sexta-feira, 10 de julho de 2009

Para onde caminha a Igreja do século 21?


Nasci e fui criado em berço evangélico, na adolescência fui batizado nas águas por um ex presidente da Convenção Batista Brasileira, e após ter estudado em um colégio batista Pan-americano, como também ter trabalhado no escritório do Instituto Haggai, fundado por um pastor batista norte americano, eu reunia todos os requisitos necessários para tornar-me um ministro batista, desde minha chamada quando freqüentava a Embaixada Billy Graham. Porem, não eram estes os planos de Deus para minha vida. Lembro-me que na juventude, tinha um amigo pentecostal de nome Ismael Pinheiro, morador de Belford Roxo e líder da juventude da Catedral da Assembléia de Deus, que me convidava com freqüência para ir aos cultos jovens, porem eu sempre declinava, por considerar o povo assembleiano muito esquisito e fanático com seus costumes e tradições religiosas fora da realidade da época, onde os meninos não podiam jogar futebol, banhar-se na praia ou assistir os filmes americanos no cinema, e quanto as mulheres, não podiam cortar os cabelos, os vestidos tinham que ser compridos ate o tornozelo e não podiam assistir televisão. Aquela busca pela santidade e separação do mundo, me incomodava, como também o barulho dos cultos com orações em línguas estranhas. Naquela época, havia preconceito de ambos os lados. Nos, os chamados tradicionais, por não sermos batizados com Espírito Santo e vivermos uma vida espiritual liberal, éramos acusados de carnais e professarmos um culto racional intelectualizado. Já os “pentecostes” como eram chamados os assembleianos, devido a terem uma verdadeira aversão ao estudo teológico, e pelo fato de grande parte de sua liderança nas igrejas, serem formadas de leigos, sem nenhuma formação acadêmica, os tradicionais deram-lhe a alcunha de neófitos praticantes de cultos emocionais.
Após ser convidado a participar de um jantar da Adhonep no Leme Palace Hotel no Rio de Janeiro e presenciar a cura de uma senhora bastante idosa, que teve sua perna curta acrescida, como também minha vida pregressa, sendo revelada por um empresário Texano, no qual nunca tinha conhecido, e ao final do jantar, receber o batismo no Espírito Santo, uma experiência inigualável, nunca antes ocorrido em minha vida cristã, levou-me a maior comunhão com Deus e busca de santidade, tornando-me, como diz o hino da Harpa Cristã: “Um dos tais”. Porem, agora, com a aproximação do centenário das Assembléias de Deus no Brasil, o que estamos assistindo, é sua descaracterização e perda de identidade, como legitima igreja pentecostal que preserva os bons costumes e busca santidade do Espírito Santo, como um povo separado pelo Senhor Jesus. Assim como o Movimento Pentecostal trouxe o fogo do Espírito para o Brasil, começando em Belém do Pará e alcançando todas as camadas da sociedade, precisamos resgatar o Movimento de praticas e disciplinas espirituais da igreja primitiva, como modelo para uma espiritualidade Bíblica, como uma reação a frieza, a carnalidade e mundanismo crescente por seus modismos que esta sendo absorvido pela igreja atual.
A Igreja necessita grandemente de lideres maduros espiritualmente, que não se deixam levar por modismos que estão sendo acrescentados a ela, juntamente com os novos lideres, ou seja precisamos de velhos soldados para defender velhas e imutáveis verdades. Podem me chamar de saudosista e ate alguns jovens me considerarem antiquado, com uma mensagem ultrapassada, pregando contra o pecado, mais orando a Deus, peço ao Senhor Jesus de volta aquela igreja pequena, onde Deus falava e nos criticávamos em nossa ignorância espiritual. Aquela igreja nascida debaixo da perseguição do baixo clero católico, onde a mensagem da Palavra era o centro do culto e os hinos cantados profundamente inspirados na doutrina Bíblica. Onde os pastores cheios de unção, pregavam com autoridade do espírito Santo unicamente as Escrituras Sagradas no púlpito, não havendo necessidade de utilizar “ Not Book”,tão pouco ensinar psicologia com aulas de auto-ajuda e economia com a maldita teologia da prosperidade importada dos Estados Unidos. Tenho saudades daquela igreja chamada de atrasada pelo mundo, onde o pecado era tratado como transgressão das leis de Deus e não como um simples “desvio de conduta”. Onde ouvia-se a “ Voz de Deus” e não a do povo. Onde o templo era “local de adoração ao Senhor” e não uma casa de shows. Onde havia levitas adoradores e não artistas profissionais do cântico gospel, cobrando cachês milionários. Onde era real o “Mover do Espírito” e não coreografias ensaiadas exaustivamente. Onde o povo fazia a leitura responsiva da Bíblia e não o que é projetado no telão. Onde o batismo nas águas, era um sepultamento de pecados para o mundo com reflexão de vida, e não um banho no batistério na piscina ou no rio. Onde os pastores eram homens simples com grande paixão pelas almas perdidas, e não executivos da fé, comendo a gordura das ovelhas, com metas de crescimento financeiro, segundo as leis do mercado.
Tenho boas lembranças do tempo em que a igreja fechava as portas para o Diabo e não colocava “tapetes vermelhos” para recebe-lo. Tempo em que os congressos e confraternizações de jovens, eram um derramar do Espírito Santo sobre a igreja, com jovens buscando a santidade e separação do mundo, ao contrario de hoje, onde os rapazes e moças imitam os astros do rock pesado e as artistas de novela. Onde os retiros espirituais durante a festa momesca foram transformados em shows de funks e axé gospel como mero entretenimento.
O teólogo A.W.Tozer(foto), certa vez declarou: “durante séculos a igreja manteve-se firme contra toda forma de entretenimento mundano, reconhecendo-o como um dispositivo para se perder tempo, um refugio contra vos da consciência. Um plano para desviar a atenção quanto a moral. Por manter sua posição, ela sofreu e sofre abusos por parte dos filhos desse mundo. Porem, ultimamente, ela se cansou de ser abusada e simplesmente desistiu da luta. Parece ter firmado a posição de que, se não poder vencer o deus do entretenimento, o melhor que poder fazer é unir as suas forças a dele e aproveitar o Maximo de seus poderes. Diante dos fatos expostos no noticiário da TV e nos grandes jornais, assim como também a realidade vivenciada em algumas denominações, fica a pergunta: “ Para onde caminha a igreja do século 21?. Baruch Há Shem!

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