sexta-feira, 27 de junho de 2008

Manchete inesquecível



Houve tempos em que o Jornal O Dia, publicava manchetes inesquecíveis, do tipo sensacionalista, tais como: “Cortou o mal pela raiz”, aludindo uma senhora que castrara o marido infiel enquanto dormia. Porém, uma manchete que trouxe grande tristeza para a classe jornalística, foi a morte do jornalista e ex-senador Artur da Távola, um ícone da crônica carioca.
Tive oportunidade de entrevistar nosso cronista e senador tucano, durante uma palestra no Alternativa Casa-Escola em Rio das Ostras no dia 19 de outubro de 1991, sobre a “Nova Lei das Diretrizes e Bases da Educação no Brasil”, com o qual falou com muita propriedade e autoridade, encantando os professores presentes.
Após a palestra, fomos enriquecidos com sua vasta experiência jornalística dos tempos de “Última Hora”, onde seu secretário de redação, que ele verdadeiramente adorava, o João Ribeiro, sempre bem-humorado atinava com as manchetes para um título de vinte e cinco batidas, isto é, vinte e duas letras que, com os espaços e o ponto de exclamação, constituíam o tamanho exato da manchete.
Artur da Távola, pertencia a uma geração de jornalistas comprometidos com o Brasil. Assim como Gregory Peck, foi o rosto que o cinema deu as causas nobres, Távola foi o cronista doublé de político incorruptível do tipo que não surgem mais nas redações assépticas e sepulcrais de hoje, onde se um jornalista espirrar os demais olharão com olhar superior de inglês esnobe, irritados com o barulho insuportável que está a produzir.
Távola não era evangélico, contudo se tornou um leitor dos textos teológicos contextualizados do pastor Ricardo Gondim, chegando a citá-lo em suas crônicas semanais no O Dia, o que causou grande alegria a comunidade pensante no segmento evangélico. Uma das características de Távola, era trazer-nos boas notícias ou crônicas inesquecíveis.
Se fôssemos escrever como nos tempos bíblicos do Rei Davi, poderíamos afirmar: Não sabeis que hoje caiu no Brasil, um príncipe das letras, um grande homem. (2 Sm 3.38).

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