quinta-feira, 24 de maio de 2012
quarta-feira, 23 de maio de 2012
terça-feira, 22 de maio de 2012
segunda-feira, 21 de maio de 2012
Lembrem-se sempre de quem você é!
Em junho de 2012, vai completar um ano de falecimento de Ivanilda Oliveira (foto) Cunha, Pernanbucana destemida e fiel crente batista, que fugindo da seca nordestina e com sua mãe tuberculosa, veio para o Rio de Janeiro na década de 50, onde com 14 aos arrumou emprego de aprendiz de tecelã na Companhia Nova America de Tecidos, em Del Castilho, no subúrbio da então Cidade Maravilhosa. Durante as festas do trabalhador, onde o diretor da impressa Marcelo Bebiane, um súdito da rainha Elisabeth sempre lembrava suas origens com a seguinte frase: “ Lembre-se sempre quem voce é”!. Minha mãe como boa ouvinte e aprendiz passou a repetir essa mesma frase, durante minha adolescência na década de 70, todas as vezes que cometia algo errado, que desagradava a Deus, entristecia o Espírito Santo e , fazia dona Ivanilda aplicar um corretivo disciplinador inesquecível. Passado muitos anos da adolescência, pois estou prestes a completar 50 anos no mês de maio, se Deus permitir, porem ao ler: “ A Mensagem de Romanos” de John Stott, outro súdito inglês, que durante muitos anos serviam como pastor em Londres, volto lembrar desta frase: Lembre-se sempre de quem você é! Agora dita pela boca do Duque de Windsor, que não chegou a ser coroado como Rei Eduardo VIII , sucessor do Rei George V da Inglaterra, pois abdicou do trono para se casar com uma americana divorciada, causando mal estar no palácio real. Eduardo VIII, príncipes de Gales, que morreu no dia 28 de Maio de 1972 em Paris, em uma de suas entrevistas para um programa de televisão, recordando sua infância como príncipe herdeiro, ele dissera: “Meu pai o rei, era um disciplinador muito rígido. E sempre que eu fazia alguma coisa errada, ele me exortava dizendo: Meu querido rapaz, lembre-se sempre de quem você é”. Semelhantemente Deus nosso pai celestial esta sempre nos lembrando de quem somos, através do Espírito Santo, para que não caia no esquecimento e você assim como eu possamos pecar contra Deus. Quando Jesus foi ser batizado no Rio Jordão pelo profeta João Batista, assim que saiu da água o céu se abriu e Jesus viu o Espírito de Deus descendo como uma pomba e pousando sobre ele então uma voz dos céus disse; “Este é o meu filho amado, em quem me agrado”. Mateus 3.17. Naquele momento Deus estava testemunhando diante do povo que Jesus era o filho amado, não dando margem para nenhuma duvida no coração dos homens daquela época. Jesus sempre afirmou e reconheceu de quem Ele era:” Tudo me foi entregue por meu Pai. Ninguém conhece o filho se não o pai, e ninguém conhece o pai se não o filho, e aquele a quem o filho o quiser revelar”. Mateus 11.27. Baruch Há Shem. Sergio Cunhadomingo, 20 de maio de 2012
FUJA DA PAZ QUE NÃO PROCEDE DA JUSTIÇA!
Uma filosofia assombra hoje a igreja e se baseia numa mentira que valoriza a Paz sobre a Justiça. É o politicamente correto gospel. A grande verdade ignorada pelos arautos dessa mentira é que a PAZ de Jesus foi alcançada quando ele cumpriu toda a Justiça, sofrendo em nosso lugar e pagando o preço pela nossa Paz. Lembra do que Jesus disse a João? “Consente agora; porque assim nos convém CUMPRIR TODA A JUSTIÇA. (Mt 3:15). Deus não simplesmente abriu a porteira do céu e disse “Tá liberado galera! Vamos entrando todos”. De certa forma até os mariólatras entendem isso quando contam as historinhas de Maria que escondendo os pecadores debaixo de sua saia, os contrabandeava para dentro do céu. Deus não baixou o seu nível moral para salvar ninguém mas Deus espera, que através da graça, nossa moral se desenvolva durante o tempo de nossa salvação. A natureza do evangelho é ofensiva. Somos proclamadores da salvação e do juizo de Deus sobre o mundo. Segundo Jesus ‘Quem crê será salvo, quem não crê JÁ ESTÁ CONDENADO’. A mensagem de Jesus é chocante. Estimular as pessoas a decidirem entre inferno e céu, vida ou morte é politicamente incorreto. Mas e daí? Somos discípulos daquele que nos mandou comer de sua carne e beber se seu sangue. Paulo já avisava, “a mensagem da cruz é escândalo.” Se você estudar o Novo Testamento, você verá que o amor de Deus é dado em correlação direta com o escândalo ofensivo da cruz que é o ponto focal do amor de Deus para o mundo. Como podemos apontar para a cruz, sem fazer referência ao pecado? A maneira bíblica de expressar o amor de Deus para o pecador é mostrar-lhe quão grande é seu pecado e, em seguida, apresentar-lhe a incrível graça de Deus em Jesus Cristo. Ao tentar anular a natureza chocante do evangelho a Igreja gerou o evangelismo moderno que é a mensagem de paz politicamente correta que prega sobre uma Graça que não ofende e nem responsabiliza o pecador pelo seu pecado. Tudo é culpa do diabo! Como podemos falar de um Deus Santo sem ofender aos homosexuais? Como podemos falar do filho de Deus sem ofender os Islâmicos que não crêem que Deus tem um filho. Se os apostolos originais buscassem paz sobre a justiça não teriam anunciado a ressurreição de Jesus aos saduceus que se ofendiam com o ensino sobre a ressurreição dos mortos. Teriam deixado de pregar aos samaritanos sobre um salvador que é Judeu e aos gentios de um salvador, prisoneiro romano, condenado à pena máxima, morte de cruz. O evangelho irá ofender a todos aqueles que estão mortos em seus pecados. Não há conceções a fazer nem politicas a oferecer. Ao pregar o verdadeiro evangelho seremos amados ou odiados por causa de Cristo e nunca gozaremos da paz exterior que a neutralidade do politicamento correto dá. A paz que vem de Deus é posterior a justiça. Deus oferece paz ao pecador justificado, oferece justiça ao pecador arrependido, oferece arrependimento ao pecador convicto de seu pecado e oferece a lei ao pecador cheio de justiça própria. Essa ‘linha de salvação’ não pode ser aplicada sem ofender ao pecador.
Segundo o evangelho, que quiser paz que busque primeiro a justiça. Jesus disse: “Buscai primeiro o Reino e sua Justica…” O evangelho politicamente correto tem a missão de neutralizar a mensagem da cruz em nome da paz. Contudo a paz segundo Deus só vem depois da ofensa da cruz. Pedro quando ofendia os Judeus pela pregação da cruz foi advertido que não causasse mais problemas na ordem social estabelecida. Não estavam eles invadindo as sinagogas e inundando a cidade com aquela doutrina? Aprendamos com Pedro e os apóstolos a valorizar a justica sobre a paz. “Não vos admoestamos expressamente que não ensinásseis nesse nome? e eis que enchestes Jerusalém dessa vossa doutrina e quereis lançar sobre nós o sangue desse homem. Respondendo Pedro e os apóstolos, disseram: Importa antes obedecer a Deus que aos homens” (Atos 5:28-29). E para você o que importa? Ofender aos homens ou ofender a Deus?
Qualquer neutralidade a essa pergunta vem do diabo.
Wesley Moreira é escritor, pastor da World Harvest Church, e participa do WH Bible Institute e WotM School of Evangelism. Mora atualmente em Atlanta-EUA e colabora com o Púlpito Cristão.
Segundo o evangelho, que quiser paz que busque primeiro a justiça. Jesus disse: “Buscai primeiro o Reino e sua Justica…” O evangelho politicamente correto tem a missão de neutralizar a mensagem da cruz em nome da paz. Contudo a paz segundo Deus só vem depois da ofensa da cruz. Pedro quando ofendia os Judeus pela pregação da cruz foi advertido que não causasse mais problemas na ordem social estabelecida. Não estavam eles invadindo as sinagogas e inundando a cidade com aquela doutrina? Aprendamos com Pedro e os apóstolos a valorizar a justica sobre a paz. “Não vos admoestamos expressamente que não ensinásseis nesse nome? e eis que enchestes Jerusalém dessa vossa doutrina e quereis lançar sobre nós o sangue desse homem. Respondendo Pedro e os apóstolos, disseram: Importa antes obedecer a Deus que aos homens” (Atos 5:28-29). E para você o que importa? Ofender aos homens ou ofender a Deus?
Qualquer neutralidade a essa pergunta vem do diabo.
Wesley Moreira é escritor, pastor da World Harvest Church, e participa do WH Bible Institute e WotM School of Evangelism. Mora atualmente em Atlanta-EUA e colabora com o Púlpito Cristão.
sábado, 19 de maio de 2012
Uma das principais barreiras para a evangelização não é o ambiente, muitas vezes árido para a comunicação da mensagem, mas o entendimento, por parte da própria Igreja, quanto ao Evangelho.
Devido a uma influência secularista, liberal e reducionista na missiologia das últimas décadas, houve uma humanização de conceitos que necessitam de revisão bíblica. Talvez o principal seja o próprio Evangelho. Não é incomum lermos que “o Evangelho está sendo atacado no Egito” ou que “o Evangelho está entrando nos lugares distantes da Amazônia”. O que se quer dizer é que a Igreja está sendo atacada e entrando na Amazônia, manifestando que, em nossos dias, passamos a crer que a Igreja é o Evangelho. Essa equivocada compreensão cristã que iguala o Evangelho à Igreja - a nós mesmos - é ampla e popular, mas tem suas raízes em distorções bíblicas e teológicas que podem nos levar a caminhos erráticos na vida e prática cristã. Paulo escreve aos Romanos no capítulo 1 sobre o “Evangelho de Deus” (v.1) que Deus havia prometido “pelos seus profetas nas Sagradas Escrituras” (v.2), o qual, quanto ao conteúdo, é “acerca do Seu Filho” (v.3), que é “declarado Filho de Deus em poder... Jesus Cristo, nosso Senhor” (v.4). Portanto fica claro: Jesus é o Evangelho. Assim, se nos envergonharmos do Evangelho, estamos nos envergonhando de Jesus. Se deixarmos de pregar o Evangelho, deixamos de pregar Jesus. Se não crermos no Evangelho, não cremos em Jesus. Se passarmos a questionar o Evangelho, seus efeitos perante outras culturas e sua relevância hoje, nós não estamos questionando uma doutrina, um movimento ou a Igreja, estamos questionando Jesus. O que Paulo expressa nesse primeiro capítulo é que, apesar do pecado, do diabo, da carne e do mundo, não estamos perdidos no universo. Há um plano de redenção e Ele se chama Jesus. O poder de Deus se convergiu nEle e Ele está entre nós. Quando compreendemos mal o Evangelho, e o igualamos à Igreja, corremos o risco de proclamarmos denominações, igrejas locais, logomarcas e pregadores, pensando que com isso estamos evangelizando. Não há verdadeira evangelização sem a apresentação de Jesus Cristo, Sua vida, morte, ressurreição e paixão por nos salvar.Um dos textos que mais sintética e profundamente expõe o Evangelho foi escrito por Paulo quando afirmou: “Pois não me envergonho do Evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego”. (Rm 1.16). Em primeiro lugar, esta afirmação deixa bem claro que o Evangelho jamais será derrotado, pois o Evangelho é Cristo. Sofrerá oposição e seus pregadores serão perseguidos. Será questionado e deixarão de crer nEle. Porém, nunca será vencido, pois o Evangelho vivo, que é Cristo, é o poder de Deus. Em segundo lugar, o Evangelho não é o plano da Igreja para a salvação do mundo, mas o plano de Deus para a salvação da Igreja. O que valida a Igreja é o Evangelho, não o contrário. Se a Igreja deixa de seguir o Evangelho, de seguir a Cristo, deixa de ser Igreja, ou Igreja de Cristo.
Em terceiro lugar, o Evangelho não deve ser apenas compreendido e vivido. Ele se manifestou entre nós para ser pregado pelo povo de Deus. Paulo usa essa expressão diversas vezes. Aos Romanos, ele diz que se esforça para pregar o Evangelho (Rm 15.20). Aos Coríntios, ele diz que não foi chamado para batizar, mas para pregar o Evangelho (1 Co 1.17). Diz também que pregar o Evangelho é sua obrigação (1 Co 9.16). Devemos proclamar o Evangelho – lançar as sementes – a tempo e fora de tempo. Provérbios 11 nos encoraja a lançar todas as nossas sementes, “... pela manhã, e ainda à tarde não repouses a sua mão”. Essa expressão de intensidade e constância nos ensina que devemos trabalhar logo cedinho – quando animados e dispostos – e quando a noite se aproximar, o cansaço e as limitações chegarem, ainda assim não deixar de semear. Fala-nos sobre a perseverança na caminhada e no serviço. É preciso obedecer mesmo quando o sol se põe. Jim Elliot, missionário entre os Auca do Equador na década de 50, afirmou que “ao chegar o dia da nossa morte, nada mais devemos ter a fazer, a não ser morrer”. Observemos nossa vida e lancemos a semente, cumprindo a missão. Não importa mais o que façamos em nossas iniciativas missionárias, é preciso pregar o Evangelho. A pregação abundante do Evangelho, portanto, não é apenas o cumprimento de uma ordem ou uma estratégia missionária, mas o reconhecimento do poder de Deus.
Somos lembrados por Paulo a jamais nos envergonharmos do Evangelho que um dia no abraçou, pois não é uma ideia ou um movimento, mas uma Pessoa, o Evangelho é Jesus. Ronaldo Lidório
sexta-feira, 18 de maio de 2012
Volta da tribo perdida de Israel seria cumprimento de profecia bíblica

Etnia judia que vive na Índia seria descendente do patriarca José
Depois de uma parada de cinco anos no fluxo de imigração, o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu deu permissão para uma comunidade de cidadãos indianos mudarem-se para o Estado judeu. Acredita-se que eles são uma das “tribos perdidas de Israel”. “Tivemos um grande avanço, e graças a Deus, a Aliya [a imigração para Israel] está certo que recomeça neste verão. Esperamos e oramos para que o primeiro grupo de 50 famílias, ou cerca de 250-300 imigrantes Bnei Menashe, virá para Israel até o final de agosto”, disse Michael Freund, presidente da Shavei Israel, fundação que está por trás da iniciativa. A Shavei, com sede em Jerusalém, espera trazer para o Estado judaico todos os 7.000 cidadãos indianos restantes que acreditam ser os Bnei Menashe, descendentes de Manassés, filho do patriarca bíblico José e neto de Jacó. A organização liderada por Freund ajudou a facilitar a imigração de mais de 1.700 Bnei Menashe no passado, sempre com o apoio dos governos israelenses. Até que em 2007, o primeiro-ministro Ehud Olmert interrompeu o processo, que somente agora está sendo retomado. O plano da Shavei é levar essas 50 famílias Bnei Menashe para Israel como turistas, seguindo o acordo com o Ministério do Interior. Após desembarcarem no país, os Bnei Menashe se converterão oficialmente ao Judaísmo, ganhando assim a cidadania israelense. Esse era o procedimento adotado em anos passados, mas alguns funcionários de ministérios israelenses se recusam a conceder permissão para que o restante desse grupo que ainda está na Índia viaje com esse propósito.Para suavizar o processo, Freund espera contar novamente com a ajuda do chefe do rabinato de Israel, que voou para a Índia em 2005 para converter os membros da Bnei Menashe. Esse processo foi interrompido no ano passado pela Índia. O que se sabe no momento é que os membros da “tribo perdida” vivem nos Estados indianos de Manipur e Mizoram. Eles dizem que foram exilados de Israel há mais de 2.700 anos atrás pelo império assírio. De acordo com a tradição oral judaica, a tribo Bnei Menashe foi exilada de Israel e empurrada para o Extremo Oriente, se estabelecendo nas regiões fronteiriças da China e da Índia, onde permanecem até hoje. A maioria manteve aspectos culturais semelhantes à tradição judaica, incluindo a observação do Shabat [sábado sagrado], as leis do Kosher [alimentos permitidos], praticando a circuncisão dos meninos recém-nascidos no oitavo dia e as leis de “pureza familiar”. Na década de 1950, milhares de Bnei Menashe disseram que partiriam a pé para Israel, mas foram rapidamente interrompidos pelas autoridades indianas. Desde então, começaram a praticar o judaísmo ortodoxo e se comprometeram em manter suas tradições judaicas. Hoje, frequentam centros comunitários na Índia estabelecidos pela Shavei Israel onde aprendem mais sobre a religião judaica e hebraico moderno. Freund acredita que a imigração dos Bnei Menashe é o cumprimento da profecia bíblica de Isaías 43:5-7, que afirma: “Não tenha medo, pois eu estou com você, do oriente trarei seus filhos e do ocidente ajuntarei você. Direi ao norte ‘Entregue-os! ’ e ao sul ‘Não os retenha’. De longe tragam os meus filhos, e dos confins da terra as minhas filhas; todo o que é chamado pelo meu nome, a quem criei para a minha glória, a quem formei e fiz”. “Acho que este é um projeto histórico”, acrescentou. “É o fechamento de um círculo na história. É o retorno de uma tribo perdida de Israel depois de 27 séculos de exílio. É um cumprimento da profecia bíblica diante de nossos olhos”.
terça-feira, 1 de maio de 2012
Napoleão Quebra Queixo e a falta do temor de Deus
No inicio do meu ministério, e recém casado, durante muitos anos fui professor de escola dominical para uma classe única , em um templo pequeno construído as margens do Rio São João , no bairro Santo Antonio, no Segundo Distrito de Cabo Frio. Nossa comunidade assembleiana, era formada basicamente de famílias de pescadores, pedreiros, lavadeiras e alguns vendedores autônomos. O pastor Severino Ramos, um pernanbucano que tinha sido missionário no Paraguai na cidade de Villeta, tratava a todos com muito carinho, a paciência de Jô e a mansidão de Moises. Porem, existia um velho presbítero Napoleão Quebra Queixo, que vendia seu doce preparado por sua esposa, que tinha boca, mais não falava pelas ruas do bairro, mais que estava sempre a questionar a falta de rigidez nos costumes como ausência do temor de Deus. O Presbítero com nome de imperador e apelido doce, sempre questionava que no inicio das Assembleias de Deus no Brasil, e principalmente no interior do nordeste, existia uma diferença gritante entre a denominação fundada pelos suecos e agora nos dias atuais com a relativização de valores. Todas as vezes que o presbítero Napoleão recebia oportunidade para dar uma saudação nos cultos de oração, ele não se cansava de ler Atos 5, relatando o episódio de Ananias e Safira e batendo na tecla: “ E sobre veio grande temor a toda igreja e a todos quantos ouviram a noticia destes acontecimentos” ( Versículo 11). Passados alguns anos da morte do presbítero Quebra Queixo , percebo que em parte ele tinha razão em relação ao temor de Deus. Nossa denominação a exemplo da igreja primitiva, havia aprendido a temer a Deus, e nos, mesmo com cem anos de fundação, estando espalhada por todo o território nacional com milhões de membros em todas as camadas sociais, temos esquecido como temê-lo. As Assembleias de Deus durante minha juventude eram respeitadas pela sua disciplina severa, rigor nos costumes, porem grande compaixão pelas almas perdidas e intensa evangelização. Hoje, mesmo sendo a maior denominação pentecostal do mundo, com sua condição fragmentada em solo brasileiro, apresenta um testemunho silencioso de nosso reduzido nível de temor a Deus. No século anterior, havia uma certa relutância das pessoas se unirem a igreja devido a sua rigidez, onde a porta de entrada era bastante estreita. Em nossos dias, unir-se a igreja frequentemente é mais fácil do que tornar-se membro de um clube social e as pessoas aos milhares estão ingressando nessas fileiras com o previsível resultado de que a igreja tornou-se um ajuntamento de pessoas nos domingos a noite. A alguns meses, conversava com um missionário, dirigente de reuniões de oração, onde testemunhava que seu filho bebia, fumava, liderava um grupo de pagode em bailes no Rio de Janeiro, porem tinha temor de Deus e não perdia o culto de domingo. Ao final da conversa fiquei a perguntar-me, que tipo de temor é esse ? Não podemos encher nossas igrejas com pessoas não convertidas, batiza-las, entregar-lhes um cartão de membro e de dizimo e, ao mesmo tempo, ganhar o respeito do mundo. Quando a igreja se torna mundana, e o mundo se torna igrejeiro, a igreja perde tanto o respeito, tanto o poder de Deus. A Igreja não precisa ser popular e agradar a políticos e celebridades para conquistar plateias ávidas de entretenimento. A bíblia nos ensina a nos tornarmos menos semelhantes ao mundo, para que tenhamos aprovação e o poder de Cristo. Baruch Há Shem! Sergio Cunha.
segunda-feira, 30 de abril de 2012
Como reconhecer um pastor Emergente
“...Haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ao de mestres segundo as suas próprias cobiças como sentindo coceiras nos ouvidos.” ( II Timóteo 4.03).
De uns tempos para cá, temos ouvido falar muito de um movimento pós moderno surgido nos Estados Unidos chamado Igreja Emergente, formado na sua maioria por jovens pastores com formação acadêmica e teológica com grande influencia humanista, que já chegou ao Brasil e esta causando consequências de apostasia em uma nova geração de pastores recém saídos dos seminários e portanto, sem nenhuma experiência pastoral, ou alguns poucos veteranos que abriram mão dos valores absolutos e morais do evangelho. Uma das marcas do pastor emergente desse movimento pós moderno que tem trazido enormes prejuízos ao evangelho bíblico, esta na cultura do entretenimento nos templos para agradar principalmente a massa jovem alienada biblicamente. Os pastores emergentes investem pesado na mídia gospel com suas celebridades formadas por cantores e pregadores e auto ajuda onde os fundamentos da fé são abandonados, num claro apelo as emoções, enquanto a mente e deixada de lado. Outra característica dos pastores emergentes está na ausência de pregação contra o pecado, sobre o inferno e a necessidade de arrependimento, onde a Palavra de Deus não é mais interpretada por aquilo que realmente diz, invés disso, é interpretada por aquilo que diz para você. Os pastores emergentes também não pregam sobre arrebatamento pré-tribulacionista da Igreja, porque não aceitam a autoridade da Biblia. E muitas igrejas de tradição reformada ou até mesmo denominações pentecostais históricas, existem pastores pós modernos que se denominam “evangélicos”, embora neguem a “ Fé que uma vez por todas foi entregue ao santos” ( Judas 3). São bem rápidos em falar heresias e manipularem a emoção das pessoas com um discurso triunfalista. Esses pastores emergentes enfatizam em seus púlpitos a valorização dos sentimentos e afeições em detrimento da Palavra, a experiência em contraposição a verdade, a inclusão ao invés de exclusão de quem não anda segundo os princípios bíblicos, a participação em contra partida ao individualismo. Se alguns seguimentos da igreja continuarem caminhando rumo ao desvio da verdade se cumprira as palavras desta profecia: “ Contudo, quando vinher o filho do homem, achará por ventura fé na terra?” ( Lucas 18.8). A marca fundamental dos pastores emergentes esta na negação do absoluto e na relativização de valores com aceitação das diferenças. Os pastores emergentes na sua maioria jovens obreiros possuem como propósito de vida criar novas formas de liturgia, novos métodos de evangelismo, novas estruturas eclesiásticas, novos conceitos teológicos que emerge dos escombros do denominacionalismo dividido por lutas de poder. Enfim eles querem criar o novo cristão e reinventar a Igreja, onde o primeiro passo a ser dado é pertencer a Igreja e depois crer na Palavra. Diante de tantas invencionices fico a pensar que Paulo quando aconselhou Timóteo parecia que estava enxergando o que haveria de acontecer com a Igreja de Cristo : “ Pois vai chegar o tempo em que as pessoas não vão dar atenção ao verdadeiro ensinamento, mais seguiram os seus próprios desejos”. Baruch Há Shem! Sergio Cunha.
domingo, 29 de abril de 2012
Precisamos de Jovens Profetas
No ultimo sábado de abril. estivemos organizando em nossa congregação em Unamar, no Segundo Distrito de Cabo Frio, A Segunda Conferencia Evangelística Jovens Profetas, onde jovens pregadores inflamados de um pequeno púlpito pregaram contra o pecado que está avançando sobre a igreja e a necessidade de arrependimento do povo. O Teólogo inglês Arthur Pink falava no século 19, que a Igreja, precisa de homens, o tipo certo de homens ousados. A Igreja suspira por homens que se consideram sacrificáveis na batalha da alma, homens que não podem ser amedrontados pelas ameaças de mortes, porque já morreram pras seduções desse mundo. Esses homens jamais tomarão decisões motivadas pelo medo, não seguirão nenhum caminho impulsionados por causa de condições financeiras. Já John Wesley, o grande avivalista fez um pedido a Deus; “ Dê-me uma centena de pregadores que não receiem nada, senão em pecar, e nada desejem senão a Deus e eles não importa se clérigos ou leigos, por si sós abalarão as portas do inferno estabelecendo o Reino de Deus na terra”. Essa oração foi atendida pois Deus, levantou jovens profetas no Século 17, trazendo um grande avivamento. O príncipe dos pregadores, o batista Charles Spurgeon , começou a pregar com 16 anos para pequenos grupos, e depois alcançou multidões na total dependência de Deus como um jovem profeta de sua geração. A Igreja de hoje, precisa de jovens profetas como Jeremias que ousou anunciar que Deus estava produzindo abalos e preparavam mudanças, onde o sacerdote estava calado, mais o profeta tinha de entregar a mensagem de Deus, quisesse o povo ouvi-la ou não. Em abril, vamos clamar por um verdadeiro avivamento, assim como fez Leonard Ravenhil : “ Quanto a mim, eu quero um avivamento, em minha vida, minha igreja e minha nação , ou então prefiro a morte”. Baruch Há Shem! Sergio Cunha.
sábado, 28 de abril de 2012
Precisamos de homens de Deus

A igreja, neste momento, precisa de homens, o tipo certo de homens, homens ousados. Afirma-se que necessitamos de avivamento e de um novo movimento do Espírito; Deus, sabe que precisamos de ambas as coisas. Entretanto, Ele não haverá de avivar ratinhos. Não encherá coelhos com seu Espírito Santo. A igreja suspira por homens que se consideram sacrificáveis na batalha da alma, homens que não podem ser amedrontados pelas ameaças de morte, porque já morreram para as seduções deste mundo. Tais homens estarão livres das compulsões que controlam os homens mais fracos. Não serão forçados a fazer as coisas pelo constrangimento das circunstâncias; sua única compulsão virá do íntimo e do alto.
Esse tipo de liberdade é necessária, se queremos ter novamente, em nossos púlpitos, pregadores cheios de poder, ao invés de mascotes. Esses homens livres servirão a Deus e à humanidade através de motivações elevadas demais, para serem compreendidas pelo grande número de religiosos que hoje entram e saem do santuário. Esse homens jamais tomarão decisões motivados pelo medo, não seguirão nenhum caminho impulsionados pelo desejo de agradar, não ministrarão por causa de condições financeiras, jamais realizarão qualquer ato religioso por simples costume; nem permitirão a si mesmos serem influenciados pelo amor à publicidade ou pelo desejo por boa reputação. Muito do que a igreja faz em nossos dias, ela o faz porque tem medo de não fazê-lo. Associações de pastores atiram-se em projetos motivados apenas pelo temor de não se envolverem em tais projetos. Sempre que o seu reconhecimento motivado pelo medo (do tipo que observa o que os outros dizem e fazem) os conduz a crer no que o mundo espera que eles façam, eles o farão na próxima segunda-feira pela manhã, com toda a espécie de zelo ostentoso e demonstração de piedade. A influência constrangedora da opinião pública é quem chama esses profetas, não a voz de Jeová.
A verdadeira igreja jamais sondou as expectativas públicas, antes de se atirar em suas iniciativas. Seus líderes ouviram da parte de Deus e avançaram totalmente independentes do apoio popular ou da falta deste apoio. Eles sabiam que era vontade de Deus e o fizeram, e o povo os seguiu (às vezes em triunfo, porém mais freqüentemente com insultos e perseguição pública); e a recompensa de tais líderes foi a satisfação de estarem certos em um mundo errado. Outra característica do verdadeiro homem de Deus tem sido o amor. O homem livre, que aprendeu a ouvir a voz de Deus e ousou obedecê-la, sentiu o mesmo fardo moral que partiu os corações dos profetas do Antigo Testamento, esmagou a alma de nosso Senhor Jesus Cristo e arrancou abundantes lágrimas dos apóstolos.
O homem livre jamais foi um tirano religioso, nem procurou exercer senhorio sobre a herança pertencente a Deus. O medo e a falta de segurança pessoal têm levado os homens a esmagarem os seus semelhantes debaixo de seus pés. Esse tipo de homem tinha algum interesse a proteger, alguma posição a assegurar; portanto, exigiu submissão de seus seguidores como garantia de sua própria segurança. Mas o homem livre, jamais; ele nada tem a proteger, nenhuma ambição a perseguir, nenhum inimigo a temer. Por esse motivo, ele é alguém completamente descuidado a respeito de seu prestígio entre os homens. Se o seguirem, muito bem; caso não o sigam, ele nada perde que seja querido ao seu coração; mas, quer ele seja aceito, quer seja rejeitado, continuará amando seu povo com sincera devoção. E somente a morte pode silenciar sua terna intercessão por eles. Sim, se o cristianismo evangélico tem de permanecer vivo, precisa novamente de homens, o tipo certo de homens. Deverá repudiar os fracotes que não ousam falar o que precisa ser externado; precisa buscar, em oração e muita humildade, o surgimento de homens feitos da mesma qualidade dos profetas e dos antigos mártires. Deus ouvirá os clamores de seu povo, assim como Ele ouviu os clamores de Israel no Egito. Haverá de enviar libertação, ao enviar libertadores. É assim que Ele age entre os homens. E, quando vierem os libertadores... serão homens de Deus, homens de coragem. Terão Deus ao seu lado, porque serão cuidadosos em permanecer ao lado dEle; serão cooperadores com Cristo e instrumentos nas mãos do Espírito Santo...Arthur W. Pink
sexta-feira, 27 de abril de 2012
O pastor do século 21
Falar para pastores e líderes sobre temas do momento provoca-me dois tipos de percepção. Um é que alguns pensam que precisamos entender o nosso tempo para nos encaixarmos nele e também encaixarmos nele a nossa mensagem. Parece que este é o sentimento mais comum. Já me deixei dominar por ele, em tempos idos. Outra percepção é que devo me firmar mais nas raízes bíblicas e encaixar o tempo em que vivemos dentro dele. É este o sentimento que me conduz. Tempos atrás, falei num congresso de pastores de outra denominação sobre o tema “Como deve ser o pastor do século 21?”. Pus as cartas na mesa na primeira sentença gramatical: “Exatamente como deveria ser o pastor do século 20, o do século 18, o do século 15 e o do século primeiro”. E coloco as cartas na mesa, logo no início, também aqui. Nosso foco não deve ser um ajuste do que pregamos aos novos tempos, mas sim como pregar a mensagem de sempre aos novos tempos. Quando focalizou tempos futuros, os do fim, Paulo não prognosticou nenhum conteúdo diferente a Timóteo, mas exortou-o à firmeza: “Na presença de Deus e de Cristo Jesus, que julgará todos os seres humanos, tanto os que estiverem vivos como os que estiverem mortos, eu ordeno a você, com toda a firmeza, o seguinte: Por causa da vinda de Cristo e do seu Reino, pregue a mensagem e insista em anunciá-la, seja no tempo certo ou não. Procure convencer, repreenda, anime e ensine com toda a paciência. Pois vai chegar o tempo em que as pessoas não vão dar atenção ao verdadeiro ensinamento, mas seguirão os seus próprios desejos. E arranjarão para si mesmas uma porção de mestres, que vão dizer a elas o que elas querem ouvir. Essas pessoas deixarão de ouvir a verdade para darem atenção às lendas. Mas você, seja moderado em todas as situações. Suporte o sofrimento, faça o trabalho de um pregador do evangelho e cumpra bem o seu dever de servo de Deus” (2Tm 4.1-4, NTLH).O fundamental, para mim, não são os tempos em que vivemos, mas o que pregamos ao nosso tempo. O conteúdo independe do tempo, não pode ser ajustado a época e a cultura alguma. Judeus e gregos tinham cosmovisões completamente diferentes, mas a igreja pregava aos dois grupos o mesmo evangelho. Tanto que lemos em 1Coríntios 1.23-24: “Mas nós anunciamos o Cristo crucificado - uma mensagem que para os judeus é ofensa e para os não-judeus é loucura. Mas para aqueles que Deus tem chamado, tanto judeus como não-judeus, Cristo é o poder de Deus e a sabedoria de Deus”. Era o mesmo evangelho e seu teor não fazia sentido para qualquer dos grupos. E isto não abateu a Igreja. Ela não teve dois evangelhos, um para cada cultura.Mas parece que hoje temos uma preocupação muito grande em desvestir o evangelho da sua loucura e adorná-lo com a sabedoria humana. A preocupação de muitos pregadores é como torná-lo palatável ao incrédulo. Querem fazer com que o evangelho tenha sentido para o homem pecador. Mas ele continua sem sentido para os pecadores. Nossa tarefa é pregá-lo assim mesmo, na convicção de que o Espírito Santo tem poder para convencer o mundo do pecado, da justiça e do juízo. Nossa tarefa não é tornar nossa mensagem aceitável. É pregar a mensagem, mesmo que pareça inaceitável. O evangelho não pode ser adaptado a tempos, culturas e gostos. Quando tentamos fazer isto, produzimos o que se vê hoje, uma balbúrdia incrível no cenário evangélico. E um evangelho água com açúcar, que tem mais o rosto de Lair Ribeiro que o de Jesus. 1. MAS É ERRADO ANALISARMOS NOSSO TEMPO?Não, não é errado. É até necessário. O erro se dá quando analisamos o tempo em que vivemos, e com essa análise formamos uma maçaroca intelectual e queremos ver o que da Bíblia podemos aproveitar para não ferir a maçaroca que fizemos. Em termos mais elegantes: submetemos a Bíblia ao escrutínio do nosso tempo, e não o oposto. Prego para auditórios diversificados: intelectuais e gente de roça, estudantes e operários, senhores sisudos e jovens álacres. Mudo as ilustrações. Mudo a forma de me dirigir ao auditório, mas sempre falo da salvação que vem pela obra vicária de Cristo. Este é o tema. Continuo com cartas na mesa: a Bíblia é o microscópio pelo qual examinamos a cultura secular. Ela não é um objeto que analisamos pela cultura secular. Ela é senhora e não serva; é juíza e não ré, palavra última e não palavra penúltima. Com tudo isto, quero dizer que nossa maior necessidade não é a de conhecimento de nosso tempo, mas sim de firmeza nas Escrituras para analisarmos nosso tempo por ela. Se nossos ouvintes gostarão, se acharão que é insensatez dizer que o destino eterno deles depende da resposta que darão à obra que um homem fez numa cruz, num lugarejo obscuro, há dois milênios, isso não importa. Conhecer nosso tempo é bom se isto mostra o terreno onde lançaremos a semente. Mas é um ato equivocado determinar a essência da semente pelo terreno. Na parábola do semeador havia tipos diferentes de solos. Mas não havia tipos diferentes de sementes. Nossa semente é o evangelho de Jesus, na certeza de suas palavras: “Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão” (Mc 13.31). E para quem acha que isto é ultrapassado, que precisamos de refinamento cultural, e não de uma mensagem tão retrógrada, lembro outras palavras de Jesus: “Porque qualquer que de mim e das minhas palavras se envergonhar, dele se envergonhará o Filho do Homem, quando vier na sua glória e na do Pai e dos santos anjos” (Lc 9.26). Muitos não querem ser vistos como ultrapassados, e refinam a mensagem para torná-la atraente ao mundo atual.Definidas estas coisas, quero lhes falar sobre como o obreiro de tempos pós-modernos deve se posicionar. Sei o que é pós-modernidade. Poderia discorrer sobre ela. Em meu site (http://www.isaltino.com.br/) há uma apostila sobre o assunto. Mas o obreiro de um mundo pós-moderno não deve se mirar nos moldes do mundo e sim nos moldes de um obreiro leal à Palavra.2. A NECESSIDADE DE UMA TEOLOGIA SADIA A Igreja carece de uma teologia sadia. E seus obreiros mais ainda. E muito mais que os obreiros de época anteriores. Porque vivemos numa negação de valores, de subjetivação da verdade, de relativismo filosófico e moral. Alguém precisa sinalizar alguma coisa nesta bagunça em que vivemos. E quem pode sinalizar corretamente é a Igreja de Cristo. Ela tem a verdade. E se alguns de seus setores pensam que não têm e que dizer isso é ser arrogante numa época de politicamente correto, deve mudar logo de lado, caso não queira entender o que é o evangelho. Nós temos a verdade. Quem não crê nisto, por favor, não fique marcando gol contra. Porque desconfio que torce para o time adversário. Nós precisamos de uma teologia sadia. Porque precisamos ter as bases bem definidas e os contornos de nossa fé bem delineados. O obreiro e a Igreja de um tempo pós-moderno, um tempo vacilante e sem fronteiras, precisam ser firmes e devem ter suas fronteiras teológicas bem definidas. E isto mais que nunca.A Igreja precisa sinalizar ao mundo que há um caminho e uma verdade. Nosso tempo é de relativismos: o que é verdade para você pode não ser verdade para mim. Hoje, as pessoas têm as suas verdades. A Igreja precisa deixar claro que ela tem a verdade de Deus. E antes de tudo precisa deixar isso claro para ela mesma. O neopentecostalismo criou uma situação surrealista: colocou a subjetividade humana no lugar da objetividade das Escrituras. São sentimentos, insights, vislumbres, percepções parciais que ditam as normas. Até mesmo em igrejas ditas tradicionais ouvimos muito esta frase: “Eu senti em meu coração” ou “Eu sinto”, geralmente introduzindo uma observação da pessoa em defesa de alguma verdade. Desculpe-me, se você usa esta frase, mas o que você sente é irrelevante. O relevante é o que a Bíblia diz. Diz Jeremias 17.9: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?”. Infelizmente, o “sentismo” e o “achismo” são as maiores vertentes hermenêuticas, hoje, no movimento evangélico. Precisamos restaurar a objetividade do ensino das Escrituras. Nossos sentimentos devem se subordinar a ela. Bem como nossos interesses e nossas perspectivas.A maior batalha que teremos na área da teologia, nestes anos imediatos, é sobre a fonte de autoridade em matéria de religião. Sempre se apontou que a Bíblia é a fonte última. O preâmbulo da Declaração Doutrinária da CBB diz: “Através dos tempos, os batistas têm se notabilizado pela defesa destes princípios: 1º) A aceitação das Escrituras Sagradas como única regra de fé e conduta”. E todo o resto parte deste ponto. Precisamos ter uma teologia bem segura neste ponto: tudo parte da Bíblia e a ela tudo se submete. Infelizmente, todos afirmamos isto, mas nem sempre praticamos isto. Primeiro porque, como eu disse, temos o subjetivismo neopentecostal infiltrado em nossas igrejas, alimentado pelo romantismo da época, em que os sentimentos soam mais alto que a razão. Nossa geração não reflete, mas sente. Depois por causa da mentalidade pragmática que se dissemina entre nós. O que deu certo em algum lugar passa a ser a verdade. A verdade não é mais que o é certo, mas o que funciona. A pós-modernidade tira o foco da verdade objetiva para a funcionalidade. Precisamos lembrar bem que somos “a igreja do Deus vivo, a coluna e firmeza da verdade” (1Tm 3.15). E que “a coluna e firmeza da verdade” deve estar alicerçada sobre a Palavra que é a verdade: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (Jo 17.17).Que a Igreja estude a Palavra, submeta suas práticas e sua liturgia à Palavra. Que os pregadores preguem a Palavra e não seus desinteressantes conceitos culturais. Há obreiros que julgam suas platitudes um autêntico oráculo de Yahweh. Precisamos de pregadores que preguem a Palavra e não que contem historinhas o tempo todo. O pastor do século 21, bem como a igreja do século 21, precisa de uma teologia bíblica sadia.
3. A NECESSIDADE DE UMA SOTERIOLOGIA CORRETAContinuamos afirmando, em nossas pregações, que Cristo é o Salvador. Mas, Salvador de quê, exatamente? Na teologia da libertação, entre muitos outros aspectos, Jesus é “o revelador dos verdadeiros valores humanos”. Ele é “o homem para os homens”. Ele é mais um modelo que um Salvador. A soteriologia da falecida teologia da libertação é de fundo econômico, mas ingenuamente alguns de seus propugnadores criam que Jesus era um modelo que os homens poderiam seguir e que assim seriam socialmente transformados. Sendo o homem intrinsecamente bom, as pessoas precisavam ver o “modelo Jesus”, e se disporiam a imitá-lo. Outros teólogos desta linha, como boa parte dos seus comentários bíblicos mostra, falam de um tal de “projeto de Jesus”, que nunca entendi qual seja. Um desses comentários, em cada página trazia o tal “projeto de Jesus”. Parece-me que era de um levantamento das massas contra as famosas “elites”, de quem todos falam, mas nunca identificam. Mas a soteriologia sempre se liga à libertação da pobreza material.Ideologicamente, a teologia da prosperidade é irmã gêmea da teologia da libertação, pois sua soteriologia também se liga à libertação da pobreza material. Só que seu viés é pelo exorcismo, e não pela política. Acrescenta algo mais em sua panela de heresias: a resolução dos problemas relacionais e de saúde. Outros vêem Igreja como um lugar, apenas. E como um lugar de catarse, de liberação de emoções. É uma forma de terapia emocional. A Igreja acaba se tornando apenas um evento sócio-emocional. Salvação é se sentir bem e estar em paz consigo mesmo. A soteriologia tradicional parte da anunciação do nascimento de Jesus: “E ela dará à luz um filho, e lhe porás o nome de JESUS, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados” (Mt 1.21). A soteriologia correta parte daqui: perdão dos pecados. Há pecados e há o pecado. Não é ter paz consigo mesmo e se aceitar como se é. É ter paz com Deus e aceitar seu Filho. E, pelo poder do Espírito Santo, tornar-se aquilo que deve ser.Fortemente marcados pelo mito da bondade inata dos homens, mito que vem do Iluminismo, nossa cultura prega a bondade humana. Nossas pregações têm omitido o pecado, a condenação e, principalmente, o inferno. Estas questões são consideradas como medievais e indignas de pessoas ilustradas, cultas, do século 21. Como disse alguém, há pouco tempo: “A missão da Igreja é despertar o melhor dos homens”. Frase feita, bonitinha. Mas sem nexo. Qual é o nosso melhor? Diz Isaías 64.6: “Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças, como trapo da imundícia; e todos nós caímos como a folha, e as nossas culpas, como um vento, nos arrebatam”. Não teremos soteriologia correta se não tivermos a noção correta de quem seja o homem: pecador, caído, perdido. É curioso como os próprios crentes não gostam da doutrina da depravação da raça e da pecaminosidade humana. Um dia vi um pastor zangado com um corinho (e não sou fã deles) que diz “Se olhares para dentro de mim nada de bom encontrarás”. Ele estava realmente zangado. E me disse: “Nós temos muito de bom!”. Mas não temos! A Bíblia diz que não temos. Nosso “bom” é “trapo da imundícia”, referência aos absorventes menstruais das senhoras da época do profeta. Se há algo bom em nós é produto da graça. É a graça que nos torna pessoas melhores. Talvez se possa dar um crédito por causa dos termos “bem” e “bom”, mas não somos bons. E, realmente, o pecado habita em nós. En pasant, reside aqui um dos muitos equívocos da maçonaria. Uma de suas frases de efeito diz: “Nós escolhemos os homens bons e os tornamos melhores”. Numa curta frase, dois erros teológicos. Primeiro: não há homens bons. “E Jesus lhe disse: Por que me chamas bom? Ninguém há bom senão um, que é Deus.” (Mc 10.18). Segundo: porque ninguém pode ser transformado se não for pela graça. Sou pessimista quanto ao homem. Lembro de uma frase de Billy Graham: “O homem é exatamente o que a Bíblia diz que ele é”. E o retrato que ela faz do homem não é lisonjeiro. Precisamos falar de pecado. A palavra está tão fora de modo que inspirou um livro teológico como o título O pecado ainda existe? . A Igreja parece se reunir mais para celebrar (exatamente o quê?) que para confessar. Num exame superficial da Concordância bíblica da SBB encontrei 41 referências a “confessar” e 11 a “confissão”. Não examinei o número de vezes que aparece “pedir perdão” e semelhantes, e por isso não as considero. Aumentaria a lista. Mas culpa, pecado e perdão são palavras comuns nas Escrituras. Na década dos sessentas, um dos versículos que nossas igrejas mais recitavam era 2Crônicas 7.14. Hoje o mote é “Louvai ao Senhor”. Não se deduza que sou contra o louvor. Sou contra o culto que baniu a confissão. Sou contra a tentativa de varrer para baixo do tapete a reflexão e tudo submeter à agitação. Parece-me que as pessoas não pensam muito, mas apenas sentem e se sacodem. Nossa cultura não é reflexiva. É romântica, piegas e sensual (dos sentidos).Há um grande esforço de algumas ciências e disciplinas para tirar do homem o sentimento de culpa. Ele é produto do meio, das circunstâncias, dos genes, mas nunca resultado de suas decisões e menos ainda alguém que diga como Paulo: “... eu sou carnal, vendido sob o pecado” (Rm 7.14) e “Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço. Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim” (Rm 7.19-20). Além de desmentir a concepção iluminista de que o homem é bom, Paulo desmente a visão platônica de que saber é ser. Como isto nos tem marcado também! Todos os nossos problemas parecem que serão resolvidos com “conscientização”. Multar motoristas bêbedos e irresponsáveis? Não, isso é repressão, indústria da multa. Vamos conscientizar tais pessoas! Combater as drogas? Vamos conscientizar os nossos jovens. Ora, alguém não sabe que álcool e volante não combinam? Alguém ignora que drogas são destrutivas? Nosso problema não é cognitivo. É espiritual. Somos pecadores, dominados pelo pecado, e precisamos ser libertos do poder do Maligno: “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente, sereis livres” (Jo 8.36). Quando a Igreja perderá o acanhamento de chamar as pessoas ao abandono do pecado, e até quando continuará pregando auto-ajuda, como se a obra salvífica de Cristo fosse nos fazer sentir-nos melhores, emocionalmente?Precisamos de uma soteriologia centrada na obra vicária de Jesus Cristo. Seu evangelho é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê (Rm 1.16). A Igreja precisa pregar que os homens são pecadores, estão perdidos, vão para a condenação eterna, e só Jesus Cristo salva.
4. A NECESSIDADE DE UMA CRISTOLOGIA CORRETAParte da argumentação foi feita aqui, mas com a conotação da teologia da salvação. Agora, trato da pessoa de Cristo. Precisamos enfatizar bem os aspectos centrais da vida do Salvador: nascimento virginal, vida sem pecado, morte vicária, ressurreição corporal, ascensão e sua segunda vinda em poder e glória para julgar o mundo. Porque há um esforço enorme para se descaracterizar a pessoa de Jesus. Ele já foi mostrado como hippie, como guerrilheiro, como modelo de vida, e agora parece ser um incômodo para a Igreja. Parece que muitas igrejas não sabem o que fazer com Cristo e sua cruz. A mídia procura distorcê-lo. E a teologia contemporânea insiste em desmitificá-lo, em buscar o Jesus histórico, tentando fazer uma nova história e nos dar um novo Cristo. Gente em gabinete com ar condicionado e poltronas estofadas pretende saber mais sobre o Jesus do Novo Testamento que os evangelistas e Paulo.Muito da distorção sobre a figura de Jesus está vindo dos cânticos, onde ele quase nunca é cantado e quando é cantado, em alguns dos cânticos se assemelha mais a uma força que a uma pessoa. Parece mais uma energia cósmica que o Salvador do mundo.Só há um Cristo digno de ser pregado, o do Novo Testamento. E este é o Cristo crucificado. Mas há cultos em que o nome de Jesus só é mencionado na oração: “Em nome de Jesus”. Passou a ser mais uma senha que o Senhor da Igreja. Quantos sermões você ouviu ou quantos pregou, neste ano, sobre o Cristo crucificado? Preguei no aniversário de uma igreja e havia cinco grupos de louvor escalados. Não era uma ordem de culto. Era um ajuntamento de números especiais. Cada grupo apresentou três números, e antes de cada número houve o famoso sermãozinho sobre o louvor. Cá pra nós: sermão de grupo de louvor é duro de ouvir. São platitudes dispensáveis. O culto começou às 19 horas e me deram a palavra às 20h50. Metade do auditório estava tão cansada de tanto louvor, que não acompanharia meia hora de sermão. A outra metade estava tão excitada que não acompanharia nenhum raciocínio. O culto foi um louvor ao louvor, não a Cristo. O louvor foi um fim em si mesmo. Quando me deram a palavra observei um fato muito triste: em uma hora e cinqüenta minutos de culto, o nome de Jesus só fora pronunciado na frase “em nome de Jesus”, nas orações que se haviam feito. A Igreja é de Cristo, mas o louvor não é a ele. E o foco também não é ele, mas as pessoas que se exibem. “Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado” (1Co 2.2). Culto em que Cristo não foi pregado e a mensagem da cruz não foi anunciada não foi um culto neotestamentário. Há pregações moralistas, há pregações de auto-ajuda, há pregações que caberiam numa sinagoga, mas a pregação numa igreja deve ser cristocêntrica. O centro do culto não é o louvor, mas é Cristo. Deu para notar que neste tópico, falando de uma cristologia correta, detive-me mais na cristologia prática, vivenciada na Igreja, que à Cristologia como aspecto da Teologia. Porque o que me incomoda é que a Teologia está sendo refeita, ou melhor, distorcida, nos cultos, e não nos seminários. Mas como já havia tocado no assunto no tópico anterior, ao falar da soteriologia, creio que já comentei o suficiente.
5. A NECESSIDADE DE UMA ESCATOLOGIA CORRETAHá pouco, os evangélicos brasileiros ficaram escandalizados porque um pastor muito presente na mídia negou a segunda vinda de Cristo. Dispenso-me de comentar o pastor, mas centro-me na segunda vinda. A Igreja crê mesmo nela? Quão raramente se prega sobre ela! Quão raramente se canta sobre ela! A teologia da libertação passou fogo na escatologia, dizendo-a ser um recurso das elites (de novo!) para manter as massas acalmadas. A teologia da prosperidade a aniquilou, porque quer o céu aqui. Não conseguiu entender a tensão do já e do ainda não da vida cristã. E, na realidade, muitos de nós estamos mais interessados em melhores empregos, melhores casas, carros zeros e maiores, que no céu. Mas não é de céu que quero falar, especificamente, no aspecto de escatologia. Quero falar sobre a necessidade da igreja em advertir os pecadores de que haverá juízo. Que haverá um fim, que Cristo voltará e julgará a todos. A teologia da prosperidade em geral, e algumas de nossas pregações pragmáticas, em particular, têm empobrecido o ensino bíblico. “Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens” (1Co 15.19).Os crentes têm perdido a perspectiva do céu. Fico decepcionado com o desespero de alguns crentes quando perdem parentes crentes. Um colega me contou de uma senhora de sua igreja que ficou desesperada porque a mãe, com quase 90 anos e muito doente, partira para estar com o Senhor. E onde fica Filipenses 1.23, que diz: “Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor”? . Antes que me digam que eu não sei o que é perder mãe: perdi a minha aos meus 14 anos de idade. E ela não era crente. Era espírita. A questão é que as pessoas não ouvem pregações sobre o céu, não aspiram por ele, não o desejam, e querem apenas bênção sobre bênção, aqui na terra. Na realidade, nós não cremos no céu. Dizemos crer, mas não cremos.Uma escatologia correta ensinará que a Igreja é hoje militante, e não triunfante (o que nos livrará de muitas ingenuidades pregadas e cantadas), mas um dia será triunfante. Que não será vencida, que pode sonhar e deve trabalhar pelo triunfo do evangelho. Não servimos a uma causa que pode ou não dar certo, mas que dará certo. E que o triunfo a cantar não é meu triunfo sobre minhas dificuldades pessoais, mas o triunfo de Jesus Cristo! Para muitos crentes, importa-lhes o seu triunfo, a sua bênção, e não a glória de Cristo, como Senhor do universo.A mim, pouco me importa meu triunfo pessoal. Sou apenas um peão no tabuleiro do jogo de xadrez, que o Grande Jogador move para onde desejar, para fazer seu plano funcionar. Peão é descartável, é peça que sacrifica para se obter a vitória. Não aspiro a grandes coisas, mas apenas a ser útil. E não estou sendo vaidoso nem preciso ser elogiado por isso. É obrigação de cada cristão dizer como Paulo: “segundo a minha intensa expectação e esperança, de que em nada serei confundido; antes, com toda a confiança, Cristo será, tanto agora como sempre, engrandecido no meu corpo, seja pela vida, seja pela morte.” (Fp 1.20). A escatologia correta é aquela em que sabemos do triunfo do evangelho, que este triunfo virá porque Cristo é o Rei dos reis e Senhor dos senhores, e que nossa vida a serviço dele contribui para o avanço da obra.Esta visão escatológica de vitória do reino nos ajuda a entender que seguir a Cristo não é uma viagem de primeira classe por este mundo, mas um engajamento no seu exército. Nós seremos vencedores. Mas, em termos humanos, nós faremos a vitória acontecer.
CONCLUSÃOPrimeiro quis apresentar esta palestra. Depois apresentarei mensagens bíblicas. Mas o que pretendi dizer aqui, dificilmente caberia num sermão. Procuro pregar expositivamente e aqui expus alguns conceitos teológicos que ficariam esparsos. Inseri-los nos sermões seria fazer piruetas exegéticas, o que não me soa correto.O que aqui apresentei é o que creio. É minha convicção. E a síntese do que foi dito pode ser vista no uso que faço de Provérbios 22.28: “Não removas os marcos antigos que puseram teus pais”. Temos um balizamento de quatro séculos de história como batistas. Não removamos os marcos que nossos ancestrais estabeleceram.
Isaltino G. Coelho Filho
Ministro da Convenção Batista Brasileira servindo como pastor na Igreja Batista Central de Macapá. Bacharel em Teologia pelo Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil e Bacharel em Filosofia, Faculdade 9 de Julho, S. Paulo, Pós-Graduado em Educação com especialização em Metodologia do Ensino Superior, Católica de Brasília e Mestre em Teologia com especialização em Antigo Testamento, Seminário Teológico Batista Equatorial. É autor de várias obras, entre elas Teologia dos Salmos, Profetas Menores (em dois volumes) e O Drama do Calvário. Escreve regularmente no site http://www.isaltino.com.br/,
Ministro da Convenção Batista Brasileira servindo como pastor na Igreja Batista Central de Macapá. Bacharel em Teologia pelo Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil e Bacharel em Filosofia, Faculdade 9 de Julho, S. Paulo, Pós-Graduado em Educação com especialização em Metodologia do Ensino Superior, Católica de Brasília e Mestre em Teologia com especialização em Antigo Testamento, Seminário Teológico Batista Equatorial. É autor de várias obras, entre elas Teologia dos Salmos, Profetas Menores (em dois volumes) e O Drama do Calvário. Escreve regularmente no site http://www.isaltino.com.br/,
quinta-feira, 26 de abril de 2012
O grande e sedutor Leviatã...
Quando Israel pediu um Rei, Deus alertou das consequências: “Ele tomará os vossos filhos e os empregará para os seus carros e para seus cavaleiros, para que corram adiante dos seus carros; e os porá por príncipes de milhares e por cinquentenários; e para que lavrem a sua lavoura, e seguem a sua sega, e faça as suas armas de guerra e os petrechos de seus carros. E tomará as vossas filhas por perfumistas, cozinheiras e padeiras. E tomará o melhor das vossas terras, e das vossas vinhas, e dos vossos olivais e os dará aos seus criados. E as vossas sementes dizimará, para dar aos seus eunucos e aos seus criados...” (I Samuel 8.11-19)!
Nesse dialogo com Samuel está Deus descrevendo a maior praga que pode se abater sobre uma civilização. Trata-se da mesma praga que levou a ruina do Império Romano, da Alemanha Nazista, da União Soviética, e está conduzindo o Ocidente para o abismo. Hobbes apenas sistematizou uma teoria sobre o Leviatã, mas seus males já eram conhecidos do antigo povo de Israel. O que Deus está dizendo a Samuel, o profeta? Que quando um povo coloca suas esperanças no Estado, torna-se seu escravo. Ou, como escreveu o economista F. A. Hayek, permitir que o Estado seja fonte de esperança, que estenda ele seus braços sobre toda a comunidade, é o “caminho para a servidão”.
O Rei tomaria a melhor parte da riqueza da população. Hoje no Brasil trabalhamos quase meio ano apenas para pagar impostos. Quase ninguém reclama, ou sequer nota o problema. Há ainda aqueles que pensam que um Estado que se apodere dos meios de produção, seja pela Estatização ou pelo intervencionismo, nos conduzirá a um mundo melhor. Para este segundo grupo de pessoas, as ideias de Marx são praticamente meias-irmãs do Evangelho. Contudo, Deus diz a Samuel que um Estado que se assenhora compulsoriamente de parte da riqueza produzida por um povo é uma maldição, e não uma benção. Dito isto, que dizer de um Estado que se assenhora cada vez mais?
Observem que no dialogo com Samuel somos informados que o tributo devido ao Estado seria 10% da renda – “as vossas sementes dizimará”. Somado aos outros 10% já exigidos pelo próprio Deus, a tributação passou a ficar na casa de 20%. Essa quantia seria um verdadeiro paraíso hoje! De fato, basta o governo diminuir 1% ou 2% na carga tributária para a economia crescer a passos galopantes! No entanto, Deus não estabelece aquele tributo de 10% de modo positivo. Para Deus aquilo era um castigo pelo povo desejar ser governado por um Estado, e não pela Lei do Senhor. Como posso, enquanto cristão, depositar minhas esperanças de um mundo melhor nas benesses do Estado, quando a força do Estado é tida por Deus como servidão?
No versículo 17 lemos: “Tomará um décimo de vosso rebanho; e vós lhes servireis de escravos!”. Para Deus, o Estado forte é um monstro devorador da riqueza e da liberdade. E nós estamos muito pior que o povo de Israel. Ao longo do Governo José Sarney, a taxa tributária no Brasil oscilou entre 20 e 22,66%; o que representava trabalhar de 73 a 82 dias por ano para pagar o Governo. Na era Collor-Itamar a taxa aumentou, variando entre 24,66 e 29,86%; o que representava trabalhar de 90 a 109 dias para pagar o Governo. Depois, na era FHC a taxa tributária ficou relativamente estável em seu primeiro mandato, mantendo se entre 27,40 e 29,04%; mas no segundo mandato, aumentou terrivelmente, oscilando entre 31,51 e 36,44. Ou seja, no primeiro mandato o Braseiro trabalhou para pagar o Governo quase o mesmo que trabalhou na era Collor-Itamar; já no segundo período, precisou trabalhar de graça entre 115 e 133 dias!
Na Era Lula, a carga imposta ao povo também aumentou. No primeiro mandato ficou entre 36,99 e 39,73 – ou seja, 145 dias trabalhas para o Governo. No segundo mandato, a carga oscilou entre 40 e 40,5% - ou seja, quase 5 meses de trabalho usurpados pelo Leviatã. Se nos dias de Sarnei pagávamos quase o mesmo que Israel, depois da Era FHC e de Era Lula, nossa maldição dobrou de tamanho!
O Rei tomaria os filhos de Israel. Mesmo que uma nação não deseje um determinado conflito, o fato é que seus filhos são obrigados ao serviço militar. Isso acontece praticamente em todo o mundo, se é que há alguma exceção. Não importa que o povo americano não quisesse a Guerra do Vietnã, milhares de seus jovens foram mortos nas selvas comunistas. Não importa que os cristãos almejem educar seus filhos nos caminhos do Senhor, o Estado acredita possuir uma alternativa melhor, e não poupa esforços para doutrina-los como bem entender. O Estado que se diz “laico” não tem modéstia quando se trata de ridicularizar a fé cristã, e promover a destruição da Igreja, não obstante ela ter construído a Civilização Ocidental.
O Leviatã, o Estado Forte, não serviliza os homens apenas economicamente. Suas garras estendem-se também sobre corações e mentes. Vou compartilhar uma experiência bem recente. Trabalho em uma empresa que vende, dentre outras coisas, produtos financeiros como seguros e empréstimos pessoais. Eu sou do setor financeiro – uma experiência nova para mim. Nesse ramo precisamos verificar os antecedentes do consumidor antes de liberar seu crédito ou compra. O procedimento é o mesmo, seja o cliente branco, negro, homem, mulher ou homossexual. No entanto, há sempre alguém que pensa que tem direitos especiais.
Atendi o rapaz e seus dados não conferiam. Expliquei a ele a situação e ele ficou irritado. Depois de alguma discussão pediu que o gerente fosse chamado. Dentre suas reclamações a ‘impressão’ de eu lhe estar questionando motivado por algum sentimento homofóbico! Talvez se, na hora do atendimento, meu crucifixo estivesse visível sobre a camisa, ele tivesse além do gerente, chamado a policia! A objeção daquele jovem me deixou profundamente impressionado. Passado o conflito, alguém me alertou: “Muito cuidado ao tratar com pessoas assim”! Ora, desde quando homossexual merece tratamento diferenciado? Quer dizer que eu posso pedir garantias de um negro, de uma mulher, de um branco, mas não de um homossexual?
Não tardará muito o dia que nossos Legisladores irão propor que a Bíblia seja tratada como Literatura perigosa, de acesso restrito. Em muitos lugares do mundo propostas assim já foram apresentadas. Ao mesmo tempo, promove-se o aborto, o infanticídio, a eutanásia, e todo tipo de valores ‘progressistas’ que contrariam a Moralidade Cristã. Recentemente representantes do Estado consideraram símbolos cristãos impróprios para uso em repartições públicas, e a Justiça deixou de considerar crime a pedofilia de um adulto, alegando que a criança havia consentido. Como escrevi aqui a poucos dias, filósofos já defendem que matar uma criança recém-nascida é absolutamente aceitável, já que é a sociedade quem decide o que ou não humano, o que é ou não ‘vida digna’, e assim por diante.
Contudo, as pessoas não estão mudando naturalmente de postura. Todas essas mudanças de mentalidade estão sendo orquestradas por supostos especialistas a serviço do Estado. Não é a toa que, não há muito tempo, representante do nosso Governo ter deixado escapar que pretende criar uma mídia que concorra com a influência dos cristãos nas classes mais pobres. Estamos presenciando uma verdadeira reengenharia social – contrária ao Cristianismo. Nem mesmo os homossexuais são como o Estado quer! Acreditem, conheço muitos homossexuais que são pessoas maravilhosas, e tenho o privilégio de trabalhar com alguns. No entanto, o Estado pretende que sejam tratados como uma classe especial, e alguns se deixam seduzir pelo canto do Leviatã.
Termino com duas observações necessárias. Primeiro que não sou contra o Estado em si. Não sou anarquista como popularmente se entende o termo (risos). Parafraseando o economista austríaco Ludwig von Mises, se digo que gasolina não serve como alimento, não quer dizer que eu seja contra a gasolina! Assim penso a respeito do Estado: o Estado ‘forte’ é biblicamente descrito como maldição, o que não implica defender a ausência total de Governo. Certamente isso exige um esforço contínuo, uma recusa em se deixar dominar pelos poderosos. Alguém já disse que “o preço da liberdade é a eterna vigilância”.
Em segundo lugar, nunca canso de alertar meus leitores do risco do pessimismo escatológico. Se fosse adepto de uma “exegese de jornal”, certamente concluiria que tudo iria de mal a pior, sempre e cada vez mais, até que o fim chegasse. Minha exegese, porém, baseia-se nas Escrituras, não no Jornal Nacional. Acredito, assim, que mesmo que as coisas se tornem ainda piores que estão, nenhuma força será capaz de barrar para sempre o avanço do Reino de Cristo, pois o seu reinado se estenderá por toda a Terra! Talvez nosso sangue fique pelos Coliseus da História, mas a Mensagem do Cristo prevalecerá. Marcelo Lemos.
quarta-feira, 25 de abril de 2012
A CONFUSÃO EVANGÉLICA DIANTE DO ANTIGO TESTAMENTO
A igreja evangélica brasileira é uma das mais dinâmicas e criativas do mundo. Por essa razão seu crescimento tem sido extraordinário. Todavia, uma igreja jovem e efervescente tem dificuldades de doutrinar e discipular seus novos membros. Essa é uma realidade na igreja brasileira.
É notório que o uso do Antigo Testamento na prática e na liturgia eclesiástica brasileira tem crescido de maneira substancial. Principal no contexto de louvor e adoração a ênfase vétero-testamentária é mais do que expressiva. E como percebeu Lutero, a teologia de uma igreja está em seus hinos. Afinal, o que está acontecendo? Para onde estamos indo?
Em primeiro lugar, é preciso ressaltar que o Antigo Testamento representa um fascínio para o povo brasileiro. É repleto de histórias concretas, circunscritas na vida real do povo, no cotidiano de gente comum. É muito mais fácil emocionar-se com uma narrativa como a de Jonas ou de Davi do que acompanhar o argumento de Paulo em vários textos de Romanos. Além disso, o povo brasileiro tem pouca história e raízes muito recentes. O Antigo Testamento, com a rica história do povo de Israel, traz uma espécie de identificação com o povo de nosso país. Talvez isso explique porque tantos brasileiros evangélicos queiram ou procurem ser mais judeus. Em terceiro lugar, devemos considerar a realidade de que a igreja evangélica brasileira quase não tem símbolos ou expressão artística. A maioria dos símbolos cristãos históricos (catedrais, cruzes, etc.) tem identificação católica na realidade nacional. Assim, os evangélicos buscam símbolos para expressar sua fé, e acabam geralmente escolhendo símbolos judaicos ou véterotestamentários (menorá, estrela de Davi, e etc.).
Este encontro brasileiro-judaico tem muitas facetas positivas: Retomamos uma alegria comemorativa da fé, trazemos a verdade espiritual para a realidade concreta, dificilmente teremos uma igreja anti-semita, enxergamos necessidades sociais e políticas pela força do AT. Todavia, também estamos andando em terreno perigoso e delicado. Algumas considerações são importantes para que a igreja brasileira não perca o rumo por problemas de ordem hermenêutica. Aqui vão algumas sugestões:
1. Nem todo texto bíblico do AT pode ser visto como normativo. A descrição da vida de um servo de Deus do AT não é padrão para nós sempre. Quando Abraão mente em Gênesis, a descrição do fato não o torna uma norma. A poligamia de Salomão, a mentira das parteiras no Egito e o adultério de Davi não podem servir de desculpas para os nossos pecados.
2. Não podemos cantar todo e qualquer texto do AT. É preciso observar quem está falando no texto bíblico. Sem observarmos quem fala tiraremos conclusões enganosas. Isso é fundamental para se entender o livro de Eclesiastes. No caso de Jó 1.9-10, por exemplo, temos registradas as palavras de Satanás. Isto é fato até no caso do Novo Testamento (veja Jo 8.48).
3. Devemos Ensinar que Muito da Teologia do AT é ultrapassada. Jesus deixo claro que estava trazendo uma mensagem complementar e superior em relação à antiga aliança. Se não entendermos isto, voltaremos ao legalismo farisaico tão questionado por nosso Senhor. Textos como Números 15.32,36 revelam um exemplo daquilo que não tem mais valor na prática da nova aliança. Todos os elementos cerimoniais da lei não podem mais fazer parte da vida da igreja cristã, pois apontavam para a realidade superior, que se cumpre em Cristo (Cl 2.16-18). Sábados, festas judaicas, dias sagrados, sacrifícios e outros elementos cerimoniais não fazem parte da prática cristã neotestamentária.
4. Antes de Pregar ou Cantar um Texto do AT é Preciso Entendê-lo. Nem sempre é fácil entender um texto do Antigo Testamento. Muitos textos precisam ser bem estudados, compreendidos em seu contexto e em sua limitação circunstancial e teológica. Veja por exemplo o potencial destruidor do mau uso de um texto como o Salmo 137.9. Se o intérprete não entender que o texto fala da justiça retributiva divina dada aos babilônios imperialistas, as crianças da igreja correrão sério perigo!
5. Devemos Ensinar que Vingança e Guerra não são Valores Cristãos. Jesus ordenou que devemos amar até mesmo aqueles que nos odeiam. A justiça imprecatória não faz parte da Teologia do NT. Há vários salmos que dizem isso, mas tal realidade compreende-se no contexto do AT e não pode ser praticada na igreja cristã. Não podemos cantar "persegui os inimigos e os alcancei, persegui-os e os atravessei" (Sl 18.37.38), quando o Senhor Jesus ordena que devemos perdoar e amar os nossos inimigos (Mt 5.44,45). Hoje já existe até gente “amaldiçoando” outros em nome de Jesus! Teremos uma “violência cristã”?
6. Enfatizemos a Verdade de que a Adoração do NT é Superior. O Novo Testamento nos ensina que a adoração legítima independe de lugar, de monte, de cidade e de outros elementos materiais (Jo 4). Jesus insiste em afirmar que Deus procura quem “o adore em Espírito e em verdade”. A tradição evangélica sempre louvou a Deus por seus atos e atributos. Atualmente estamos cada vez mais enfatizando “o monte santo”, “a cidade sagrada”, “a casa de Deus”, “a sala do trono”. Nós somos o “templo de Deus”. Os elementos materiais poucam importam na adoração genuína. É preciso retomar o caminho correto.
7. Devemos ensinar que ser Judeu não torna ninguém melhor do que os outros. Alguns evangélicos entendem que “ser judeu” ou “judaizado” os torna de alguma forma “espiritualmente melhor”. O rei Manassés, Anás e Caifás eram judeus! Já há quem expulse demônios em hebraico! Em Cristo, judeus e gentios são iguais perante Deus. Na verdade “não há judeu nem grego” (Gl 3.28). A igreja cristã já pecou por seu anti-semitismo do passado. Será que irá pecar agora por tornar-se judaizante? Devemos amar judeus e gentios de igual modo. Além disso, podemos e devemos ser cristãos brasileiros. Não precisamos nos tornar judeus para ter um melhor “pedigree” espiritual. Luiz Sayão
É notório que o uso do Antigo Testamento na prática e na liturgia eclesiástica brasileira tem crescido de maneira substancial. Principal no contexto de louvor e adoração a ênfase vétero-testamentária é mais do que expressiva. E como percebeu Lutero, a teologia de uma igreja está em seus hinos. Afinal, o que está acontecendo? Para onde estamos indo?
Em primeiro lugar, é preciso ressaltar que o Antigo Testamento representa um fascínio para o povo brasileiro. É repleto de histórias concretas, circunscritas na vida real do povo, no cotidiano de gente comum. É muito mais fácil emocionar-se com uma narrativa como a de Jonas ou de Davi do que acompanhar o argumento de Paulo em vários textos de Romanos. Além disso, o povo brasileiro tem pouca história e raízes muito recentes. O Antigo Testamento, com a rica história do povo de Israel, traz uma espécie de identificação com o povo de nosso país. Talvez isso explique porque tantos brasileiros evangélicos queiram ou procurem ser mais judeus. Em terceiro lugar, devemos considerar a realidade de que a igreja evangélica brasileira quase não tem símbolos ou expressão artística. A maioria dos símbolos cristãos históricos (catedrais, cruzes, etc.) tem identificação católica na realidade nacional. Assim, os evangélicos buscam símbolos para expressar sua fé, e acabam geralmente escolhendo símbolos judaicos ou véterotestamentários (menorá, estrela de Davi, e etc.).
Este encontro brasileiro-judaico tem muitas facetas positivas: Retomamos uma alegria comemorativa da fé, trazemos a verdade espiritual para a realidade concreta, dificilmente teremos uma igreja anti-semita, enxergamos necessidades sociais e políticas pela força do AT. Todavia, também estamos andando em terreno perigoso e delicado. Algumas considerações são importantes para que a igreja brasileira não perca o rumo por problemas de ordem hermenêutica. Aqui vão algumas sugestões:
1. Nem todo texto bíblico do AT pode ser visto como normativo. A descrição da vida de um servo de Deus do AT não é padrão para nós sempre. Quando Abraão mente em Gênesis, a descrição do fato não o torna uma norma. A poligamia de Salomão, a mentira das parteiras no Egito e o adultério de Davi não podem servir de desculpas para os nossos pecados.
2. Não podemos cantar todo e qualquer texto do AT. É preciso observar quem está falando no texto bíblico. Sem observarmos quem fala tiraremos conclusões enganosas. Isso é fundamental para se entender o livro de Eclesiastes. No caso de Jó 1.9-10, por exemplo, temos registradas as palavras de Satanás. Isto é fato até no caso do Novo Testamento (veja Jo 8.48).
3. Devemos Ensinar que Muito da Teologia do AT é ultrapassada. Jesus deixo claro que estava trazendo uma mensagem complementar e superior em relação à antiga aliança. Se não entendermos isto, voltaremos ao legalismo farisaico tão questionado por nosso Senhor. Textos como Números 15.32,36 revelam um exemplo daquilo que não tem mais valor na prática da nova aliança. Todos os elementos cerimoniais da lei não podem mais fazer parte da vida da igreja cristã, pois apontavam para a realidade superior, que se cumpre em Cristo (Cl 2.16-18). Sábados, festas judaicas, dias sagrados, sacrifícios e outros elementos cerimoniais não fazem parte da prática cristã neotestamentária.
4. Antes de Pregar ou Cantar um Texto do AT é Preciso Entendê-lo. Nem sempre é fácil entender um texto do Antigo Testamento. Muitos textos precisam ser bem estudados, compreendidos em seu contexto e em sua limitação circunstancial e teológica. Veja por exemplo o potencial destruidor do mau uso de um texto como o Salmo 137.9. Se o intérprete não entender que o texto fala da justiça retributiva divina dada aos babilônios imperialistas, as crianças da igreja correrão sério perigo!
5. Devemos Ensinar que Vingança e Guerra não são Valores Cristãos. Jesus ordenou que devemos amar até mesmo aqueles que nos odeiam. A justiça imprecatória não faz parte da Teologia do NT. Há vários salmos que dizem isso, mas tal realidade compreende-se no contexto do AT e não pode ser praticada na igreja cristã. Não podemos cantar "persegui os inimigos e os alcancei, persegui-os e os atravessei" (Sl 18.37.38), quando o Senhor Jesus ordena que devemos perdoar e amar os nossos inimigos (Mt 5.44,45). Hoje já existe até gente “amaldiçoando” outros em nome de Jesus! Teremos uma “violência cristã”?
6. Enfatizemos a Verdade de que a Adoração do NT é Superior. O Novo Testamento nos ensina que a adoração legítima independe de lugar, de monte, de cidade e de outros elementos materiais (Jo 4). Jesus insiste em afirmar que Deus procura quem “o adore em Espírito e em verdade”. A tradição evangélica sempre louvou a Deus por seus atos e atributos. Atualmente estamos cada vez mais enfatizando “o monte santo”, “a cidade sagrada”, “a casa de Deus”, “a sala do trono”. Nós somos o “templo de Deus”. Os elementos materiais poucam importam na adoração genuína. É preciso retomar o caminho correto.
7. Devemos ensinar que ser Judeu não torna ninguém melhor do que os outros. Alguns evangélicos entendem que “ser judeu” ou “judaizado” os torna de alguma forma “espiritualmente melhor”. O rei Manassés, Anás e Caifás eram judeus! Já há quem expulse demônios em hebraico! Em Cristo, judeus e gentios são iguais perante Deus. Na verdade “não há judeu nem grego” (Gl 3.28). A igreja cristã já pecou por seu anti-semitismo do passado. Será que irá pecar agora por tornar-se judaizante? Devemos amar judeus e gentios de igual modo. Além disso, podemos e devemos ser cristãos brasileiros. Não precisamos nos tornar judeus para ter um melhor “pedigree” espiritual. Luiz Sayão
terça-feira, 24 de abril de 2012
Pecado sem Castigo
As ultimas semanas tem sido dificil para todos que amam o Evangelho, escrever sobre escandalos e pecados cometidos dentro da igreja evangelica brasileira, e que muita das vezes sao jogados para debaixo do tapete por lideranças comprometidas e que estao tambem em crise de integridade, custuma doer na alma. Fui presidente de dois conselhos de pastores em Armação dos Buzios e Rio das Ostras, e agora acabamos de fundar o Conselho de Tamoios, no segundo distrito de Cabo Frio. fui pastor de duas igrejas e dói-me ter de salientar os pontos em que a igreja tem falhado. A igreja evangelica atual, esta se parecendo com a arca de Noe e os dejetos de sua liderança criou um cheiro desagradavel e impossivel de suportar. Durante 21 seculos a Igreja vem dizendo ao mundo que reconheça os seus pecados. Hoje, inverteu-se as posições, é o mundo que diz a Igreja que enfrente seus pecados. A poucos dias, ao assistir uma sessão legislativa, para fazer uma materia jornalistica em Cabo Frio, fui obrigado a ouvir as denuncias de um vereador sobre a invasão dos pulpitos de algumas igrejas na cidade por politicos em busca de votos, transformando o lugar de pregação do evangelho em palanque. Outro fato que chamou minha atenção e despertou a curiosidade jornalistica, foi a distribuição de adesivos para carros com mensagens biblicas a favor do casamento, e contra o adulterio. O que deveria ser feito pelos pastores, passou para os politicos como plataforma de campanha em favor da familia. Defrontamo-nos com uma crise de valores morais. nao somente a conduta da igreja esta em debate, mais tambem o seu propio caráter. A sociedade está perguntando: - Pode-se confiar na Igreja e nos seus pastores? - E como respondemos e tão importante quanto oquê respondemos. Os leitores mais ceticos vão questionar a falta de dados numericos e a ausencia de nomes e sobre nomes nos escandalos praticados que provem a crise de integridade. Confesso que nao conheço as estatisticas, a nao ser as informações publicadas nos jornais e fornecidas pelas ovelhas insatisfeitas com os pecados encobertos a luz do dia. Mais esse artigo, nao é uma tese de mestrado sobre o pecado de corrupção e adulterio que se abateu na vida de alguns lideres evangelicos, e nao tem a obrigação metodologica nenhuma, a nao ser a de nao falsear intencionalmente os fatos a que aludo e que vêm das informações e impressões a que praticamente todos nos estamos expostos. Claro, choveram explicações para os pecados que vemos, principalmente nos tempos que atravessamos em que a impressao que se tem é de que ninguem é mais culpado ou responsavel por nada. No plano politico houve um tempo em que se dizia que o Brasil acabava com a saúva ou a saúva acabaria com o Brasil. As saúvas andam por ae, nao acabaram, e nem o Brasil acabou. Contextualizando em relação a Igreja e suas lideranças denominacionais, será a mesma coisa com o pecado? Que ele anda vivinho por ae, nao restam dúvidas, que acabe com a igreja, é pouco provavel, tão pouco. Mais que causa danos enormes é indiscutivel. Haverá quem diga que sempre houve o pecado de corrupção e adulterio na igreja brasileira e pelo mundo a fora, oque provavelmente é certo, mais apartir de certo nivel de sua existencia e, pior da aceitação tácita de suas praticas como: " Fatos da vida religiosa, se ela nao acaba com a igreja, deforma-a de modo inaceitavel. Estamos nos aproximando desse limiar. A crise enfrentada pela igreja nos dias de hoje é semelhante aquela que Jeremias e o seu povo enfrentaram nos dias anteriores ao cativeira da Babilonia.É tambem semelhante a enfrentada por Neemias quando ele arriscou a sua vida para reconstruir oque o inimigo tinha destruido. Jeremias levou quarenta anos tentando evitar a crise. E nos, levaremos quantos anos ? A despeito do desânimo causado pela multiplicação de praticas corruptas e diversos pecados nos bastidores da igreja e pela impunidade vigente, há sinais alvissareiros de alguns remanescentes que nao se dobraram a Baal e Mamon. Não nos esquecamos porem de que existe uma cultura de tolerancia com o pecado por parte de algumas lideranças religiosas, que precisam ser alterada. Não falta sacerdote conhecidos a serem elogiados em cultos solenes e ter quem os ouça como se impolutos fossem. As mudanças na cultura religiosa de algumas denominações são lentas e dependem de pregação de profetas no melhos estilo Jeremias, Elias, Natan e João Batista. Será pedir muito? E nao nos devemos esquecer de que a responsabilidade nao é so dos que transgridem as leis de Deus e as verdades do evangelho e da pouca repressão ao pecado, mais da propria membrezia da Igreja, isto é, de todos nos, por aceitar o inaceitavel e reagir em conformismo diante dos escandalos. Precisamos entender, que a crise de integridade envolve mais do que alguns pastores acusados de impropriedades morais. A crise de integridade envolve toda a Igreja. Baruch Há Shem! Pr.Sergio Cunha.
segunda-feira, 23 de abril de 2012
A igreja segue caminhando
Não discordo das vozes de preocupação ou das lágrimas de angústia por uma Igreja que tem se encantado com as luzes deste mundo, perdeu a simplicidade cristã e, em muitos casos, se conformou com o presente século, aplaudindo-o de pé.
Vejo, porém, que, apesar de vivermos dias maus, há motivos de tremenda alegria e regozijo no Senhor, pois Sua Igreja segue caminhando. E observar o cuidado do Senhor ao preservar o caminhar da Igreja - mesmo ao transitar por ruas esburacadas e esquinas escuras - é terapêutico para a alma e estimulante para a fé.
Nos últimos tempos encantei-me com várias destas pessoas que fazem parte da Igreja caminhante. Lembro-me daquele pastor assembleiano que encontrei no Rio de Janeiro que, encarecidamente, pedia ajuda para subir o morro do alemão visto que andava de muleta por ter levado um tiro na última vez que o fez. Desejava subir novamente o morro para pregar a Palavra de Deus. Recordo-me com cores vivas também daquele mecânico de Brasília, tomado pela alegria da conversão após trinta anos de sofrimento nas drogas, e agora sem conseguir completar uma só frase sem falar de Jesus.
Também o Sr. João, leigo e semi-analfabeto, que se embrenhou nas matas amazônicas para pregar a Palavra e evangelizar – sozinho – seis aldeias indígenas, sem preparo, sustento ou reconhecimento, mas por amor ao Cristo vivo.
Não poderia me esquecer de nossos teólogos que andam na contra mão das tendências da época e, mesmo debaixo de críticas e risos, não deixam de nos apontar o caminho da Palavra e da fé. E o que mais poderíamos falar dos pastores e líderes com cabeças já embranquecidas que, após uma vida inteira de fidelidade ao Senhor e à sua Igreja, nos inspiram a seguir o mesmo caminho? E aqueles que gastam a vida, economias e forças para dar voz e uma mão amiga aos caídos à beira do caminho? É também formidável perceber que a cada semana, em solo brasileiro, milhões se apinham em templos das mais variadas espécies para praticar a comunhão e, com sede de Deus, buscá-lo enquanto se pode achar.
Dentre as maravilhas de Deus em manter a Sua Igreja viva em meio a um mundo cujas cores são fortes e atraentes, passa pela minha mente três fatos que, apesar de simples, são para mim emblemáticos. Primeiramente, após ter voltado da África para o Brasil e por aqui estar desde 2001, percebo por onde passo a presença de verdadeiras testemunhas do Senhor Jesus. Homens, mulheres, crianças e idosos que não param de falar de Cristo, distribuir panfletos com mensagens bíblicas, realizar encontros nas praças e seguir de casa em casa – pessoas que são impulsionadas a falar de Jesus a partir do que têm experimentado em suas próprias vidas – sincera transformação. Não há um lugar que passo sem uma marca – mesmo que simples, ou as vezes até fora de contexto – da determinação de se falar daquele que fez algo novo, e maravilhoso, em nossas vidas. Jesus está no coração da Igreja e, frequentemente, também em seus lábios.
Em segundo lugar recebi um pacote de cartinhas de crianças de uma igreja no interior de Minas, da escola dominical. Em várias delas afirmavam estar orando por nós – missionários – para que não nos desviássemos do nosso chamado. Pensei naquela manhã: fazemos parte de um Corpo que possui crianças que oram, escrevem suas orações e, ainda, nos exortam a não nos esquecermos do sentido da nossa vida!
Por fim, o amor à Palavra. Muitos crentes a buscam, retiram horas para estudá-la, ouvi-la e comunicá-la. Em muitos cultos o momento mais sublime é o momento da Palavra. Olhos se concentram, pessoas se ajeitam nos bancos. A Bíblia é segura com interesse enquanto canetas anotam explicações e aplicações em caderninhos ou papéis improvisados. Há algo diferente quando ela é aberta.
Sim, a franca evangelização, crianças que oram e o amor à Palavra não minimizam o quadro agonizante de uma Igreja que precisa de urgente e franca reforma de vida. Mas são alguns, dentre muitos outros, sinais de que esta Igreja segue caminhando, e o fará até o dia final quando seremos chamados - os que dormem e aqueles vivem - para ouvirmos a doce voz do Senhor : servo bom e fiel...
Rev. Francisco Leonardo Schalkwijk, homem de Deus, ao impetrar a bênção ao fim de cada culto, sutilmente adiciona uma frase que nos lembra a diferença entre aqueles que se chamam Igreja e aqueles que o são: Que a graça do nosso Senhor e salvador... seja agora irmãos, com toda a Igreja, que sinceramente ama o Senhor Jesus, agora e para todo o sempre, amém. Para ele há na Igreja aqueles que são de fato Igreja – amam sinceramente a Cristo – e aqueles que frequentam cultos, reuniões e púlpitos. Escutei a mesma verdade da boca de um indígena crente em Cristo, da etnia Ixkariana do Amazonas quando afirmou que ser cristão é conhecer a Jesus, é amar e viver a Jesus, e também falar de Jesus.
Como muitos outros, fui criado em um lar evangélico e nasci ouvindo vários hinos clássicos cristãos. Um deles dizia: Nas lutas e nas provas a Igreja segue caminhando... e, após as estrofes que falam da luta contra o pecado, o diabo e o mundo, o hino encerra como atestando o inimaginável: a Igreja sempre caminhando.
Nos encontros evangélicos internacionais o Brasil é sempre citado, e quase sempre de forma emblemática e entre frases estereotipadas. Alguns afirmam o grande avivamento que por aqui ocorre, a semelhança de outros poucos países do mundo onde o número de evangélicos cresce tão rapidamente. Outros denunciam as teologias oportunistas e exploratórias que são usadas em nosso meio para falsificar a presença e atuação de Cristo. Não raramente alguém me pergunta, como brasileiro, o que acho. A resposta sai quase de forma automática: somos tudo isto e muito mais.
Em meio a este emaranhado de iniciativas, das mais sinceras as mais questionáveis, cria-se um ambiente fluido e confuso, para nós. Porém, devemos nos lembrar que o Senhor não vê como vê o homem. Aquele que separa o joio do trigo conhece a Sua Igreja, a ama e a sustenta.
Proponho um exercício espiritual enquanto caminhamos. Preocupar-nos um pouco menos com as loucuras feitas em nome de Cristo e um pouco mais com o nosso próprio coração, para que não venhamos a ser desqualificados. Olharmos mais para os desejos do Senhor sabendo que, para isto, precisaremos quase sempre estar na contra mão do mundo.
Observarmos a beleza da presença transformadora de Cristo em Sua Igreja e tantos motivos de alegria, em tantas vidas verdadeiramente transformadas, e não somente os fartos motivos de agonia e indignação.
Para cada palavra de crítica à Igreja – autocrítica, se assim quiser – termos uma palavra ou duas de encorajamento, para nosso irmão ao lado e para nosso próprio coração.
Ouvirmos com zelo e temor os profetas que nos denunciam o erro, bem como os pastores que nos encorajam a caminhar.
Não perdermos de vista Jesus Cristo, Cordeiro de Deus e vivo entre nós, para que a tristeza advinda da Igreja não nos impeça de experimentar a alegria do Senhor.
Louvado seja o Senhor Jesus Cristo por ser Ele, com Sua autoridade e amor, e não nós, em nossa fraqueza e desamor, que faz com que a Igreja – que a Ele pertence – siga caminhando.Ronaldo Lidório é pastor presbiteriano e missionário ligado à Missão AMEM e APMT
domingo, 22 de abril de 2012
Teologia Raul Seixas e o Evangelho " maluco beleza"
É fato conhecido que um dos pioneiros do rock nacional, que fez muito sucesso há cerca de três décadas, foi o controvertido Raul Seixas. Numa mistura de protesto e busca por respostas para a vida, o conhecido “Raulzito” causou a mais diversificada reação em todo o país.Pouca gente sabe que o falecido roqueiro conheceu o Evangelho de Cristo. Chegou até mesmo a ter um filho com sua primeira companheira, que era filha de um missionário norte-americano. Todavia, a perspectiva panteísta e agnóstica de Raul Seixas mostrou que o famoso cantor não abriu o coração para a mensagem do Evangelho. Sua morte não deixa dúvidas sobre isso!
Por incrível que pareça, se Raul Seixas não se deixou influenciar pelas boas novas de Jesus, parece-me que suas idéias estão cada vez mais presentes na realidade evangélica contemporânea. Será possível que estamos caminhando para uma “teologia do Raul Seixas”? Será que teremos um evangelho “maluco beleza”? O amigo leitor pode dar sua própria opinião.
Enquanto as Escrituras deixam claro que existe apenas um Deus verdadeiro, que está acima de sua criação (Is 44.6; Rm 1.18-21), a perspectiva panteísta aparece expressa na música “Gita”, de Raul. Ele afirmava:
“Eu sou a luz das estrelas /
A mãe, o pai e o avô /
O filho que ainda não veio /
O início, o fim e o meio.”
Este enfoque tenta tirar de Deus a glória que só Ele tem e merece. De modo geral, o panteísmo que deifica a natureza acaba definindo como categoria suprema o fluxo do movimento. Heráclito sorriria no túmulo. Tais idéias, muito presentes nos filmes norte-americanos mais populares, parecem emergir do conceito de que Deus é uma energia, “um fluir” (unção?). Em certos redutos evangélicos já se pode perceber que Deus se tornou “um poder manipulável” por “comandos determinadores”. Além disso, o enfoque da teologia do processo, que já nos influencia com todos os seus desdobramentos específicos, também diminui Deus e o coloca sob o domínio do “fluxo do tempo”, sugerindo que Ele é apenas nosso sócio na construção da história.
METAMORFOSE AMBULANTE
A idéia da supremacia do fluxo do tempo desemboca na rejeição de outras categorias fixas. A única categoria é o próprio tempo, o novo senhor absoluto. Com esse pressuposto, já não podemos ter teologia e ética definidas e claras. Embora a Bíblia seja um livro de orientações muito cristalinas sobre Deus, a salvação e o propósito da vida (2 Tm 3.16,17; 2 Pe 1.19-21), para muitos evangélicos, a teologia “maluco beleza” é preferível.
Como diria Raul:
“Eu prefiro ser esta metamorfose ambulante /
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.”
Se uma opinião for antiga, deve ser rejeitada! Há uma crise doutrinária e teológica em boa parte do meio evangélico. Muitas pessoas adotam hoje idéias liberais, místicas e extremistas sem a devida avaliação. Nesse caso, não importa sua fundamentação teológica, histórica e lógica. Viva a metamorfose!
Tal sensação de indefinição, presente no pensamento do roqueiro tupiniquim, ajudou a formar seu perfil estranho, controvertido e até mesmo bizarro. Não é que um grupo significativo de evangélicos também já tem se aproximado do esdrúxulo?! Há um certo desprezo pela reflexão, pela teologia, e o crescimento de práticas risíveis e simplesmente inacreditáveis. Será que podemos ouvir o eco da música de Raul ao contemplar grande parte do chamado meio evangélico atual? Será que estamos diante do
“Contemplando a minha maluquez /
Misturada com minha lucidez”?
Até onde vai a nossa “maluquez”? Será que voltaremos à lucidez? Será que muitas reuniões religiosas de hoje estão nos deixando, “com certeza, maluco beleza”? Espero que essa sensação seja um exagero! Todavia, temo que não seja!
Não faz tanto tempo assim, os cristãos evangélicos entendiam que um culto de adoração a Deus tinha, de fato, Deus como o centro do culto. Muitos cânticos tinham letra elaborada, teologia saudável e enfatizavam os atributos e os atos de Deus. No entanto, em algumas reuniões dominicais de hoje, temo que o foco esteja sendo mudado. Novas canções falam de um amor quase romântico e indefinido, divertem a massa, exaltam unção, montanhas, Jerusalém, guerra etc. O conceito de dedicar o domingo para uma diversão sem propósito e finalidade bíblica é manifesta na teologia do Raul Seixas. Como ele mesmo dizia:
“Eu devia estar contente pelo Senhor ter me concedido o domingo
para ir ao jardim zoológico dar pipocas aos macacos”.
Será que já podemos observar “uma fauna evangélica com suas macaquices litúrgicas”? Tomara que não! Espero que tudo que escrevo não passe de uma análise exagerada! Todavia, temo que não.
Como todo enfoque teológico, o pensamento do “teólogo-músico pós-ortodoxo” nacional, também possui as suas decorrências de ordem prática. Não há como fugir da realidade. A forma de pensar e ver o mundo influencia e determina a vida prática de qualquer pessoa. A verdade é que se adotarmos uma base panteísta, um pensamento relativista, uma ética indefinida e práticas místicas emocionalistas sem conteúdo, não chegaremos a lugar nenhum. E não é que o “grande teólogo-roqueiro” já sabia disso! Quem pode lembrar de sua “perspectiva teleológica” que determinou seu trágico fim?
“Este caminho que eu mesmo escolhi /
É tão fácil seguir/ Por não ter onde ir.”
Se a igreja evangélica brasileira desvalorizar a doutrina bíblica, desprezar a teologia, deixar de lado a ética e afundar-se no misticismo e nas novidades ideológicas frágeis, logo ela descobrirá que esse é um caminho “tão fácil de seguir”. O grande problema é que no final das contas “não teremos para onde ir”.
Mais do que nunca, precisamos desesperadamente voltar nossa atenção para as Escrituras Sagradas, com o verdadeiro desejo de obedecer a Deus e à sua verdade. Que Deus nos abençoe.
Luiz Sayão é pastor batista e hebraísta e produtor da série Rota 66.
sábado, 21 de abril de 2012
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