalidades ingênuas que, por preguiça mental, nunca  progridem na fé.

IV – O resgate da liberdade do cristão

Lutero redescobre o prazer de ser livre. Como somente Deus é livre, ele  nos concede a liberdade por meio de Jesus Cristo (Jo. 8.31,32 e 36).  Lutero perguntava: “para que serve a liberdade do cristão?”, ao que ele  mesmo respondia: “o cristão é livre para amar”. Estamos dispostos a amar  hoje?

Reafirmar esse princípio significa reavaliar todo e  qualquer sistema de submissão opressiva, legalismos asfixiantes,  estreitamentos neurotizantes, experiências carismáticas carentes de  misericórdia, que destroem a liberdade.


V – O resgate da centralidade da cruz de Cristo


Através da libertação em Cristo, o cristão se torna “um Cristo para os  outros”(Lutero), portanto, quem é cristão não pode dominar sobre os seus  semelhantes, sob pretexto algum. Antes, solidariza-se com o sofredor,  ajudando-o a carregar a cruz. Na cruz, o cristão vê crucificado o mundo.  Dela vem a nossa vocação para estabelecer o reino de justiça, igualdade  e paz. É o sinal supremo do amor de Deus.

Reafirmar esse  princípio significa voltar à verdade de que não somos celebridades, mas  servos. Como um cristão do passado dizia, “a vida oferece somente duas  alternativas: autocrucificação com Cristo ou autodestruição sem ele”.

Somos  chamados a discernir o espírito de cada época. Será que estamos  dispostos a assumir o “efeito Lutero” em nossa prática teológica atual?  Que a igreja seja sempre uma “igreja reformada, sempre se reformando”. Alan Brizotti

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Em vez de uma Nova Reforma, uma REVOLUÇÃO!



O assunto carro-chefe da reforma foi, sem dúvida, a justificação pela fé. Os reformadores se aperceberam que a igreja havia se tornado porta-voz da ‘justiça própria’, que é a tentativa do homem de alcançar a salvação por seus próprios méritos.
Tal pensamento resultou na cobrança de indulgências daqueles que almejavam alcançar a salvação.
Os reformadores deveras travaram uma luta hercúlea para resgatar uma das mais importantes doutrinas bíblicas. Suas cabeças foram postas a prêmio, sua reputação lançadas na lama, pelo simples fato de denunciarem os desvios doutrinários apregoados pela sé romana, desmontando assim seu esquema arrecadador.
A graça foi redescoberta. As superstições foram abandonadas. A soberania de Deus destronou a suposta autonomia humana. A arrogância humana definhou.
A justiça própria foi exposta como um trapo de imundície incapaz de estancar nossa hemorragia existencial.
Enfim, a reforma desferiu um golpe certeiro na religiosidade medieval. Conquanto este golpe tenha atingido em cheio o tronco da árvore, deixou intacta a sua raiz, possibilitando-a brotar novamente mais tarde. E de fato, brotou.
Se Lutero pudesse ver em que pé a igreja evangélica chegou, acho que coraria de vergonha. Muito daquilo que Lutero condenava na Igreja Católica de seus dias, tem sido largamente praticado pela igreja advinda de seu movimento, mas numa escala industrial. Sacrifícios, romarias, idolatria, fetiches, são apenas alguns dos sintomas apresentados por uma igreja adoecida e moribunda.
Por que a coisa chegou a este ponto? Seria culpa dos reformadores? Não. O problema é que eles combateram os sintomas, e não a verdadeira doença.
A doutrina da Justificação pela Fé estanca a hemorragia provocada pelo pecado, mas não cura a anemia.
Sem embargo, é importante combater a justiça própria, pois ela nada mais é do que um placebo, um me-engana-que-eu-gosto, ou quando muito, um trapo de imundície (o equivalente ao absorvente feminino). Contem o sangramento, mas não o estanca. É claro que é importante estancar a hemorragia, em vez de tentar contê-la com boas obras. Mas acima de tudo, é importante restaurar a saúde espiritual do ser humano. E pra isso, tem-se que combater o pecado.
Ora, o termo “pecado” significa “errar o alvo”. Qual o alvo original estabelecido por Deus à criatura humana? Essa resposta pode ser encontrada nos dois principais mandamentos de Deus.
...Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o primeiro e grande mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos depende toda a lei e os profetas” (Mt.22:37-40).
Eis o alvo de nossa existência! Fomos feitos para o amor. E o alvo deste amor é Deus, e, por conseguinte, nossos semelhantes. Porém, ao cair, o homem desvirtuou-se do alvo, elegendo um novo alvo: seu próprio eu.
Quem disse que Deus ordenou que o homem amasse a si mesmo? O amor próprio é a essência do pecado. É o próprio pecado. Deus jamais nos ordenaria que pecássemos. Ao dizer que deveríamos amar a nosso próximo como a nós mesmos, ele não está endossando o amor próprio, mas condenando-o. Com efeito, Ele disse: O amor que vocês nutrem por si mesmos, devem dedicar aos outros em vez de a si. O “amor próprio” aqui entra apenas como um referencial, e não como algo louvável e que deva ser estimulado.
O amor próprio, também chamado “auto-estima”, tornou-se na mensagem central de muitos púlpitos em nossos dias. A Teologia da Prosperidade é sua filha caçula.
Todos os desvios doutrinários começam nele.
Por isso, acredito que uma reforma nos moldes da que aconteceu no século XVI não seria suficiente. Seria como tentar colocar vinho novo em odres podres. Precisamos de muito mais do que uma reforma. Precisamos de uma REVOLUÇÃO.
E esta revolução acontecerá quando redescobrirmos a mensagem central de Jesus: o AMOR. O amor que se volta inteiramente para fora de nós mesmos.
Quando a igreja cristã redescobrir o amor, e nele for batizada, ela deixará de existir para si mesma, a passará a existir em função dos que estão do lado de fora. Em vez de ficar buscando reformar-se mais uma vez, a igreja deve voltar sua atenção para o mundo, e trabalhar pela sua restauração.
Uma restauração que não acontecerá por impormos nossos pontos de vista, mas por lançarmos olhares compassivos para os necessitados e aflitos. Uma restauração/revolução que acontecerá quando, em vez de dedos a riste, o mundo encontrar em nós mãos estendidas.
Não precisamos de novas teses, e sim de uma nova práxis, fundamentada na verdade e no amor, fonte de toda graça. Hermes Fernandes

PR.SERGIO CUNHA PREGA NO 1° ANIVERSARIO DA AD NOVO AMANHECER EM UNAMAR

Primeiro aniversario, em comemoração a esta data tão especial tanto para A Assembleia de Deus Renovada Ministério Novo Amanhecer, e para a Família Cordeiro, foram realizados cultos festivos em gratidão ao Senhor nos dias 02 a 04 de Novembro. No inicio da festividade, dia 02, O Pr.Sergio Cunha, presidente do Conselho de Pastores de Tamoios foi o preletor da noite, trazendo uma Palavra de incentivo e Animo para a Igreja e a direção. O Culto esteve na direção da Missionaria Luciana Cordeiro, e os louvores foram ministrados por: Melissa Gabrielle, Michele Gomes e Daniella Cunha, além de Palavras de saudação com o Dc.Sergio Junior e Dc.Diego Santos. CONFIRA AS FOTOS:





terça-feira, 30 de outubro de 2012

É PRECISO REFORMAR A REFORMA

Sabe-se que no início do Século XVI, a Igreja precisava de muito dinheiro para a conclusão da Basílica de São Pedro. O então Papa Leão X assinou um documento que prescrevia a venda de Indulgências, que seriam a suprema “garantia” da absolvição dos pecados passados, presentes e futuros e dariam “segurança” eterna àqueles que queriam alcançar o céu. Até mesmo aqueles que já haviam morrido podiam receber a absolvição de seus pecados, através das indulgências compradas pelos seus parentes ainda vivos.
A ideia era simples: ao mesmo tempo em que as Indulgências garantiam o perdão dos pecados e um lote no céu a quem as adquirisse, ajudariam a encher os cofres da Igreja. Os clérigos bradavam dos altares das igrejas: “Ao tilintarem as moedas no fundo da sacola, automaticamente os vossos pecados e ofensas serão perdoados, e até mesmo as almas dos vossos parentes que estão no purgatório serão levadas ao paraíso!”.
Tudo parecia ir muito bem, até que um obscuro monge chamado Martinho Lutero se insurgiu contra essa prática e conclamou a Igreja a voltar à obediência da Palavra de Deus e retornar às doutrinas e práticas cristãs primitivas, afixando as 95 Teses na porta da Catedral de Wittemberg, na Alemanha, em 31 de outubro de 1517. Esse evento desencadeou a Reforma Protestante. Aqueles que se juntaram a Lutero e se opuseram aos dogmas da Igreja foram historicamente reconhecidos como “Protestantes”.
Não pretendo aqui polemizar com os cristãos católicos, a quem respeito e amo no amor de Jesus. Mas gostaria de considerar, com a ênfase que o caso requer, que a Reforma só aconteceu porque a Igreja estava moralmente em decadência, pois distanciara-se muito do evangelho. A Igreja preocupava-se mais com as questões políticas e econômicas do que com os assuntos espirituais; ao buscar aumentar ainda mais suas riquezas, vendia indulgências, cargos eclesiásticos e relíquias, tudo como forma dos fiéis adquirirem bênçãos. E isso estava errado, e os próprios católicos reconhecem.
Passados quase quinhentos anos da Reforma Protestante, penso que não seria precipitado afirmar que, em muitos aspectos, precisamos reformar a Reforma, como filhos e herdeiros da mesma. Basta olhar a situação de não poucas igrejas ditas evangélicas. Em muitos aspectos, não estamos muito longe da decadência moral que pode preceder uma verdadeira reforma. É bom lembrar que algoprecisa de reforma quando se deteriorou, ou tomou curso errado, ou se deformou. Assim, reformar é formar de novo, reconstruir, corrigir, retificar, restaurar. Em suma, reformar é fazer um “movimento para trás”, é levar algo à sua situação original. Então, meditemos sobre isto.
Os evangélicos não vendem Indulgências, mas muitos continuam proliferando ensinamentos que enganam os crentes com a promessa da salvação em troca de dinheiro e bens materiais. Não temos um papa, temos vários papas; cada denominação tem o seu. Muitos pastores vivem como se fossem “papazinhos” nos seus tronos de “infalibilidade”, ou melhor, há sempre um “reizinho” para cada feudo eclesial.
Também não temos santos e imagens, mas muitos tratam a Bíblia (ou partes dela) como “amuleto”. Não temos catecismo, mas temos uma “cartilha” de usos e costumes. Não há missa, mas temos cultos liturgicamente engessados. Não há paramentos sacerdotais, mas temos paletó e gravata. Não há reza, mas temos orações repetitivas. Não pagamos promessa, mas damos culto de ações de graça como se fosse. Não há penitência, mas temos algumas “simpatias” e “campanhas”, que muitos usam como forma de barganhar com Deus. Muitos evangélicos, como os católicos, pensam que a salvação só é conseguida na “sua” igreja.
Desse modo, não são essas mesmas coisas que indicam a nossa real necessidade de reforma? Pensemos, portanto, em quatro princípios fundamentais adotados pelos líderes da Reforma. Primeiro: a religião deve ser baseada nas Escrituras Sagradas, pois nada substitui a autoridade da Bíblia como nossa regra de fé e prática. Nem costume, nem tradição, nem cultura. Sola Scriptura! Segundo: a religião deve ser racional e inteligente, significando que, embora a razão esteja subordinada à revelação, a natureza racional do homem não pode ser violada por dogmas e doutrinas irracionais.
Terceiro: a religião é pessoal, ou seja, cada crente deve confessar o seu pecado diretamente a Deus, sem a necessidade de um sacerdote humano para perdoar-lhe. A adoração também é pessoal, de modo que os crentes podem ter comunhão com Deus, individualmente. Quarto: a religião deve ser espiritual, não formalista. Isso pressupõe a volta aos princípios evangélicos de simplicidade e pureza, indicando que o crente era santificado pela presença do Espírito Santo em sua vida interior, não pela observância de formalidades e cerimônias externas.
Todos os cristãos devem ter isto sempre em mente: ao estarmos constantemente nos reformando, manteremos sempre aberto o canal para que a “multiforme graça de Deus” continue a operar na igreja e em nossas vidas “sem impedimento algum” (1 Pe 4.10; At 28.31). Soli Deo Gloria! SAMUEL CAMARA

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Educação Teológica na U.T.I.


Tenho percorrido o Brasil em comissões de avaliação de cursos de teologia. Nessas andanças, chamou minha atenção o fenômeno da Endogenia, como o definiu meu colega de trabalho, que muito a propósito lembrou-me ainda de seu equivalente no alemão: Inzucht. Essa palavra significa a cultura de um ser, a partir de dentro, do cruzamento de indivíduos daquela comunidade entre si, sem possibilidade de “oxigenação”.
 
Explico. Muitos dos professores, antes de exercerem a profissão, eram alunos de professores daquela instituição, que por sua vez foram alunos e assim vai, por gerações a fio. Sim, as instituições teleológicas são centenárias no Brasil.
 
A novidade é que desde 2009 a área foi oficialmente reconhecida pelo governo como um campo da ciência e, portanto, algo sobre o qual pode legislar. Mas, às instituições teológicas foi garantido o direito de, se assim desejarem, permanecerem “livres”, ou seja, independentes de qualquer legislação governamental, mas também, sem reconhecimento oficial como cursos de bacharel ou mestrado e doutorado.
 
Mas o que acontece na “endogenia” dos seminários e o que não pode haver em cursos reconhecidos: produção própria de profissionais que, sendo formados pela própria instituição, cantam conforme o hinário da mesma e tendem a ousar pouco, no sentido da mudança, de modo que o curso se torne “em-si-mesmado”.
 
Uma das consequências mais nefastas disso está na metodologia. Os cursos de teologia, à semelhança dos de filosofia, tendem a reproduzir os seus modelos metodológicos, basicamente “verborreicos” (aula expositiva, que não deixa de ser expositiva pelo uso de tecnologias, como o data-show).
 
Por que é tão difícil prender a atenção do aluno? Uma das reclamações mais frequentes entre eles mesmos. É simples. Não há sangue novo e, uma das consequências disso, é o sufocamento da dinamicidade própria de qualquer curso, tanto os universitários, quanto os teológicos.
 
As aulas seguem aquele modelo pronto, previsível, monológico (e não dialógico, como deveria ser), em que o professor está preocupado apenas com o conteúdo, com o saber e não o ser e com o fazer. Teoria e prática andam há quilômetros de distância e professores e alunos estão desmotivados, sem a vida que se espera de um cristão autêntico.
 
As aulas são enfadonhas e rotineiras e o aluno fica se perguntando se não era melhor aprender tudo aquilo sozinho, diante de um computador e uma internet potente.
A Drª Sherron K. George comenta em seu artigo, que recomendo a todos aqueles preocupados com a educação teológica, que quando nos referimos à natureza criada do ser humano, toda educação integral deve ser mantida em vista:

[...] pode-se dizer que Deus incentiva a criatividade com parâmetros, com que o ensino deve promover espaço para a criatividade. Deus concede ao ser humano o poder generativo da vida, fertilidade, produtividade, criatividade, estética e imaginação artística. As implicações dessas verdades, para os seminários, são claras. É que o aluno tem o privilégio e a responsabilidade de explorar e pesquisar com liberdade, arte e imaginação e, ao mesmo tempo, tem que respeitar certos limites e técnicas. (FEORGE, SK, “Fundamentos Bíblicos e Pedagógicos da Educação Teológica”, Reflexão Teológica, nº2 (2010) São Paulo: Betel Brasileiro, 2010, p. 114).

Também a criatividade do professor é muitas vezes sufocada pelo excesso de formalismo e pela mencionada Endogenia e Inzucht. E assim, sua dinamicidade e carisma jazem na penumbra e às margens de currículos mumificados e inchados. Haverá esperança de se quebrar o ciclo vicioso? Deus salve a Educação Teológica!Gabriele Greggersen

71º ANIVERSARIO DO PR.GEDEIR RICARDO

O Pr. Sergio Cunha, presidente do Conselho de Pastores e Lideres Evangélicos de Tamoios - Segundo Distrito de Cabo Frio, e dirigente da Assembleia de Deus em Unamar, esteve participando no ultimo dia 27 de outubro do culto de ação de Graças pelo 71° Aniversario do Pr. Gedeir Ricardo Silva na Assembleia de Deus em Jardim Dalia - Itaboraí - Ministério de Madureira, onde trouxe uma palavra de gratidão a Deus pela vida e o Ministério do servo do Senhor. O Pr.Sergio Cunha estava acompanhado de sua esposa Missionaria Ruth Cunha, filho Dc. Sergio Junior e Daniella Cunha e Melissa Gabriele que louvou a Deus representando a Igreja de Unamar.