segunda-feira, 29 de junho de 2009

Pastores autistas


Certa vez estava jantando na casa de um pastor, no centro da cidade, quando a campanhia do interfone tocou. Era uma menina de rua, pedindo um prato de comida ou um pedaço de pão para saciar sua fome. O velho pastor mesmo estando com sua mesa repleta de alimentos, negara aquela criança uma prova de amor cristão. Passados alguns dias, eu participava de uma conferência, com o pastor Rodolfo Beuttenmuller(foto), radicado em Miami – EUA, onde ela falava sobre os pastores autistas, que vivem dentro de si mesmo, isolados do mundo exterior. Que não ouvem, não vêem, e nem sentem nada fora de seu mundo interior. Um pastor autista, possui um coração impenetrável, que não se comove com a dor de uma de suas ovelhas. Não se alegra nos casamentos que celebra. Não visita as ovelhas desgarradas. Tornou-se um homem apartado. Desconfiado de todos, sem afeto natural. (2 Tm 3.2-5).
Certa vez visitando uma Igreja do interior, tive a oportunidade de pregar no aniversário de um pastor septuagenário, que cansado das atividades eclesiásticas, reclamava sentir-se abandonado pelos demais obreiros. Ao passar alguns dias ministrando estudos bíblicos para a juventude, acabei descobrindo que aquele pastor no curso de sua vida pastoral, adquirira um coração impenetrável, se isolando dos demais companheiros de ministério, avocando para si todas as responsabilidades da Igreja. Contudo um relacionamento frio, distante e superficial com suas ovelhas. Falava com os demais pastores auxiliares sem sair de sua cadeira, já que unicamente ali se sentia seguro. Como o irmão de Abel, tinha o coração blindado, mantendo-se totalmente indiferente ao padecimento e alegrias de suas ovelhas. Na sua convenção denominacional ou até mesmo na Associação de Pastores da cidade, permanecia ilhado e solitário sem envolver-se em nada, temeroso de ser contaminado, do que ele chamava de modernismo dos novos pastores.
Aquele ministro que dedicara muitos anos de sua vida na administração de várias igrejas, sofria da Síndrome de Caim. Tinha ciúme de suas ovelhas, quando um pastor visitante trazia uma mensagem diferente, que agradava o coração da Igreja.
Como Caim, ele também assassinava espiritualmente muitos dos seus irmãos, não permitindo a plena comunhão entre os crentes de sua igreja e as demais. Suas ofertas denominacionais, ele entregava mensalmente, como uma obrigação a contra-gosto.
Todas as pessoas da sociedade local, que olhavam para ele, enxergavam nele, a aparência de piedade. A parede de sua casa, estava repleta de condecorações. Contudo ele vivia em seu próprio mundo, cercado apenas de lembranças do passado. Como Caim, ele estava cego, não enxergando sua própria realidade. Ao final da vida, no leito do hospital, aquele pastor ainda teve tempo de pedir perdão a todas às suas ovelhas magoadas, como também aos companheiros de ministério. Graças ao Senhor que ele partiu para a Glória de maneira diferente do irmão de Abel.

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